tese leila benitez
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tese leila benitez


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discordância erosiva pronunciada no meio desta sequência, permite a separação em duas 
unidades distintas, aqui designadas Formação Resplandecente e Formação Grão Mogol. 
A partir da região de Diamantina, em direção a norte, ocorrem sucessivas 
alternâncias das formações Sopa Brumadinho e Galho do Miguel. Na zona de fechamento 
norte da estrutura braquianticlinória do Espinhaço Meridional, afloram apenas quartzitos da 
Formação Galho do Miguel, em decorrência do caimento do eixo dessa estrutura para norte e 
pela cobertura neoproterozóica do Grupo Macaúbas. Na área ao extremo sul do Espinhaço 
Central, na estrutura braquianticlinória de Itacambira, ocorre uma sequência com 
características idênticas à Formação Galho do Miguel, apresentando os caimentos das dobras 
maiores para sul. Desta maneira, por seus posicionamentos, espessuras, e características 
litológicas e faciológicas, a Formação Resplandecente não foi correlacionada com a Formação 
São João da Chapada aflorante no Espinhaço Meridional, e sim comparável com a Formação 
Galho do Miguel (Chaves et al. 1997, 1999). 
Na região de Grão Mogol, a Formação Resplandecente é composta por uma 
sucessão monótona de quartzitos finos, puros, que se caracterizam pela presença generalizada 
de estratificações cruzadas de grande porte e alto ângulo. As características litológicas, assim 
como a associação de fácies presentes nesta unidade, permitem relacioná-la a um ambiente 
eólico (Chaves 1997). A espessura total da Formação Resplandecente, na região de Grão 
Mogol, varia entre 250 e 300m. 
Os conglomerados diamantíferos que ocorrem em ampla região do Espinhaço 
Central foram inicialmente considerados como pertencendo à \u201cFormação Sopa\u201d, situada em 
discordância sobre o conjunto quartzítico da serra, então designado de \u201cSérie Itacolomi\u201d 
(Moraes & Guimarães 1930). Moraes (1934) apresenta uma figura de detalhe em Grão Mogol 
onde é nítida a discordância \u201cangular\u201d entre as duas unidades. Estes autores provavelmente 
observaram o contato da Formação Resplandecente, com suas estratificações cruzadas de alto 
ângulo, sob os conglomerados basais da Formação Grão Mogol. Posteriormente, 
levantamentos detalhados mostraram que esta discordância erosiva ocorre de maneira 
regional, sendo observada em pelo menos 50 km de extensão, ao longo de todo o perfil 
longitudinal entre Cristália (ao sul) e Grão Mogol. 
 A seção-tipo da Formação Grão Mogol foi obtida através de vários perfis de 
detalhe integrados, que foram levantados desde o sul da cidade, ao longo dos vales do Rio 
Itacambiruçu e de seu tributário Córrego da Morte, até cerca de 2 km ao norte da mesma, na 
região constituída por inselbergs quartzíticos denominada localmente de \u201cSerra do Barão\u201d 
 
