tese leila benitez
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tese leila benitez


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turmalina, estaurolita, cianita, monazita e 
piropo, indicando origem mista de rochas xistosas e de possíveis pipes ultrabásicos. Grandes 
diamantes já foram aí encontrados, com 400, 228, 141, 105 e 92 ct. A espessura do cascalho 
varia entre 0,2 e 2,0 m, onde o capeamento arenoso pode alcançar até 8 m (Barbosa et al. 
1970). Na área da Fazenda Vargem, Svisero et al. (1986) mencionam uma espessura de 3 m 
para esses depósitos. 
 
 
 
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5.3.2 - Depósitos Diamantíferos 
 
Os depósitos portadores de diamantes na região da Província do Alto Paranaíba 
correspondem a rochas kimberlíticas, conglomerados cretácicos e sedimentos colúvio-
aluvionares recentes. 
 
Kimberlitos 
 
A ocorrência de kimberlitos é bastante disseminada por toda a região da Província 
do Alto Paranaíba. Diversos desses corpos já foram alvo de pesquisas por empresas 
mineradoras, que ainda hoje são proprietárias dos direitos minerários de muitos destes, cujos 
resultados entretanto não são divulgados. Entre esses corpos, destaca-se o Kimberlito Régis 
(Foto 6), localizado na Fazenda Abel Régis, município de Carmo do Paranaíba. Seus direitos 
minerários pertencem à companhia canadense Brazilian Diamonds - SAMSUL Mineração, e 
informações obtidas in locu ressaltam a presença de diamantes em seus depósitos superficiais. 
De acordo com Cookenboo et al. (2006), o Kimberlito Régis é um corpo complexo de 
cratera multifase de porte muito grande (>120 ha em superfície). O kimberlito foi descoberto 
em meados dos anos 1970, intrudindo filitos e metassiltitos do Grupo Bambuí, do 
Neoproterozóico. Embora os diamantes tenham sido alegadamente minerados em uma 
pequena porção do corpo por garimpeiros, uma amostragem de 1.200 m , a maior parte na 
porção exposta em uma das margens do corpo não resultou em diamantes. 
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Considerado um dos maiores kimberlitos de todo país, em área superficial, 
ressalta-se que tal dimensão é incomum para kimberlitos, assemelhando-se bem mais à de 
intrusões de natureza lamproítica. O kimberlito foi objeto de pesquisa pela SAMSUL 
Mineração e os resultados preliminares mostraram que é um corpo fértil. Informações 
adicionais são mantidas em sigilo, portanto não é possível concluir se o mesmo é 
economicamente viável à exploração. Entretanto, na atualidade as pesquisas exploratórias 
encontram-se paralisadas. 
Ainda segundo Cookenboo et al. (2006), uma reavaliação do kimberlito foi retomada 
devido à química favorável dos minerais indicadores, considerada comparável ao do 
kimberlito diamantífero Canastra-1 e de outros corpos diamantíferos da Faixa de 
Dobramentos Brasília. Esta fase de reavaliação integrou-se de mapeamento detalhado da 
superfície, análises de minerais indicadores, perfurações a trado e geofísica. Um corpo central 
 
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em forma de pipe, previamente não testado e com indicadores de química mineral favorável, 
foi interpretado a partir desses dados integrados. 
 
 
 
Foto 6: Afloramento do Kimberlito Régis, onde nota-se o solo com coloração esverdeada 
devido ao avançado estágio de alteração. Autor: P.R. Secco. 
 
A geofísica aplicada à intrusão incluiu 19,0 km de linha de superfície magnética, 4,0 
km de linha de CSMAT (controlled source audio frequency magneto-tellurics) e 0,5 km de 
linha de GPR (ground penetrating radar). Os dados da modelagem tridimensional do terreno 
sugerem uma fonte principal de susceptibilidade magnética na parte central do corpo. O 
corpo, interpretado magneticamente tem a forma de pipe com seu topo a 140 m e a base a 800 
m, mergulhando abruptamente para nordeste. Os dados de CSAMT revelam uma 
condutividade coincidente do corpo que se estende, pelo menos, por várias centenas de metros 
de profundidade. As linhas de GPR apontam para uma cratera central sobrejacente ao centro 
magnético e condutivo do corpo (Cookenboo et al. 2006). 
Conforme tais autores, mapeamento geológico e química de minerais indicadores 
recuperados a partir de amostras de afloramento e de 37 furos de trado, foram utilizados para 
definir a assinatura geoquímica das diferentes fácies da intrusão. A partir desse trabalho de 
superfície, foram identificadas diferentes unidades intrusivas, compreendendo kimberlitos de 
fácies cratera (kimberlito piroclástico vulcanoclástico e kimberlito vulcanoclástico 
ressedimentado) com intercalações de tufos e brechas vulcânicas. 
 
