tese leila benitez
254 pág.

tese leila benitez


DisciplinaGeologia7.670 materiais60.555 seguidores
Pré-visualização50 páginas
A
R I O 
A
D
O
U
R
D O S
R I
 O
D
D
O
O
U
R A I N H
ROMARIAR
I
O
B A G A G E M
R 
S
 I O
 
A
N
 
 T
O
 
I N
A C
I O
R I O
P A R
A
N
A Í
 B
 A
47ºW
S O E R G U I M E N T O D O A L T O P A R A N A Í B A
47º30\u2019W
18ºS
18º30\u2019S
0 5 10 15 20 km
FORMAÇÃO MATA DA CORDA
BACIA DO PARANÁ
GRUPO BAMBUÍ
GRUPOS CANASTRA E IBIÁ
GRUPO ARAXÁ
EMBASAMENTO CRISTALINO
Contato geológico
Falha de empurrão
Lineamento estrutural
Drenagens
Estradas
LEGENDA
 
Figura 14: Mapa geológico da região da Província Diamantífera Alto Paranaíba. Modificado 
de Barbosa et al. (1970). 
 
 
 
 93
Grupo Ibiá 
 
O Grupo Ibiá (Barbosa et al. 1970), é normalmente considerada como mais nova 
que o Grupo Canastra. Na região de Coromandel, entretanto, a situação tectônica peculiar 
desta unidade, \u201cembutida\u201d entre os grupos Araxá e Canastra, não permite qualquer definição 
quanto ao seu posicionamento estratigráfico. Além disto, a presença de \u201clascas\u201d de material 
idêntico ao do Grupo Ibiá, dentro do Grupo Araxá, permite uma associação das duas 
unidades, pelo menos localmente. Esta unidade aflora na área como uma faixa de direção 
aproximadamente NW-SE, interceptada a oeste de Coromandel pela Formação Capacete. As 
rochas presentes incluem filitos amarelo-esverdeados, micro-dobrados, localmente com níveis 
ferruginosos, e clorita-muscovita xistos esverdeados com \u201cnúcleos\u201d de carbonato envolvidos 
pela xistosidade (Barbosa et al. 1970). 
É conflitante a situação do ambiente de sedimentação do Grupo Ibiá. Barbosa et 
al. (1970) admitem que são sedimentos marinhos, enquanto Dardenne et al. (1978), 
correlacionam a unidade ao horizonte glacial \u201cJequitaí-Macaúbas\u201d, presente na borda 
ocidental do Cráton São Francisco. De outra forma, Ferrari (1981) associa a Formação Ibiá a 
metavulcanitos de composição andesítica. Na região de Coromandel em si em direção a sul, 
não ocorrem os meta-paraconglomerados de matriz carbonática, de origem glacial atribuída 
por Dardenne et al. (1978), limitando assim este tipo de ambiente. 
 
Grupo Canastra 
 
Esta sequência metapsamítica, está representada aproximadamente nas regiões 
central e oeste da área. Na parte sul da região mapeada, o Grupo Canastra apresenta um trend 
NW-SE que, porém, na porção norte da mesma, inflete-se para N-S (Barbosa et al. 1970). 
Existem duas sub-unidades, mapeáveis na escala utilizada, no âmbito do Grupo Canastra. A 
primeira, constituída por filitos cinza-esverdeados, predomina na área de estudo, e outra, 
composta de quartzitos finos, ocorre intercalada à outra, em sua porção basal. 
Os filitos, de coloração cinza ou levemente esverdeada, apresentam intercalações 
de meta-ritmito com níveis de granulometria silte (esverdeados) e níveis argilosos 
(esbranquiçados). Este bandeamento composicional revela que o acamamento é paralelo à 
foliação principal, orientada entre N10W-N20E, com mergulhos fortes para NW ou SW. Os 
filitos apresentam ainda clivagem ardosiana e de fratura, tornando-se mais \u201cxistosos\u201d e 
crenulados nas partes mais próximas do contato, tectônico, com o Grupo Bambuí. 
 
