tese leila benitez
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tese leila benitez


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aluvionares no Distrito de 
Coromandel, é o mineral que mais forte influência social tem exercido na região. A sua 
extensa distribuição, os métodos relativamente fáceis de lavra, aliados à possibilidade de um 
rápido enriquecimento, mantém sempre uma considerável parcela da população ocupada, 
direta ou indiretamente, nos serviços de garimpagem. Segundo Barbosa et al. (1970) tais 
serviços são feitos preferencialmente nas épocas secas (maio-setembro), devido à 
precariedade dos serviços executados. Os principais métodos de lavra empregado na região, 
são: (1) desvio do rio, ou \u201cviradas\u201d - executados apenas nas épocas de seca, geralmente nas 
curvas do rio, abrindo-se um canal no lado côncavo e construindo-se barragens rústicas de 
pau, terra e sacos de areia, de modo a permitir a remoção de cascalho do leito; (2) catas - para 
os garimpos manuais fora do leito do rio, nos barrancos e terraços (conhecidos como 
grupiaras ou monchões), consistindo em escavações irregulares de alguns metros, até se 
atingir o cascalho. 
De acordo com a Fundação João Pinheiro (2002), na atualidade ocorrem na região 
três categorias distintas de garimpo: garimpo manual, trabalhos com jigue e balsa de garimpo. 
Considera-se o garimpeiro manual aquele que tem por profissão a extração de 
diamantes e exerce essa extração de forma manual, sem o auxílio direto de maquinários, 
através de instrumentos manuais (Foto 7). Parte dos garimpeiros manuais contrata serviços de 
trator ou retroescavadeira para alcançar as catas, quando estas se encontram em profundidade 
maior em relação ao solo. A partir dessa etapa, o restante do serviço é feito manualmente. Em 
complementação aos garimpeiros manuais estão os faiscadores. Estes, distinguem-se dos 
garimpeiros por não exercer a atividade de forma profissional, e sim de maneira eventual, 
complementar e temporária, apenas em certas épocas do ano. 
 
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Foto 7: Garimpo manual no rio Santo Inácio, nas imediações de Coromandel. 
 
 
Para a extração do cascalho, os garimpeiros utilizam ferramentas rudimentares e 
conhecidas: pá, picareta, enxada, enxadão e carrinho de mão. Para lavar o cascalho, utilizam 
lavadeiras, espécies de tanques fechados, com dimensões de 1m de largura, 1,50m de 
comprimento e 0,60m de profundidade, e peneira. A estimativa de produtividade calcada em 
capacidade média individual de lavar até 12 carrinhos/dia, que corresponde a, 
aproximadamente, 1m3 de cascalho. 
Primeiramente a vegetação e o solo são removidos e estocados por perto. A 
camada de cascalho diamantífero é retirada e estocada, para ser posteriormente transportada 
até a lavadeira. Nesta, encontra-se o cascalho não-lavado, reservado nas proximidades do 
tanque, e as pilhas de cascalho lavado lançadas por perto, muitas vezes dentro do próprio 
buraco aberto, resultante da extração. O garimpeiro lava o cascalho na peneira dentro da 
lavadeira, onde fica o rejeito de lama (Foto 8). Esse é lançado de volta às catas junto com o 
cascalho, a cada vez que a lavadeira é esvaziada e limpa, evitando sua chegada aos cursos 
hídricos. O momento final do processo é a virada da peneira e da apuração (Foto 9). 
 
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Foto 8: Garimpeiro lavando o cascalho dentro de uma \u201clavadeira\u201d. 
 
 
 
 
Foto 9: Virada de peneira para apuração. 
 
