tese leila benitez
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tese leila benitez


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uma sedimentação mais distal, não inclui 
material cinerítico. Braun (1970) definiu seus limites pela presença de magnetita, cujo 
percentual diminui em quantidade granulométrica do sul para o norte. 
A idade do Grupo Mata da Corda vincula-se a um ciclo magmático maior, que 
inclui basaltos, carbonatitos e tufos. As datações empreendidas por Hasui & Cordani (1968), 
estabelecem idades em torno de 80 Ma para o vulcanismo tufáceo, o que assegura idade 
cretácea superior (Cenomaniano-Turoniano) para a formação. 
 
Sedimentos Cenozóicos 
 
Esses depósitos de materiais detrítico-lateríticos, são representados por uma 
seqüência de três unidades, que receberam a denominação de \u201cCobertura Superimposta Final\u201d 
(Grossi Sad et al. 1971). A sequência inicial, de origem continental e idade terciária-
quaternária, reúne areias, cascalhos e material síltico-argiloso, inconsistentes ou parcialmente 
laterizados. A sequência acima é essencialmente continental, de idade quaternária 
(Pleistoceno) e constituída de areias, lateritas e mesmo produtos de eluviação profunda. Estas 
unidades são representativas de coberturas remanescentes do ciclo de aplainamento Velhas, 
identificando as cotas entre 750 e 650 m. 
A sequência inicial, de origem fluvial e idade quaternária (Holoceno) ocorre de 
maneira bastante reduzida, todavia apresentando maior concentração na sua porção noroeste. 
 
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Essa unidade é constituída por detritos aluviais inconsolidados (cascalhos, areias, siltes e 
argilas); mantêm-se temporariamente inundados e parcialmente estabilizados. Incluem-se na 
mesma os depósitos de várzea, terraços aluviais ligeiramente mais elevados, porém 
alcançáveis pelas eventuais cheias, aluviões abandonadas por recentes mudanças de cursos 
dos rios intermitentes, depósitos palustres e lacustres. 
 
5.2.2 - Depósitos Diamantíferos 
 
A bacia do rio do Sono, afluente do rio Paracatu, ainda é considerada uma das 
principais áreas diamantíferas do noroeste de Minas Gerais, havendo notícias de antigas e 
atuais atividades garimpeiras em alguns de seus trechos. Essa tradição se explica pelo fato de 
que o rio do Sono bem como alguns de seus tributários (rios Santo Antônio e das Almas) 
drenam regiões dos municípios de São Gonçalo do Abaeté e João Pinheiro, onde, do Cretáceo 
ao Terciário fizeram-se presentes eventos vulcânicos, possivelmente com corpos kimberlíticos 
associados, e um prolongado ciclo de sedimentação representado pelos grupos Areado 
(detritos fluviais e lacustrinos) e Mata da Corda (material piroclástico). Salienta-se que os 
aluviões quaternários são particularmente expressivos ao longo do baixo curso do rio do 
Sono, no sentido da localidade do Paredão de Minas, trecho este onde as planícies de 
inundação são marcadas pela presença de meandros abandonados e larguras, às vezes, 
superiores a 700 m (Vieira & Heineck 1983). 
 O rio Abaeté é famoso por sua produção diamantífera, onde ocorrem 
consideráveis quantidades de gemas coloridas, a maioria com formas arredondadas e 
dissolvidas (Cookenboo 2005). 
Como até o momento não foram reconhecidas pipes kimberlíticos intrusivos na 
Formação Três Marias (Grupo Bambuí), unidade estratigráfica mais antiga aflorante na bacia 
do rio do Sono, é possível que uma apreciável parcela dos diamantes ali ocorrentes seja 
proveniente das coberturas cretáceas situadas nos atuais altos topográficos das cabeceiras de 
drenagem como o córrego das Almas. Já foram identificados vários afloramentos de 
conglomerados correlacionáveis à Formação Abaeté do Grupo Areado (Cretáceo Inferior). As 
ocorrências desses conglomerados são freqüentes na região compreendida entre o córrego das 
Almas e o ribeirão das Gaitas, mas o caráter diamantífero desses ruditos não foi comprovado 
até o momento (Vieira & Heineck 1983). 
Ainda segundo Vieira & Heineck (1983), outra possível matriz secundária dos 
diamantes reside na fácies basal, psefítica, do Grupo Mata da Corda (Cretáceo Superior), que 
 
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ocorre, por exemplo, ao longo do chapadão dos Gerais, onde se encontra bastante lateritizada, 
sendo constituída por um conglomerado de tendência oligomítica. 
 
