tese leila benitez
254 pág.

tese leila benitez


DisciplinaGeologia7.719 materiais60.724 seguidores
Pré-visualização50 páginas
no 
 
 105
contexto local, alguns manuais e outros serviços mecânicos. Jigues e garimpos manuais 
convivem lado a lado, destacando-se no alto curso serviços com jigues, que executam 
trabalhos de grande porte, com remoção de cascalho com equipamentos pesados, transporte 
até o jigue e apuração (Fundação João Pinheiro 2002). 
Os garimpos da Fazenda Vargem e, principalmente, o da \u201cCharneca\u201d quando em 
atividade, produzem regularmente uma boa quantidade de pedras, mas os teores são mal 
conhecidos (em média, devem estar abaixo de 0,1 ct/m3). Grandes diamantes já foram 
descobertos no rio Santo Inácio. 
O rio Douradinho nasce na porção sul do município de Coromandel e corre sobre 
micaxistos (Grupo Araxá), a sudoeste da área, formou aluviões de pequeno porte, estreitos e 
descontínuos. Este rio é tradicional na exploração de diamantes, guardando muitos garimpos 
ao longo do seu curso. Especialmente em seu médio e baixo curso, concentram-se os maiores 
garimpos da bacia, como os de Dr. Petrônio, Chagas, Douradinho, Vicente Borges, Zé 
Marianinho, Zé Caetano e Varjão. Nas proximidades da vila de Douradinho, já foi encontrada 
uma pedra com 407,6 ct (\u201cPresidente Dutra\u201d). Os acompanhantes do diamante neste rio, são: 
perovskita, piropo, zircão, ilmenita, \u201cfavas\u201d fosfatadas e titanadas, safira, rutilo, estaurolita, 
magnetita e cianita (Barbosa et al. 1970), sendo que ilmenita (magnesiana) e piropo podem ter 
relação com chaminés kimberlíticas. 
Outro importante rio diamantífero do Distrito de Coromandel é o Santo Antônio 
do Bonito de onde saíram os maiores diamantes brasileiros, dentre eles o \u201cPresidente Vargas\u201d, 
na época o quarto maior do mundo (Reis 1959). Este rio tem suas cabeceiras localizadas na 
Chapada dos Araújos, situada a leste do município. Suas principais drenagens formadoras 
correspondem aos ribeirões Santo Antônio das Minas Vermelhas, Santo Antônio e Lajes. 
Existem muitos garimpos e minas na bacia, famosa pela ocorrência de grandes diamantes, 
sendo o Getúlio Vargas, o maior de todos, com 712ct. Os garimpos nessa bacia desenvolvem 
intervenções sobre grandes áreas, de cascalho profundo, observam-se tanto garimpos manuais 
como jigues. 
O local denominado Santo Antônio das Minas Vermelhas caracteriza-se por um 
garimpo manual e uma grande intervenção de extração e lavagem de cascalho por jigue. A 
atividade é realizada com máquinas e equipamentos pesados, por 3 pessoas. O jigue tem 
capacidade para lavar 65 m3/dia de cascalho, o que impõe 13 viagens/dia de caminhão de 5 m3 
(Fundação João Pinheiro 2002). 
A bacia do rio Preto se localiza a oeste do território municipal, drenando 
diretamente no rio Dourado. O rio Dourado nasce em Patrocínio, a sul do município de 
 
 106
Coromandel, correndo no sentido sul/oeste/norte. Nessa bacia, existem garimpos manuais e 
jigues. O garimpo do Açafrão, artesanal, situa-se em ambas as margens do rio Preto e 
trabalhos com jigue vêm se implantando na bacia. Merecem destaque o tamanho das áreas de 
intervenção \u2013 grandes áreas, a lavagem de grandes volumes de cascalho. O rio da Forca drena 
diretamente para o rio Dourados, na porção oeste do município, onde são encontrados 
pequenos garimpos manuais e transitórios, assim como garimpos maiores e serviços 
implementados utilizando jigues. 
O rio Paranaíba, que recebe as águas de todos os rios anteriormente descritos é 
também diamantífero, mas muito pouco trabalhado devido ao maior volume de suas águas. Os 
principais garimpos, Gamela e Figueira, estão a jusante das barras dos rios Santo Inácio e 
Santo Antônio das Minas Vermelhas, respectivamente. O córrego do Bonito, que corre a 
nordeste da área e não corta a sequência cretácica, segundo os garimpeiros não é 
diamantífero. 
 
