tese leila benitez
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tese leila benitez


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are probably related to the presence of mineralized kimberlite 
in the region. 
Comparison of the results of the statistical analysis on the populations of the four 
diamond provinces leads to the realization that enough differences exist between the parcels 
to recognize each region. It leads also to the conclusion that the method utilized is effective, 
resulting in a characterization for the population of each province studied. Thus, footprinting 
of macro-characteristics of diamonds is an important method to help identify the origin of the 
parcels. 
 
Key words: diamond, diamondiferous provinces, Minas Gerais, Kimberley Certificate. 
 
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1 - INTRODUÇÃO 
 
O diamante sempre foi visto como objeto de fascínio, riqueza e poder ao longo da 
história da civilização humana. O Brasil ocupa a segunda colocação como país que mais 
tempo foi seu principal produtor mundial, ficando atrás apenas da Índia. No longo período 
entre 1714 e 1870 o país alimentou cofres e realezas européias com diamantes minerados pelo 
regime de escravidão, entretanto muito pouco se usufruiu desse benefício e, mesmo em 
termos históricos, prevalecem na atualidade somente os temas folclóricos regionais, em geral 
mineiros e baianos. 
O Estado de Minas Gerais foi o grande responsável pela posição do Brasil como 
principal produtor mundial de diamantes durante aquele um século e meio, embora sua 
produção tenha se tornado pouco significante em termos mundiais. Nos últimos 30 anos, no 
entanto, investimentos exploratórios consideráveis vêm sendo aplicados na detecção de novos 
jazimentos, principalmente primários. As pesquisas realizadas sobre os diamantes na região 
são numerosas e remontam ao século XIX, embora não exista consenso sobre a origem e o 
real potencial geológico dos depósitos diamantíferos desse Estado. 
De acordo com um levantamento preliminar realizado pela Companhia 
Mineradora de Minas Gerais (COMIG), em 1988, um total de 239 ocorrências de diamantes 
foram localizadas em todo o Estado. A partir desta pesquisa, foram individualizadas várias 
regiões centralizadoras da produção (e comércio) de diamantes no Estado, as quais foram 
reconhecidas em termos metalogenéticos como \u201cprovíncias diamantíferas\u201d, de grande 
importância para o fomento de futuras pesquisas técnicas e/ou científicas. 
Ainda que os pesquisadores tenham opiniões divergentes quanto a origem e 
potencial geológico para o diamante, tais depósitos estão relacionados a rochas-fontes 
primárias, a rochas sedimentares conglomeráticas com idades entre o Proterozóico e o 
Cretáceo, e a sedimentos cenozóicos. Entretanto, com base em análises de lotes de diamantes 
já realizadas, sabe-se que as pedras exibem características individualizadas conforme a região 
onde encontram-se seus depósitos. Assim, ao se procurar conhecer as características dos lotes 
produzidos em determinadas regiões, prevalece a possibilidade de se identificar a procedência 
desses diamantes. 
Tal fato adquire relevância ao se considerar que na última década, ganhou força a 
nível internacional manifestação destinada a reconhecer a origem dos diamantes no comércio 
varejista, com o objetivo de que se evitasse a compra de pedras produzidas de países africanos 
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em estado de guerra civil. Essa campanha levou à implementação do \u201cCertificado do Processo 
de Kimberley\u201d, emitido por países produtores de diamantes incluindo-se o Brasil. Entretanto, 
junto com a aceitação geral de tal certificado, diversos estudos têm procurado definir 
parâmetros de conferência de que os mesmos seriam eficazes. No decorrer desses 
acontecimentos, várias das certificações brasileiras foram colocadas em dúvida, com a 
possibilidade de inclusão de diamantes provenientes de outros países nos lotes já certificados, 
admitindo assim, em princípio, a inclusão de pedras de áreas não legalizadas, bem como de 
países beligerantes. 
Os estudos realizados sobre lotes de diamantes das principais áreas produtoras de 
Minas Gerais têm mostrado ser possível identificar-se a procedência de lotes de diferentes 
áreas, através da definição de parâmetros básicos que, integrados e tratados estatisticamente, 
poderiam fornecer uma \u201cassinatura\u201d mineralógica típica para cada uma delas. Considerando-
se ainda que no Brasil, a emissão do \u201cCertificado Kimberley\u201d é atrelada à indicação do 
número do processo minerário (junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral \u2013 
DNPM) do local de produção, constitui a linha-mestra desse trabalho uma proposta que possa 
levar a uma metodologia, capaz de auxiliar de maneira prática, o reconhecimento da 
localidade de origem de diferentes lotes de diamantes. 
 