5.2.3 - Aspectos Econômicos 
 
As áreas que se apresentam com relativa potencialidade para a concentração de 
diamante limitam as aluviões recentes ou antigas ao longo dos rios da Prata, do Sono, das 
Almas e Santo Antônio, nos quais são citadas atividades de garimpo. As que abrangem os 
sedimentos aluviais dos rios do Sono, Santo Antônio e das Almas, apresentam-se como as 
zonas mais favoráveis e de maior potencialidade para concentração de diamantes tendo em 
vista alguns garimpos e indícios aí existentes. Reporta-se que o rio do Sono vem sendo 
garimpado para diamante no trecho compreendido entre a confluência com o rio Santo 
Antônio e sua desembocadura no rio Paracatu. Os rios Santo Antônio e das Almas foram 
objeto de atividades garimpeiras importantes no passado, com explorações mais avançadas a 
partir de 1800 (Vieira & Heineck 1983). 
Atualmente apenas uma mineradora encontra-se em atividade de lavra de 
diamante no rio Abaeté (Figura 13 e Foto 5). Segundo informações verbais de Francisco 
Ribeiro, proprietário da GAR Mineração que atua na região de São Gonçalo do Abaeté, são 
recuperados cerca de 35m3 de cascalho por dia, totalizando em uma semana com cinco dias de 
atividade 175m3 de material lavado. 
A produção analisada de 30/08 à 04/09/2009 mostrou um lote com 30 pedras, 
totalizando cerca de 30ct. Essa produção em peso é variável, nem tanto pelo número de pedras 
recuperadas, mas pelo tamanho dos cristais que por vezes, são maiores. 
 
 
 
 
 
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A B 
C D 
F E 
 
Figura 13: Diversos estágios dos serviços executados pela GAR Mineração. Cascalho sendo 
retirado e transportado para o jigue (A); lavagem e seleção do material (B e C); parte inferior 
do jigue (D); peneiramento manual da fração fina do material e apuração (E e F). 
 
 
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Foto 5: Rio Abaeté, na região de São Gonçalo do Abaeté, área onde encontra-se em atividade 
as instalações da GAR Mineração. 
 
 
5.3 - PROVÍNCIA ALTO PARANAÍBA 
 
A Província Diamantífera do Alto Paranaíba é centralizada pela região de 
Coromandel como a principal produtora de diamantes e pólo de comercialização da gema. 
Outras áreas menores situam-se nos arredores de Romaria e Estrela do Sul. Tal região, a oeste 
de Minas Gerais, se destaca como a segunda maior produtora de diamantes no âmbito 
estadual, sendo ainda mundialmente famosa pelas descobertas periódicas de diamantes 
\u201cgigantes\u201d, ou seja, aqueles de pesos superiores a 100 ct (Chaves et al. 2005). 
O município foi criado com a Lei n° 2930 de 6 de outubro de 1882. Uma lei 
estadual de 1891 confirma a criação do distrito-sede do município. Em 7 de setembro de 1923 
a lei n° 843 deu-lhe o nome e a configuração atual. Seu surgimento e crescimento tiveram 
como ponto de referência, para viajantes e imigrantes portugueses, a perspectiva de 
prosperidade e riqueza do lugar, com essa atividade. A região de Coromandel é reconhecida 
por sua riqueza em ocorrência de diamantes, que remonta há 250 anos e até hoje é objeto de 
ampla atividade de busca para cerca de 3000 garimpeiros e algumas empresas de mineração 
(Fundação João Pinheiro 2002). 
 
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Destaca-se que Coromandel apresenta rica rede hidrográfica, com os leitos dos rios 
Paranaíba e Dourados e seus afluentes. Desde Ituiutaba até Patos de Minas, o alto Paranaíba e 
seus afluentes das margens esquerda e direita são garimpados à procura de diamantes. Essa 
vasta área diamantífera forneceu, por mais de dois séculos, a maior quantidade dos grandes 
diamantes do Brasil, particularmente na área dos atuais