tese leila benitez
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tese leila benitez


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de relatos verbais. 
 
5.4.2.1 - Contexto Geológico 
 
A região onde se verificam atividades garimpeiras na região de Franca é 
abrangida por unidades fanerozóicas da Bacia do Paraná e, em menor extensão, por rochas do 
embasamento pré-cambriano. Sobre essas rochas colocam-se depósitos sedimentares 
inconsolidados eluviais, coluviais e aluviais, sendo estes últimos os mais importantes em 
termos diamantíferos. O embasamento pré-cambriano inclui quartzitos e xistos, fortemente 
cisalhados atribuídos ao Grupo Canastra por Barbosa et al. (1970). 
 
Grupo Araxá-Canastra 
 
O Grupo Araxá-Canastra (indiviso na região), constitui um pacote 
metassedimentar com vulcânicas ou intrusivas associadas, assentado com superfícies de 
cavalgamento sobre rochas do embasamento (Zanardo 1992). Essas unidades 
metassedimentares são consideradas (grau metamórfico incipiente até xisto-verde) formadas 
pela deformação progressiva no Proterozóico Superior, com término de sua evolução no fim 
do Brasiliano. 
Segundo Perdoncini (2003) na região de Franca, o Grupo Araxá-Canastra é 
formado por quartzitos brancos, cinza-claros e amarelos e quartzitos micáceos intercalados 
por muscovita xistos, marrom, por vezes arroxeada. A alternância de níveis ora mais 
quartzosos, ora mais muscovítico/sericíticos, caracteriza o bandamento da rocha de direção 
NW mergulhando para SW, o qual se desenvolveu sub-paralelamente à foliação, marcada pela 
orientação das micas. Nas porções micáceas a foliação mostra-se intensamente crenulada, 
enquanto nas quartzosas desenvolveram-se dobramentos recumbentes, cujo plano axial é sub-
paralelo ao acamamento, ilustrando o regime deformacional compressivo dúctil-rúptil. 
 
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O contato do Grupo Araxá-Canastra é discordante com as formações Botucatu e 
Aquidauana no leste da área, e abrupto com o sill de diabásio na foz do rio Canoas no norte da 
mesma (Perdoncini 2003). 
 
Rochas sedimentares e vulcânicas da Bacia do Paraná 
 
As unidades pertencentes à Bacia do Paraná incluem arenitos, diamictitos e 
lamitos de ambiente flúvio-glacial da Formação Aquidauana (Permiano), arenitos lamíticos 
fluviais da Formação Pirambóia (Triássico), arenitos eólicos da Formação Botucatu 
(Triássico), basaltos da Formação Serra Geral (Jurássico-Cretáceo), diques e sills mesozóicos 
de diabásio, além de arenitos lamíticos, arenitos conglomeráticos fluviais do Grupo Bauru 
(Cretáceo-Eocenozóico?). É importante salientar que a sedimentação pós-basáltica se 
processou em decorrência da atuação do Soerguimento do Alto Paranaíba (Hasui et al. 1975), 
num sistema de rios anastomosados fluindo no rumo sudoeste, dando origem a leques aluviais 
convalescentes, com raros depósitos interleques ou em partes individuais distais do sistema. 
Durante estes eventos teria vigido clima árido ou semi-árido, atestado através da presença de 
argilas esmectíticas e calcedônia length-slow. De acordo com IPT (1990), o Grupo Bauru se 
apresenta na área como a mais provável fonte imediata de diamantes para os depósitos 
aluvionares e de terraço atualmente garimpados, não descartando, porém, outras procedências 
ou, mesmo, fontes múltiplas. 
O Soerguimento do Alto Paranaíba apresenta diversas manifestações ígneas sob a 
forma de chaminés, tais como Araxá, Salitre e Tapira (70-100 Ma, K/Ar), diatremas 
kimberlíticos senonianos, derrames e tufos da Formação Patos (idade mínima de 70 Ma) e 
lavas ugandíticas na região de Sacramento (MG) com idades mínimas de 44 Ma em datações 
K/Ar (Hasui 1967, Hasui & Cordani 1968, Almeida 1986). Em termos geomorfológicos, a 
área da província é composta por dois níveis planálticos, bastante erodidos, a saber: o Planalto 
de Franca (cotas entre 800-1000 m), que deve corresponder à Superfície Japi de Almeida 
(1964), e o nível colinoso que margeia o rio Grande (cotas de 650-750 m), correlato à 
Superfície Neogênica (Martonne 1940). Separando ambos os níveis planálticos, destacam-se 
escarpas residuais de peões e mesetas (Perdoncini 2003). 
 