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Em termos mineralógicos, os dados apontaram para, pelo menos, duas amostragens 
distintas de manto no complexo. Granadas piropo de alto interesse químico, Cr-diopsídio e 
cromita sugerem amostragem no campo de estabilidade do diamante, ao longo de uma 
geoterma regional favorável a kimberlitos diamantíferos. Cr-diopsídios analisados parecem 
incluir uma população de alta temperatura, apoiando a idéia de que o magma que formou o 
\u201ccomplexo\u201d Régis evoluiu para composições menos prospectivas ao longo do tempo durante 
o seu emplacement. Os Cr-piropos mostram uma tendência principal a lherzolito, estendendo-
se a elevadas concentrações de Cr. Há um pequeno número de granadas G10 moderadamente 
ricas em Cr e ligeiramente sub-cálcicas, semelhante ao que ocorre no kimberlito Canastra-1. 
Além disso, ressaltou-se uma população interessante de granadas eclogíticas também 
indicando composições no campo do diamante (Cookenboo et al. 2006). 
 
Conglomerados Cretácicos 
 
Os conglomerados \u201ctufáceos\u201d que afloram na região são atribuídos à fácies 
Capacete, uma unidade da Formação Mata da Corda, que aflora quase continuamente em 
direção norte, compondo os largos chapadões da \u201cSerra Geral de Goiás\u201d, até o sul dos estados 
do Maranhão e Piauí (onde os conglomerados são também, localmente, diamantíferos). Na 
Mina de Água Suja (Romaria), do outro lado do Arco da Canastra, conglomerados 
semelhantes são lavrados desde o século passado. 
Segundo Barcelos (1989) os conglomerados são de idade cretácica superior, mais 
precisamente reportados ao Campaniano, entre 83 e 65 Ma. Os kimberlitos têm provável 
idade em torno de 80 Ma correspondente às grandes intrusões ultrabásicas e alcalinas, como 
Araxá, Tapira e Catalão. Evidencia-se então a associação entre magmatitos e conglomerados, 
principalmente ao se considerar as condições tectônicas que, com o soerguimento da área 
fonte, permitiu a deposição de leques aluviais e outros depósitos típicos de clima semi-árido. 
No Distrito de Coromandel, conglomerados afloram nas cabeceiras dos rios 
Douradinho, Santo Inácio, Santo Antônio do Bonito e Santo Antônio das Minas Vermelhas, 
todos diamantíferos e fontes de grandes pedras. Podem alcançar até 10 m de espessura (a 
nordeste do povoado de Pântano, ao norte da área em foco), mas normalmente esses corpos 
não ultrapassam 2 m. Dentre os minerais pesados presentes na matriz, citam-se perovskita, 
magnetita, ilmenita e piropo (predominantes e indicando origem magmática), além de cianita, 
estaurolita, rutilo, zircão, almandina e turmalina, comuns nas sequências xistosas regionais. 
 
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O conglomerado Capacete provavelmente provocou o espalhamento dos produtos 
do magmatismo alcalino-ultrabásico-kimberlítico por extensa região. A extensão de 
afloramentos desta rocha, de Coromandel para norte, é da ordem de 200 km. Existem áreas 
onde o capeamento reduzido permitiria uma recuperação em lavra mecanizada. Na área, a 
escassez de água nos chapadões, poderia ser resolvida com a canalização a partir do rio Santo 
Inácio, em regos acompanhando as curvas de nível. Ressalta-se que nem todos os 
conglomerados devem ser diamantíferos ou possuir teores semelhantes, pois estes devem 
variar em função de suas respectivas áreas fontes. 
 
Aluviões e Terraços Aluvionares 
 
O diamante, classicamente extraído de depósitos