5.3.3 - Aspectos Econômicos 
 
Dezenas de corpos kimberlíticos foram pesquisados e considerados estéreis, ou 
com resultados não divulgados até então. Os conglomerados do Cretáceo Superior (Grupo 
Mata da Corda), são compostos por clastos metassedimentares e material piroclástico com 
abundantes fases minerais, incluindo os diamantes. O principal local onde tais sedimentos 
foram lavrados é a Mina de Romaria, atualmente abandonada, próxima ao município de 
Romaria, com teores médios de 0,30 ct/m3. Na região de Coromandel, a maioria dos garimpos 
desenvolve-se nas planícies aluvionares dos rios e córregos, atuais ou em antigos leitos. Os 
conglomerados correlatos são lavrados em diversos locais, mas devido aos baixos teores e 
falta de água (estão localizados em porções de planaltos elevadas) são decrescentes os 
serviços. 
O município de Coromandel é drenado pelos rios Douradinho, Santo Inácio, Santo 
Antônio do Bonito, Preto, da Estiva, da Forca e Verde. Os primeiro, o quarto e o sexto são 
afluentes do rio Dourados, os demais, do rio Paranaíba, do qual o rio Dourados também é 
contribuinte. Com abundância de leitos de rios, ribeirões e córregos, o garimpo de diamantes 
é atividade de destaque, que emprega uma boa parcela da população estimada em torno de 
3.000 garimpeiros atuando no mercado de trabalho informal. Segundo informações da 
Prefeitura: \u201cNão existe como realizar um levantamento de dados de produção desta atividade 
em razão de sua informalidade e da evasão de divisas. A venda de diamantes é realizada sem 
 
 107
controle. O reflexo dessa produção se vê, em alguns casos, na aquisição de bens imóveis e na 
construção civil. As pedras normalmente são vendidas para compradores de outras localidades 
e até do exterior. Muitas vezes, intermediários ficam com boa parte do lucro\u201d. 
Depósitos aluviais recentes são restritos a drenagens de maior porte, como as dos 
rios Paranaíba, Bagagem, Santo Inácio, Santo Antônio e Douradinho, todos extensivamente 
lavrados desde o início do século retrasado. Os depósitos fanglomeráticos atualmente lavrados 
localizados em entorno de vales e de grandes drenagens, são compostos por detritos 
angulosos, cascalhos de granulação grossa com matriz argilosa, onde os grandes cristais de 
diamantes são relatados. Estimativas oficiosas indicam que a região já foi responsável por 
uma produção de 5.000 ct de diamantes por ano, no Distrito de Coromandel, 
aproximadamente igual a produção do Distrito de Romaria-Estrela do Sul. Atualmente toda a 
produção é proveniente de garimpos ou de pequenas lavras em depósitos coluvionares e 
aluvionares recentes, quase sempre clandestinos. 
Segundo dados da Fundação João Pinheiro (2002), de um total de 218 
entrevistados sobre o achado de pedras na região de Coromandel, 35,3% (77 garimpeiros) não 
forneceram a informação; 14,6% (32 garimpeiros) não acharam nenhuma pedra; e 52,3% (114 
garimpeiros) acharam pedras e informaram os seus achados. Foi informado um total de 315 
pedras, de tamanhos variados. A bacia hidrográfica mais produtiva foi a do rio Douradinho. A 
maior relação de pedras/garimpeiro-informante foi na bacia do rio Paranaíba, onde 16 
informantes acharam 75 pedras, numa relação de 4,68 pedras/garimpeiro-informante. A 
relação geral da pesquisa é de 2,76 pedras/garimpeiro-informante. 
Observa-se que, conforme as informações colhidas, na região de Coromandel o 
garimpo é uma atividade contínua, que se estende por todo o ano. O período aparentemente 
mais produtivo foi o inverno \u2013 junho, julho e agosto. Porém, muitas descobertas foram 
descritas sem especificar a época em que ocorreram. De toda forma, foram informados, na 
maioria dos casos, os tamanhos das pedras achadas. Ocorreram grandes diamantes no Santo 
Inácio na primavera (100 ct), no Douradinho no outono (42 ct) e no Paranaíba, em período 
não definido (80 ct). Observa-se que é constante o achado de pedras, mesmo que de tamanhos 
pequenos \u2013 \u201cxibiu\u201d, no jargão do garimpo