 
 
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O jigue é um equipamento mecânico de médio ou grande porte, que precisa ser 
adequadamente instalado para funcionar segundo seu objetivo: lavagem de cascalho a baixo 
custo (Foto 10). O dimensionamento de sua produção é função dos equipamentos que 
extrairão e transportarão o material a ser lavado e, posteriormente, irão levá-lo de volta até 
local de deposição final. O transporte do equipamento é oneroso, e sua instalação requer base 
sólida para assentamento e energia elétrica para acionar o abastecimento de água e as 
pulsações. Demanda equipamentos de lavra movidos a óleo diesel e um motor possante para 
movimentar a peneira. 
O trabalho inicial de remover cascalho é realizado por pá mecânica, que extrai e 
carrega o material para transporte. Para que seja econômica, ela precisará de equipamentos: 
vários caminhões, para acompanhar sua produção, transportando cascalho entre a mina e o 
jigue; peneira vibratória com capacidade de peneiramento 400m3, que corresponde a um 
equipamento com peso de 800 a 1.000kg \u2013 evidenciando um equipamento de grande porte, 
que consome entre 20 e 25CV, para lavar 240m3 de cascalho/dia, considerando os descartes; 
para acompanhar a produtividade da peneira, oito jigues convencionais, com 1m2 de boca, que 
pode lavar até 30m3/dia. 
Nota-se que a economicidade de um trabalho como esse impõe intervenção sobre 
grandes áreas e disponibilidade do conjunto de equipamentos ou sua partilha. A média de 
lavagem dos jigues em Coromandel é de 30m3/dia de cascalho, inferior à capacidade 
operacional da pá carregadeira, por exemplo. Observa-se, no entanto, que mesmo com a 
produção inferior à capacidade do equipamento, os depósitos de estéril desenvolvidos nas 
proximidades dos rios, sem técnica de deposição controlada, ameaçam sua segurança no 
período chuvoso, visto não apresentarem condição de estabilidade nem drenagem pluvial. As 
bacias de contenção de lama são construídas sem projeto, fato irregular, frente ao seu porte. 
Cada garimpeiro lava, em média, por dia, 12 carrinhos-de-mão de cascalho. Os equipamentos 
pesados podem lavar 17 caminhões/dia de cascalho, intervindo sobre grandes áreas. 
Na extração de diamantes no leito do rio através de balsas (Foto 11), o cascalho é 
removido do rio, por sucção, com o uso de uma válvula e de um mangote operado por um 
mergulhador escafandrista, que remove as pedras maiores que a boca da válvula com as mãos 
e conduz o mangote pela área que deseja explorar. O motor e a bica canadense são instalados 
no interior das balsas (Foto 12), assim como a cozinha e os dormitórios. Um homem munido 
de escafandro mergulha com a mangueira d\u2019água e faz o desmonte hidráulico, succionando o 
cascalho, que é enviado para o jigue (Foto 12). Outro homem opera o jigue, na balsa, e atende 
demandas do mergulhador a partir de um conjunto de sinais, utilizando a mangueira. A 
 
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capacidade média de lavagem de cascalho é de 30m3/dia. A calha canadense deixa dúvidas 
quanto a capacidade de retenção, especialmente de pedras maiores, que não são retidas. 
 
 
Foto 10: Caminhão depositando cascalho em um jigue (rio Santo Inácio). 
 
 
Foto 11: Balsa de garimpo no rio Dourados. 
 
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Depois do rio Bagagem (este no Distrito de Romaria-Estrela do Sul), o rio Santo 
Inácio é o mais trabalhado na Província do Alto Paranaíba, porém seus depósitos são mais 
volumosos e provavelmente mais ricos. Este rio nasce na Chapada dos Araújos, localizada a 
sudeste do município. É formado a partir de dois cursos principais, tributários da margem 
direita, os córregos Manuel e Taboão, e o córrego da Lobeira pela margem esquerda. O Santo 
Inácio formou uma área de quase 25.000 km2 de aluviões, a maioria na sua porção inferior, 
quando ocorre sobre metassiltitos e calcários no Grupo Bambuí. 
 
 
 
Foto 12: Jigue em funcionamento na parte interna da balsa de garimpo. 
 
No seu médio curso recebe contribuição importante do córrego Buritis, de onde é 
captada a água de abastecimento público da cidade, e o córrego Coromandel que drena o 
centro urbano. No baixo curso recebe ainda a contribuição dos córregos da Fábrica, do 
Barbeiro e do Riacho, desaguando diretamente no rio Paranaíba. O acesso ao alto curso do rio 
Santo Inácio dá-se a partir da estrada que liga Coromandel a Patrocínio, tomando-se a 
esquerda na altura do km-30 dessa rodovia. Aí existem alguns garimpos importantes