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(Chaves et al. 1997, 1999). A unidade pode ser dividida em dois conjuntos litológicos 
distintos, os quais foram designados informalmente de membros inferior e superior. O 
membro basal da Formação Grão Mogol ocorre sempre em nítida discordância erosiva sobre 
os quartzitos da Formação Resplandecente. Este é composto por ortoconglomerados, na maior 
parte monomíticos, que se notabilizam pela presença de diamantes. Os corpos são 
lenticulares, conforme as excelentes exposições encontradas na localidade designada de 
\u201cPedra Rica\u201d (Chaves 1997). Em geral, os clastos predominantes de quartzito não ultrapassam 
20 cm de diâmetro, e estes muitas vezes estão interpenetrados metamorficamente com a 
matriz quartzítica que também é fina. Onde o pacote apresenta-se mais espesso, ocorre uma 
estratificação interna nos conglomerados, não observada na região de Diamantina, definindo 
níveis com 1-2 m de espessura. São marcantes as diferenças entre os conglomerados \u201cSopa\u201d e 
\u201cGrão Mogol\u201d. Apesar de ambos serem sustentados pelo grão, os conglomerados que ocorrem 
na faixa Itacambira-Grão Mogol apresentam um largo predomínio de clastos de quartzito fino 
que provavelmente pertencem à Formação Resplandecente, sendo raríssimos os seixos de 
quartzo (extra-bacinais). 
O membro superior desta formação ocorre em contato concordante sobre os 
conglomerados, onde estes ocorrem, compondo uma sequência de quartzitos finos a médios, 
micáceos, que localmente podem conter lentes delgadas de quartzitos conglomeráticos, 
microconglomerados e conglomerados sustentados pela matriz (Chaves et al. 1999). A 
presença conspícua de mica (sericita) nos quartzitos lhes confere um aspecto lamelar, com 
níveis centimétricos a decimétricos dados pela estratificação plano-paralela, que se realça pela 
erosão diferencial. A espessura do membro quartzítico possui no máximo 80m. As principais 
estruturas sedimentares são estratificações cruzadas de pequeno porte e de baixo ângulo, 
muitas vezes acanaladas, além de marcas de ondas com cristas sinuosas. Estas fácies, junto 
com as abundantes lentes microconglomeráticas e conglomeráticas presentes na sequência, 
indicam que tais rochas tenham sido depositadas em ambiente fluvial braided. A Formação 
Grão Mogol posiciona-se, portanto, sobre o conjunto \u201cGalho do Miguel-Resplandecente\u201d, e 
assim, é colocada estratigraficamente acima dos conglomerados diamantíferos que afloram na 
região de Diamantina (Chaves et al. 1999). 
 
Grupo Macaúbas 
 
Dois principais conjuntos litológicos caracterizam o Grupo Macaúbas, a leste de 
Grão Mogol. Na base afloram quartzitos sericíticos, com elevado grau de imaturidade, que os 
 
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diferencia de imediato dos quartzitos do Supergrupo Espinhaço (Formação Resplandecente), 
que ocorrem em sua base. Quartzo xistos finos, localmente conglomeráticos, aparecem por 
vezes intercalados. Este conjunto pode ser associado com a Formação Califorme, descrita em 
áreas mais ao sul por Karfunkel & Karfunkel (1976b). O contato com o Supergrupo 
Espinhaço é tectônico. Sobrepostos estratigraficamente, mais a leste, ocorrem metadiamictitos 
mais ou menos xistosos e crenulados, com clastos estirados de quartzo, quartzito, quartzito 
ferruginoso, filito, rocha granitóide e rocha carbonática. O tamanho destes não ultrapassa 25 
cm de comprimento. Intercalam-se aos metadiamictitos várias camadas centimétricas, 
lenticulares, de quartzitos finos e impuros. Esta seqüência foi considerada de origem glacial 
por Moraes & Guimarães (1930) e estudos detalhados posteriores têm confirmado esta 
hipótese (Karfunkel & Karfunkel 1976b, Karfunkel & Hoppe 1988). 
As rochas do Grupo Macaúbas encontram-se fortemente deformadas, exibindo 
dobras fechadas até isoclinais ou mesmo recumbentes, com eixos em torno de N10°-20°E e 
caimentos do plano axial para leste, com ângulos normalmente entre 15°-30°. Foram 
originadas por esforços no sentido E-W, típicos em toda a borda oriental da Serra do 
Espinhaço, onde se relacionam a falhas de deslocamento de baixo ângulo, responsáveis pela 
superposição do Grupo Macaúbas sobre o Supergrupo Espinhaço. As dobras são truncadas 
pelo ciclo de pediplanação responsável pela formação das chapadas no Terciário. A 
deformação presente não permite uma consideração segura sobre a espessura do Grupo 
Macaúbas na região; possivelmente esta deve oscilar em torno de 500 m (Chaves et al. 1999). 
 
5.1.2.2 - Depósitos Diamantíferos 
 
Existem depósitos diamantíferos de três principais tipos na região de Grão Mogol: 
(1) nos conglomerados basais da Formação Grão Mogol, Supergrupo Espinhaço, (2) em 
elúvios e colúvios estreitamente relacionados com os conglomerados e, (3) em aluviões 
recentes e sub-recentes (terraços). Nestes últimos dois séculos de lavra os mais importantes 
serviços têm ocorrido nos tipos (2) e (3) (Chaves 1997). 
 
Conglomerado Grão Mogol 
 
De acordo com Chaves (1997), os conglomerados diamantíferos de Grão Mogol 
(Foto 4), em poucos locais chegou a ser de fato