tese leila benitez
254 pág.

tese leila benitez


DisciplinaGeologia7.707 materiais60.675 seguidores
Pré-visualização50 páginas
lavrado, o que ocorreu principalmente no 
século XIX. Na atualidade, a maioria dos garimpeiros duvidam mesmo que tal rocha possa 
 
 77
conter diamantes. O desmonte do conglomerado na \u201cPedra Rica\u201d, a nordeste da cidade, 
porém, foi descrito com detalhes por Helmreichen (1846), sendo ainda possível observar as 
marcas de broca dos antigos serviços. Segundo Chaves (1997) nas lavras do Batatal e do 
Deodato, também houve exploração do conglomerado e ainda no presente ocorre a lavra dos 
sedimentos eluviais. Em 1995, uma parte do corpo conglomerático alterado que ocorre no 
\u201cBeco da Quitanda\u201d, área central da cidade, foi \u201clavrado\u201d tendo como objetivo principal a 
desocupação do local para construção de uma moradia. A cata então aberta, media cerca de 
5,0 x 4,0 x 0,5 m. Dela foram extraídos 24 diamantes pequenos totalizando 1,9 ct, mostrando 
assim um teor de 0,19 ct/m3, o qual porém deve ser visto com reservas devido ao baixo 
volume (10m
3) e caráter localizado do material lavrado (Chaves 1997). 
 
 
 
Foto 4: Afloramento do Conglomerado Grão Mogol, exibindo grandes clastos de quartzito, às 
margens do rio Itacambiruçu. 
 
 
Depósitos Elúvio-Coluvionares 
 
Importantes depósitos diamantíferos eluvio-coluvionares ocorrem na área do 
Córrego dos Bois, a nordeste da cidade. Helmreichen (1846) descreveu um diamante com 
30,5 ct oriundo deste local, provavelmente o maior encontrado na região. Chaves (1997) 
 
 78
acompanhou a apuração do cascalho diamantífero na cabeceira deste córrego, um garimpo 
coluvionar em atividade (Lavra do Ném). Uma cata medindo 18 m
3
 produziu 7 diamantes 
pesando 1,03 ct no total, o que demonstra um teor local de 0,05 ct/m3. Outro depósito do 
mesmo tipo, situado na periferia sul da cidade, no local conhecido como \u201cCasas Populares\u201d 
ou garimpo do Pastinho é descrito por Chaves (1997). Na época (1995), cerca de 50 
garimpeiros ali trabalhavam, constituindo então a maior aglomeração deles na região de Grão 
Mogol. Uma cata medindo 120m
3
 produziu 5,86 ct de diamantes (total de 10 pedras), o que 
revela um teor aproximado de 0,05 ct/m3, idêntico portanto ao verificado na área do Córrego 
dos Bois (Chaves 1997). 
 
Depósitos Aluvionares 
 
Segundo Chaves et al. (1999) na região serrana de Grão Mogol, os córregos são 
normalmente pequenos e encaixados, permitindo apenas um aluvionamento restrito em que a 
maior parte dos trechos encascalhados já foram lavrados. É o caso do Ribeirão do Inferno, que 
corta a cidade, e de outros que também nascem na área serrana, como os córregos da Morte, 
Pastinho, Bonita, Escurinha e Escurona. Ao norte de Grão Mogol, o Ribeirão Taquaral ainda 
possui cascalhos aluvionares virgens. Em todos estes não se conhecem dados a respeito de 
produção e/ou teores. No Rio Itacambiruçu, o principal da região e afluente de primeira 
ordem do Rio Jequitinhonha, os depósitos aluvionares são mais amplos (chegando a alcançar 
50m de largura) e mostrando uma espessura média de 0,5 m. Eles são lavrados desde o século 
XVIII, conforme o registro histórico de Andrada e Silva (1792), estando em grande parte 
exauridos. Chaves (1997) relata que no início da década de 80 tentou-se uma grande \u201cvirada\u201d 
do rio, isto é, seu desvio por um canal artificial rompido em meio aos quartzitos, mas os 
resultados foram insatisfatórios. Lavra com draga, bomba de sucção e escafandrista tem 
ocorrido intermitentemente, com bons resultados apenas em áreas restritas onde ainda se 
encontram cascalhos virgens (Chaves 1997). 
 
