tese leila benitez
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tese leila benitez


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\u2013 durante o ano todo. Perguntou-se então ao 
garimpeiro se ele já \u201cbamburrou\u201d. Esse termo corresponde ao achado de uma pedra de grande 
valor e, dos 218 entrevistados, 13 (6%) já teriam \u201cbamburrado\u201d. Como se estes tivessem 
ganhado a loteria. Novamente as bacias do Paranaíba e Santo Inácio foram as mais 
produtivas, acompanhadas da bacia do Santo Antônio (Fundação João Pinheiro 2002). 
Em janeiro de 2002 a organização da Cooperativa dos Garimpeiros de Coromandel 
 
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(COOPERGAC) foi reativada. Essa cooperativa já havia sido ativada há alguns anos e não 
logrou êxitos, tendo gerado desconfianças em torno da utilização de recursos arrecadados. 
Essa cooperativa se tornou, em dezembro de 2008, a primeira cooperativa do setor legalizada 
do Estado. A regularização junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), 
vinculado ao Ministério das Minas e Energia, e a CODEMIG, fez com que a cooperativa se 
tornasse apta a exportar diamantes. Após a emissão do CPK, a primeira exportação, no valor 
de US$ 350 mil, foi realizada no fim de 2008, para a Bélgica, país que mais importa 
diamantes brasileiros. Até então acreditava-se que uma cooperativa de garimpeiros jamais 
seria capaz de tal façanha, contudo, atualmente existem boas expectativas em torno do 
assunto. 
 
5.4 \u2013 PROVÍNCIA SERRA DA CANASTRA 
 
A Província da Serra da Canastra envolve principalmente a região da serra 
homônima, localizada no sul-sudoeste de Minas Gerais, sustentada por metassedimentos 
mesoproterozóicos(?) do Grupo Canastra (Figura 15). Essa região foi palco, no Cretáceo 
Inferior, de importante evento magmático básico-ultrabásico, ao qual se associam numerosas 
intrusões kimberlíticas. Tal província reúne dois distritos diamantíferos, ora designados de 
Alto São Francisco e Médio Rio Grande. Essa terminologia vem substituir à proposta por 
Penha et al. (2000), quando foram reconhecidas duas províncias distintas, \u201cSerra da Canastra\u201d 
e \u201cFranca\u201d, por se considerá-las de dimensões muito reduzidas e extremamente próximas, 
além de estarem situadas sobre um contexto geológico-geotectônico semelhante, não 
justificando assim suas existências com significado metalogenético. A Província Serra da 
Canastra se ressalta ainda no contexto geoeconômico do diamante no Brasil, por abranger a 
primeira reserva legal protocolada em uma rocha-fonte primária, no kimberlito Canastra-1 
(município de São Roque de Minas), bem como um outro corpo próximo, o kimberlito 
Canastra-8 (município de Delfinópolis), com grande potencial de aproveitamento econômico 
imediato. 
 
5.4.1 - Distrito do Alto São Francisco 
 
O distrito diamantífero do Alto São Francisco equivale, quase sem restrições, à 
\u201cRegião Diamantífera Serra da Canastra\u201d conforme a designação de Penha et al. (2000), que 
reconheceram a mesma com um significado geográfico-geológico de uma província 
 
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metalogenética. Além disso, a designação \u201cAlto São Francisco\u201d foi alcunhada, embora 
somente com conotação geográfica, por Barbosa et al. (1970), o primeiro trabalho a envolver 
com maior detalhe toda a região. Nesse distrito, são reconhecidas diversas áreas diamantíferas 
onde a produção foi sempre baseada em depósitos aluvionares, destacando-se as de Vargem 
Bonita e do rio Samburá, na própria bacia do São Francisco, bem como três outras, no rio 
Santo Antônio, bacia do rio Grande (Delfinópolis), e no alto rio Quebra-Anzol e seu afluente 
rio Misericórdia (Ibiá), pertencentes à bacia do bacia do rio Paranaíba. 
O rio São Francisco nasce em cotas próximas a 1.350 m de altitude, na Serra da 
Canastra, vindo a constituir uma extensa bacia hidrográfica (640.000 km2) que abrange 
grande parte do Estado de Minas Gerais. No local denominado Casca d\u2019Anta, a cerca de 20 
km de sua nascente, uma cachoeira com 200 m de altura marca o maior desnível do rio, que a 
partir de tal ponto desenvolve o seu médio curso. A ocorrência de diamantes nessa região foi 
assinalada em 1920, pelo garimpeiro baiano José Zeferino Ferreira (Barbosa 1991). Somente 
a partir de 1936, porém, deu-se início a garimpagem no local, onde nos anos subsequentes 
chegaram a trabalhar cerca de 5.000 garimpeiros, o que propiciou o surgimento da povoação 
de Vargem Bonita, alçada à categoria de município em 1953. 
 