 94
Localmente, ocorrem intercalações centimétricas de quartzito micácio e/ou ferruginoso. 
Dobras em chevron estão presentes na sub-unidade, mostrando vergência para NE (nos níveis 
metapelíticos). Nos níveis quartzíticos, as dobras são mais suaves e abertas, com eixo N-S e 
caimento suave para sul. 
Na estrada em direção ao rio Santo Inácio, próximo à ponte com o córrego Buriti, 
ocorrem blocos de metaconglomerado polimítico, com seixos milimétricos à centimétricos de 
quartzo e quartzito (Barbosa et al. 1970). Estruturas primárias marcantes em quartzitos, como 
marcas onduladas e estratos cruzados, não foram observadas, indicando que a deformação foi 
intensa. Por este motivo, torna-se impossível estimar a espessura da sequência, certamente 
superior a 1.000 m. O ambiente de sedimentação mais provável para o Grupo Canastra é o 
marinho raso, a nível regional, mas a sub-unidade metapelítica presente na área indica que 
devem existir porções mais profundas da bacia (Barbosa et al. 1970). 
 
Grupo Bambuí 
 
O Grupo Bambuí aflora em extensa área dominando toda parte central e leste da 
região de Coromandel. Litologicamente constitui-se de calcários dolomíticos de coloração 
acinzentada, localmente ricos em estruturas estromatolíticas. Estas mostram feições 
arredondadas (em planta) de aproximadamente 3 cm de diâmetro. São poucos os afloramentos 
do Grupo Bambuí na região, sendo a maioria destes observados em lavras de calcário aí 
existentes. Nos cortes das lavras, são encontrados níveis de metassiltito, com até 5 m de 
espessura, intercalados aos calcários. Afloramentos esparsos, bastante alterados, de 
metassiltitos, ocorrem em toda área de distribuição da sequência. Desta forma, acredita-se que 
os calcários constituem grandes lentes no interior do pacote metapelítico. A sedimentação do 
Grupo Bambuí ocorreu em mares fechados não muito profundos (mares epicontinentais), 
conforme corroborado pelas litologias e estruturas presentes na área (Dardenne 1978). 
 
Grupo Mata da Corda 
 
Este grupo, representado por sua Formação Capacete (Rimann 1917), aflora na 
parte mais alta da chapada que domina a sede do município de Coromandel, e em pequenas 
\u201cmanchas\u201d a sudeste da exposição principal, na chamada \u201cserra\u201d das Mesas. Recobre em 
discordância angular e erosiva a Formação Ibiá e o Grupo Canastra. Na porção basal da 
unidade, ocorre um conglomerado polimítico de até 1 m de espessura. A matriz é argilosa, de 
 
 95
coloração esverdeada, com clastos arredondados de quartzo, quartzito, xisto e filito. Estudo de 
minerais pesados de material recolhido da matriz, indicou a presença de magnetita (50%), 
perovskita (25%), magnetita martitizada (20%) e ilmenita (5%), denotando a proveniência a 
partir de produtos de vulcanismo alcalino e ultrabásico. 
Estratigraficamente acima dos conglomerados, aparecem arenitos esverdeados, 
com estratos de espessura entre 20 e 30 cm em média, e granulometria média. Intercalam-se a 
estes, argilitos vermelhos e esbranquiçados, de espessura decimétrica. A espessura total da 
unidade pode ser estimada, na área de estudo, em aproximadamente 40 m (espessura mínima, 
já que o topo está erodido), conforme definido no morro situado logo a sudeste da cidade de 
Coromandel. A sedimentação desses depósitos deve ter ocorrido em pequenos leques aluviais 
torrenciais, conforme as feições erosivas observadas entre os conglomerados e nos filitos do 
Grupo Canastra subjacentes. Tais depósitos são típicos de clima semi-árido e provavelmente 
são contemporâneos do magmatismo alcalino-ultrabásico-kimberlítico. O conglomerado basal 
da unidade provavelmente é diamantífero (Barbosa et al. 1970). 
A sequência como um todo, está coberta por um estreito, mas resistente nível de 
laterita ferruginosa e/ou solo aluvionar argiloso avermelhado (Terciário?), que sustenta os 
topos das superfícies mais altas e são recortados, nos bordos, pela erosão. 
 
Sedimentos Recentes 
 
Os depósitos aluvionares, de idade quaternária, ocorrem na região de Coromandel 
principalmente ao longo do curso do rio Santo Inácio. Revestem-se de importância 
econômica, pois são sempre diamantíferos e ainda pouco explorados. Constituem-se de areia e 
pouca argila, com um cascalho basal formado principalmente por seixos de quartzo, quartzito 
e sílex. Os minerais \u201cacompanhantes\u201d do diamante no rio Santo Inácio, conforme observado 
no Garimpo da Charneca, são ilmenita (80%), opacos diversos (10%), magnetita (5%) e o 
restante contendo zircão (às vezes, mais que 2%),