tese leila benitez
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tese leila benitez


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et al. (2001) as características similares de todos os 
diamantes do sistema do rio da Prata podem indicar uma procedência comum ou fontes 
distintas, mas relativamente próximas umas das outras. 
Araújo (2002) realizou análises sobre 234 diamantes da Província de Juína (MT), 
nos quais foram investigados a morfologia externa (em microscópio óptico e eletrônico de 
varredura), feições de catodoluminescência, absorção de infravermelho, além de conteúdos 
em N e C. Tal província é reconhecida na literatura pela ocorrência de diamantes gerados na 
zona de transição e no manto inferior. Os métodos empregados por Araújo (2002) abrangeram 
técnicas especificamente laboratoriais, as quais provavelmente atenderiam aos objetivos do 
estudo proposto no contexto de aprofundar conhecimentos nos diamantes desta província. 
Filemon (2005) ao considerar a importância na determinação da procedência dos 
diamantes, desenvolveu pesquisa visando caracterizar lotes representativos de diamantes 
também na província kimberlítica de Juína (MT), e nos distritos de Cacoal (RO), Espigão 
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d´Oeste (RO) e Diamantina (MG). As técnicas utilizadas foram fluorescência, espectroscopia 
infravermelha, fotoluminescência, ressonância paramagnética eletrônica e espectroscopia 
Raman, além de estudos da morfologia, texturas de superfícies, granulometria, feições 
internas e comportamento de impurezas (nitrogênio e hidrogênio) visando obter informações 
sobre a evolução do crescimento cristalino. Outro objetivo de Filemon (2005), seria o de 
avaliar o uso destas ferramentas na determinação da procedência dos cristais, como mais uma 
contribuição à emissão do Certificado Kimberley. Neste contexto, considera-se que as 
técnicas laboratoriais são procedimentos que exigem local e equipamentos adequados, 
profissionais capacitados, e além disso, despendem de um certo tempo. Esses fatores, 
certamente, não favorecem a agilidade necessária para obtenção de dados com tal finalidade. 
Os estudos realizados por Martins (2006) abrangeram 496 diamantes da bacia do 
rio Macaúbas (Serra do Espinhaço). Foram analisados parâmetros, tais como peso, presença 
de capas e inclusões, morfologia externa, dissolução e figuras de superfície. Entretanto alguns 
termos utilizados por Martins (2006) sugerem uma interpretação errônea daquela que seria a 
real intenção do autor. Entre estes, podem ser citados: \u201cqualidade gemológica\u201d; tal 
classificação pode levar ao entendimento de que todas as pedras estudadas seriam gemas, o 
que conforme verificado, não é o caso. Outro item que pode causar equívocos é o da 
\u201caparência\u201d, que insinua algo relacionado à beleza ou não da pedra, e não reflete a idéia de 
\u201cbrilhante\u201d ou \u201cfosco\u201d para o qual é utilizado. É comum entre certos autores o uso do termo 
\u201cestado do cristal\u201d para determinar se a pedra está intacta ou quebrada (eg. McCallum et al. 
1979). Entretanto, Martins (2006) se refere a tal característica como \u201cestado cristalino\u201d, 
expressão que comumente designa o estado da matéria (sólida, líquida ou gasosa). No entanto 
é mais um estudo que contribui para o reconhecimento de feições características dos 
diamantes brasileiros, e estas descrições aliadas às de outros autores podem auxiliar na 
obtenção de um melhor detalhamento das populações diamantíferas regionais. 
No presente trabalho, procurou-se analisar parâmetros distintos de cada pedra, 
para que possam ser avaliados no próprio campo, sem utilização de métodos laboratoriais. O 
método proposto está atrelado ao objetivo da pesquisa, que implica em obter a assinatura 
mineralógica da população de cada uma das quatro províncias diamantíferas de Minas Gerais, 
aqui propostas, no sentido de auxiliar a se reconhecer a procedência desses lotes, vindo de 
encontro às exigências para a emissão do Certificado Kimberley. 
Essa discussão foi também abordada na IV Reunião do Fórum Brasileiro do 
Processo de Kimberley (08 de agosto de 2008), em Belo Horizonte, referente a aplicação do 
método footprinting no âmbito do SCPK. Tal método consiste em análise da distribuição da 
frequência do tamanho dos cristais de diamantes e suas características de qualidade, visando à 
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identificação da sua origem. O método está sendo testado em conjunto com o United States 
Geological Survey \u2013 USGS, em Gana e em Togo. Esse procedimento vem sendo considerado 
o mais adequado, utilizando-se apenas da análise das características ópticas dos cristais, 
contrapondo o método denominado fingerprinting que valoriza as análises dos diamantes por 
meio de suas características físicas e químicas visando à identificação de sua origem. 
 