 
 
 
 
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5.4.2.2 - Depósitos Diamantíferos 
 
As nascentes dos rios diamantíferos Canoas e São Tomé situadas nas 
proximidades de depósitos conglomeráticos do Grupo Bauru, no topo da Serra de Franca, é 
um fato bastante sugestivo para indicar uma possível contribuição dessas rochas para os 
depósitos diamantíferos atuais. Capeando regionalmente e indistintamente rochas intrusivas e 
sedimentares do Grupo Bauru, ocorrem vários níveis de cascalheiras, os quais poderiam não 
só liberar diamantes para a drenagem atual como para leitos abandonados, terraços, etc. 
Segundo Leite et al. (1984), essas rochas contém um séquito mineralógico pesado similar 
àqueles ocorrentes nos concentrados de pesados obtidos nos garimpos da área. 
Nos garimpos da região de Franca, um primeiro aspecto destacado por 
Etchebehere et al. (1991) é seu caráter rudimentar, seja na prospecção, avaliação ou lavra dos 
depósitos. A prospecção de novos depósitos é feita de modo empírico, quase sempre ao lado 
de cavas antigas ou em trechos de aluviões anteriormente explotados. Em diversos pontos tais 
autores verificam mais de uma fase de garimpagem, pois, ao lado de cavas entulhadas e pilhas 
de cascalho já coberto por vegetação, ocorrem cavas mais recentes. 
Segundo Etchebehere et al. (1991) os principais trechos garimpados são, o rio das 
Canoas próximo a Claraval, e os rios Sapucaizinho e Santa Bárbara, estes ao longo de seus 
cursos em toda a área. Em menor número, ocorrem marcas de grimpagem no reverso do 
Planalto de Franca, inclusive dentro do sítio urbano da cidade homônima. Os garimpos de 
maior porte estão situados nas várzeas, valendo destacar dois aspectos no que se refere à 
intensidade de explotação, a saber (Etchebehere et al. 1991): (1) as amplas várzeas do rio 
Santa Bárbara mostram numerosas lagoas de contornos angulosos, provavelmente derivadas 
de antigos garimpos; (2) as planícies aluvionares do rio das Canoas, a jusante de Claraval 
(MG), mostram-se, por sua vez, pouco trabalhadas, predominando catas em terraços; e (3) o 
rio Sapucaizinho apresenta pequenos bolsões que vem sendo intensamente garimpados. 
No que se refere aos terraços, Etchebehere et al. (1991) constatam um predomínio 
de cavas nos depósitos mais próximos das drenagens, balizados, tanto na região de Patrocínio 
Paulista quanto na de Claraval, pela cota aproximada de 710 m. Acima dessa cota, mais 
distantes dos cursos d´água, há menos garimpos. Em geral, os garimpos se limitam aos leitos 
dos rios, às várzeas (\u201cgrupiaras\u201d) e aos baixos terraços (\u201cmanchões\u201d ou \u201cmonchões\u201d), sendo 
raras as explotações em outros depósitos. As rupturas de declividade que caracterizam os 
terraços, chamadas \u201clombas\u201d, constituem um dos critérios utilizados no balizamento de cavas 
exploratórias. Nesta etapa, os garimpeiros utilizam uma base pontiaguda de aço, com 1,5 ou 2 
 
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m e comprimento, para \u201csondar\u201d o terreno e verificar a possível presença de cascalho. Com 
este tipo de sondagem, pode-se discernir o topo dos conglomerados sob níveis aluvionares ou 
coluvionares e eventuais níveis de crostas lateríticas através do som da percussão. 
Nos garimpos de leitos de cursos d´água, procede-se, às vezes, à construção de 
canais de desvio (\u201cvirada\u201d), conforme Etchebehere et al. (1991) observa nos rios 
Sapucaizinho e Santa Bárbara. Quando a vazão se torna menor, nas estiagens, podem ser 
construídas ensecadeiras (\u201crecuados\u201d). Na prospecção levam-se em conta os minerais-
satélites, \u201cformas\u201d, que acompanham o diamante por similaridade densimétrica ou de 
resistência ao desgaste. Outro indício considerado relevante é a presença de blocos de 
matacões (\u201cemburrados\u201d), que indicariam cascalho com maior probabilidade