1.1 - OBJETIVO 
 
O principal objetivo deste trabalho vem a ser o estudo sistemático de lotes de 
diamantes, os quais ocorrem em áreas distintas das quatro províncias diamantíferas 
reconhecidas em Minas Gerais, aqui melhor definidas. A partir do pressuposto de que lotes de 
pedras provenientes de diferentes regiões devem possuir \u201cassinaturas\u201d mineralógicas típicas, 
com os resultados obtidos pretende-se propor uma metodologia que venha a contribuir no 
sentido de se reconhecer feições específicas em lotes diamantíferos diversos, podendo assim 
auxiliar na identificação da procedência dos mesmos. 
 
1.2 - JUSTIFICATIVAS 
 
O reconhecimento da procedência dos lotes de diamantes a partir das principais 
características de suas populações vem de encontro às exigências do Departamento Nacional 
de Produção Mineral (DNPM), a partir da adesão do Brasil ao Sistema de Certificação do 
Processo de Kimberley (SCPK). Conforme Resolução 56/263 de 13 de março de 2002, a 
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Assembléia Geral das Nações Unidas comunicou a criação do sistema de certificação 
objetivando sistematizá-la para o comércio de diamantes em bruto. Esta resolução visou 
principalmente impedir o financiamento de conflitos existentes na África por esse tipo de 
comércio. No Brasil, o SCPK foi instituído por meio da Lei nº 10.743, de 9 de outubro de 
2003, sendo o DNPM e a Secretaria da Receita Federal e de Comércio Exterior (Secex) do 
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em conjunto, os 
responsáveis por tal implantação. 
De tal modo, justifica-se esta pesquisa por fornecer subsídios que possam 
contribuir para identificação da procedência dos lotes de diamantes oriundos de Minas Gerais, 
no sentido de coibir a ação de que outros lotes, com possibilidade de serem originários de 
áreas de conflito, venham a ser delegados erroneamente como de uma determinada região do 
Estado. A possível ocorrência de tal prática vem sendo denunciada pela imprensa e ONGs, 
dificultando todo processo de emissão da certificação Kimberley pelos citados órgãos, e 
reduzindo as exportações de diamantes brutos produzidos no país. A pesquisa ainda pode 
contribuir para o entendimento de uma possível origem dos diamantes em determinados 
locais, inclusive considerando-se o fato da possibilidade de existência ou não de alguma 
relação dos mesmos com a configuração geológica das províncias. 
 
1.3 - MATERIAIS E MÉTODOS 
 
Os estudos desenvolvidos no âmbito do trabalho incluíram inicialmente um 
levantamento bibliográfico acerca do assunto abordado, bem como das regiões abrangidas 
nesse contexto. Outros procedimentos preliminares envolveram trabalhos de campo, visando 
o reconhecimento geral e análises preliminares de lotes de diamantes nas respectivas 
províncias. 
O exame de lotes de diamantes nessas diversas províncias foi efetuado em campo, 
considerando-se as principais características mineralógicas dos mesmos. De acordo com o 
objetivo do trabalho, a intenção foi a de que as pedras pudessem ser reconhecidas apenas 
pelas suas diferenças