6.2 - ANÁLISE DE DADOS 
 
Observa-se no mapa de depósitos diamantíferos (Anexo 2), que diversas lavras ou 
ocorrências estão dispersas pela extensão das quatro províncias mineiras, tanto em meio 
aluvial, quanto em rochas conglomeráticas, e ainda algumas destas em kimberlitos, não 
lavrados até o momento. 
Conforme pode-se notar na Tabela 14 devido à maior extensão da Província 
Diamantífera Serra do Espinhaço, são apresentados individualizadamente, os dados referentes 
aos distritos de Jequitaí, Grão Mogol e Diamantina, onde serão especificados ainda os campos 
de Datas/Extração e do Rio Jequitinhonha. Tal distinção também tem como finalidade, a 
comparação entre as populações das mesmas. 
No contexto das províncias diamantíferas, os lotes de diamantes foram estudados 
a partir de algumas localidades e/ou fornecedores principais (cujos nomes serão mantidos em 
sigilo a pedido dos próprios). Na Província Serra do Espinhaço \u2013 Distrito de Diamantina, 
estudou-se dois grandes lotes do médio curso do rio Jequitinhonha, na área do Projeto 
Domingas da Mineração Rio Novo. Em Datas e Extração, os lotes analisados são provenientes 
de pequenos garimpos aluvionares e coluvionares situados nos arredores daquelas próprias 
localidades, e que são adquiridos por pequenos comerciantes locais. A mesma situação pode 
ser aplicada aos distritos de Grão Mogol e Jequitaí. Na Província Noroeste São Francisco, 
estudou-se um grande lote do médio curso do Rio Abaeté, da área da GAR Mineração em São 
Gonçalo do Abaeté. Na Província Alto Paranaíba, a maior parte da produção à época dos 
estudos era proveniente de garimpos semi-mecanizados e/ou balsas, dos sistemas aluvionares 
dos rios Douradinho, Dourados, Preto e Santo Inácio. Na Província Serra da Canastra, a 
totalidade da produção tem procedência no alto curso do Rio São Francisco e seus terraços, 
comercializada na cidade de Vargem Bonita. 
 
 
 
 129
Tabela 14: Províncias diamantíferas, seus respectivos distritos e campos, e número de 
diamantes estudados. 
 
PROVÍNCIA 
DIAMANTÍFERA 
 
DISTRITO 
 
ÁREA 
DIAMANTES 
ESTUDADOS 
 
% 
 
Alto Paranaíba 
 
Coromandel 446 20,95 
Serra da Canastra 
 
Alto São 
Francisco 
 367 17,24 
Noroeste São 
Francisco 
 145 6,81 
Jequitaí 111 5,21 
Grão Mogol 246 11,55 
Campo 
Datas/Extração 
 
238 
 
11,18 
 
 
Serra do Espinhaço Diamantina 
Rio 
Jequitinhonha 
 
576 
 
27,05 
Total 2.129 100,00 
 
Os dados obtidos sobre as características dos diamantes, são apresentados para 
cada província estudada, primeiramente de modo onde é realizado o cruzamento de duas 
variáveis representadas em gráficos de bolhas (Figuras 17 a 58). Tais variáveis foram 
selecionadas segundo um estudo preliminar, que indicou que tais parâmetros poderiam melhor 
representar o comportamento estatístico apresentado pelos dados das diferentes regiões 
estudadas, considerando-se ainda o relacionamento genético preferencial entre elas. Na 
sequência é apresentada uma estatística descritiva com gráficos de distribuição e frequência. 
A terceira