5.4.1.1 - Contexto Geológico 
 
A região do Alto São Francisco situa-se na porção terminal sul da Faixa de 
Dobramentos Brasília, que circunda a oeste e sudoeste o Cráton do São Francisco, nas 
proximidades à junção com a Faixa de Dobramentos Alto Rio Grande, circundante ao cráton a 
sul e sudeste. Nessa região, configura-se um complexo arranjo estrutural, de modo que o 
comportamento estratigráfico entre as diversas unidades geológicas ainda não se encontra 
bem estabelecido. Relacionam-se as seguir essas unidades (Figura 15), com base no mapa 
geológico de Minas Gerais (Heineck et al. 2003). 
A Serra da Canastra é formada predominantemente pelos metassedimentos do 
Grupo Canastra (Figura 15). Lamego (1935) fez o primeiro esboço dessa unidade, ao 
identificar os quartzitos estruturados em amplas anticlinais sobre \u201cschistos phylladeanos\u201d, 
então relacionados à Série Minas. Barbosa (1955) denominou a sequência de Formação 
Canastra, posteriormente elevando-a às categorias de série e grupo (Barbosa, 1967; Barbosa et 
al. 1970). Os quartzitos são predominantes, de coloração branca e granulação fina, com 
intercalações métricas locais de filitos sericíticos. A presença conspícua de mica (sericita) 
confere aos quartzitos um aspecto geral placóide, realçado pela erosão diferencial. Os xistos 
 
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são variados em termos composicionais, incluindo sericita-quartzoxistos, quartzoxistos, 
grafitaxistos e, localmente, cloritaxistos. Heineck et al. (2003) consideram tais rochas como 
de idade mesoproterozóica, embora datações absolutas ainda sejam necessárias. 
 
Ibiá
Araxá
Franca
Passos
Cássia
Vargem
 Bonita
São Roque
 de Minas
Delfinópolis V
V
V VV
V V
V V
V
V
V
Complexo Alcalino
PRÉ-CAMBRIANO
Grupo Bambuí
Grupo Araxá 
Grupo Canastra
Grupo Pium-hí 
Drenagem
Cidade
Lineamento Estrutural
(1a. Magnitude)
Ocorrência Aluvionar
DIAMANTES
10 20 km
Capetinga
Ibiraci
Patrocínio
 Paulista
Claraval
R io
Bambuí
R
io
Sam
burá
Rio São
Fr
an
cis
c o
C-8 C-1
Rio
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Canoas
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Rio
Misericórdia
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Bambuí
Rio Sto. Antônio
20°
21°
47° 46°
MG
SP
SP
MG
V
V
V
V
VV V
V
V
V
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V
V
V V
V
V
V
V V
V V
VV
V
V
V
V
V
V
V
MESOZÓICO (Jurássico/Cretáceo)
Gr. Bauru / Mata da Corda
Formação Serra Geral/
Formação Boucatu
C-1: Kimberlito Canastra-1
C-8: Kimberlito Canastra-8
Ocorrência Primária
 0
Pium-hí
A
A
A
MG
-05
0
BR-262
BR-262
Grupo Ibiá 
Falha de empurrão
MG-050V V
V
V V
V
V
V
S E R R A D A C A N A S T R A
Complexo Campos Gerais
 
Figura 15: Mapa geológico da região da Província Diamantífera da Serra da Canastra. 
Modificado de Heineck et al. (2003). 
 
Grupo Araxá 
 
O Grupo Araxá, definido por Barbosa et al. (1970), representa uma pílha 
vulcanossedimentar metamorfisada desde a fácies xisto-verde