5.1.2.3 - Aspectos Econômicos 
 
Registros históricos sobre a produção de diamantes na região de Grão Mogol são 
escassos. Helmreichen (1846) mencionou uma produção em torno de 20.000 ct/ano em 1841, 
o que representava na época cerca de 20% da produção de Minas Gerais, então a maior do 
Brasil. Em 1887, conforme Gorceix (1902), foram extraídos 2.685 ct, o que deveria constituir 
 
 79
pelo menos 10% da produção do Estado. Segundo os dados apresentados por Freyberg (1934), 
esses valores representavam algo em torno de 6% (1841) e 5% (1887) da produção nacional, 
indicando assim a importância relativa dos depósitos de Grão Mogol durante o século XIX. 
Chaves et al. (1993) e Karfunkel et al. (1994) consideraram em 1992 uma produção anual de 
5.000 ct para a região, com cerca de 1.500 garimpeiros em atividade. A produção porém vem 
declinando continuamente e, no biênio 1992-1993, Karfunkel et al. (1994) estimaram um 
valor de 1.500 ct/ano (±120 ct/mês), produzidos por quase 200 garimpeiros. Este declínio 
pode ser em parte explicado pela paralização parcial das dragas que operavam no Rio 
Itacambiruçu, e ainda por uma posterior queda nos preços do mineral e trabalhos alternativos. 
Toda a produção é comercializada na própria cidade ou, como é o caso das pedras maiores e 
de boa qualidade, em Montes Claros e Diamantina. Segundo informações locais, os dois 
maiores diamantes encontrados nos últimos 30 anos pesaram respectivamente 5,1 ct e 4,5 ct, 
ambos extraídos (1993/1996) no garimpo do Pastinho (Chaves 1997). 
 
5.2 - PROVÍNCIA NOROESTE SÃO FRANCISCO 
 
A procura do diamante na bacia do rio São Francisco teve início em meados do 
século XVIII. De acordo com Sapucaia Jr (1986), os rios Abaeté, Indaiá, Santo Antônio e o 
córrego das Almas foram objeto e atividades garimpeiras de importância no passado, com 
exploração mais avançada a partir de 1800. Na região foram também assinaladas ocorrências 
de diamantes nas bacias da Prata e do Sono. 
Na Província Diamantífera Noroeste São Francisco, as ocorrências de diamante 
estão ligadas aos depósitos aluvionares dos rios que cortam rochas cretáceas, onde não se sabe 
ao certo se kimberlitos ou os níveis conglomeráticos diamantíferos ali existentes são as fontes 
alimentadoras, tendo sido encontradas, até o ano de 1943, pedras com até 354 ct (Achão 
1985). O fato é que nesses rios, ocorrem minerais indicadores do diamante, como o piropo, a 
ilmenita magnesiana e a perowskita (Francisco Ribeiro, GAR Mineração, inf. verbal, 2008). 
 
5.2.1 - Contexto Geológico 
 
A região da Província Diamantífera Noroeste São Francisco abrange 
representantes do grupo Bambuí, reportados ao Proterozóico Superior e componentes de uma 
unidade geotectônica denominada \u201cBacia Epicontinental Marinha\u201d (Dardenne 1981). 
Sedimentos continentais atribuídos ao Cretáceo Superior, que constituem as formações Mata 
 
 80
da Corda e Areado, incluem-se na unidade Bacia do Tipo Sinéclise (Ladeira et al. 1971). 
Como tipos tectônicos não especificados (Cobertura Superimposta Final) foram englobados 
os sedimentos detríticos, laterizados ou não, assinalados como pertencentes ao Terciário-
Quaternário; sedimentos elúvio-colúvio-aluvionares do Pleistoceno; e sedimentos aluvionares 
recentes (Holoceno) (Figura 12). 
 
Grupo Canastra 
 
O Grupo Canastra (Mesoproterozóico) aflora somente em pequena parte da região, 
a sudoeste. Consiste principalmente em quarztitos finos a médios, altamente recristalizados, 
com intercalações delgadas de filitos e formações ferríferas bandadas (Tuller & Silva 2003). 
 
Grupo Bambuí 
 
Os sedimentos do Grupo Bambuí depositaram-se sobre uma plataforma 
epicontinental estável, para uma bacia caracterizada por gradiente muito fraco de seu fundo e 
por águas rasas, permitindo assim explicar a consequência das litofácies sobre enormes 
distâncias e suas variações muito rápidas em função de modificações menores da 
paleogeografia (Dardenne 1981). Os diversos ambientes reconhecidos no Grupo Bambuí se 
manifestam por uma série de fácies características: (a) marinho sub-litorâneo, abaixo do nível 
da influência das ondas e correntes de maré, águas rasas, profundidade moderada,