Liberdade
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DisciplinaSociologia da Desigualdade Social27 materiais766 seguidores
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seus p r6pr ios fun-
damentos.
Sob um ponte de vi sta gera l, as ig rejas de Sao Paulo nao possuem
nen hum valor arquitetonico. com ex cecao de alguns ta ros d etathes.
Mo stram tal mi stura de elementos de corattvos. que se torna q uase
impassivel uma oenorcao de seus estncs.
vartas igrejas trad ic ionai s na ci dade toram at ing idas pe lo martetc
imp iedoso do progresso. A 19reja da Misericord ia . a de Sao Pedro, a
do Coleg io e, bem mars recente mente , a de Nossa Senhora des
Rem ed ios, com seu frontispicic adornado de azuleios portugueses,
como se fora uma ante-camera do Ba irro da Li berdade.
Paratetemente as ig rejas catcuc as. loc attzadas neste bauro - Sao
Goncalo Garc ia , Santa Cruz das Almas dos Enforcados e Cape la dos
Af l itos - muita s outras co munid ades e seitas rel ig iosas tern seo e na
reg iao . Sao temp los macons. esplrftas. umband istas e budtstas.
Talvez nenhum outro ba irro pauli stano po ssua tanta s comunidades
renqiosas instal adas na area geograf ica e , obviamente. exe rcendo
fnttuencia espi ri tual e moral de forma tao ace ntuada.
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO
A 19reja de Nossa Senh ora do Oarmo. a Rua Martiniano de Carvalho,
ptasticamente e uma das mats be las de Sao Paulo, de estuo colonial ,
elevada do nfve ! da rue . de forma qu e sua porta pr inc ipal se antecede
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-
"Igreja de Nossa Senbcra do Carma. aRua Martiniano de Carvalho-
1980 - Feto D.P.H.
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de grande e larga escadarla que se ab re na emondao apalacada da
nave. Ate 0 attar-mer. emo te ccrreoor central, com seis capelas
late rals , com retabutos dourados a ouro. as mesmas do velho temple
carmelitano.
No orago central , a imagem da Virgem que data presumivelmente de
1776, tadea da peres protetas Elias e Eliseu.
Seu tela to! totatmente decorado par um dos melhores pintores braal-
leiros deste secuto. que foi Tulia Mugnaine, que ali representou
motives saeros da aoa rtcao de Nessa Senhora ao proteta Elias, da
muitrpucacao dos oaes e cenas da tundacao d a Igreja e do Convento
do Carma em Sao Paulo.
Antigo e mad erne S8 harmonizam estrutural mente no belc temple, urn
contraste que nos taz sentir 0 unlverso uruco da arte. 0 altar-mer. as
capelas douradas, os ncos entathes. os lavores da ped ra. contra s-
lando com as longas narenas.os enormes vitros.a pinlura multo azu l
do "ceu do Carmo" centro da majestade do templo, formam um con-
junto lmpress fonant emen te belo, em cujo interior ressoam os sons
de seu famoso 6rgao.
Uma reotoe ao taco do portico cent ral revela a hist6ria da Igreia.
encerrando. todavia. intormacoes nao totatmente corretas.
Aorde m Carmehtana participou ativ amente da hisl6ria de Sao Paulo,
desde os primei ros anos de exis tencla. A quarta ordem a se instalar
no Brasil ja se encontrava no planalto em 1592, em terra s doadas por
Braz Cubas na "Vila do Sertao", para nmoecac de um convento. Uma
imensidao detertas. " partindo de um pinheiro da Borda do Campo de
Santo Andre".
Ja nesse mesmo ano, fret AntOnio de Sao Paulo adotava as primeiras
provldenclas para lnstala cac da venerave! Ordem, integralmente
aceita pete povo da Vila de Sao Paulo.
Assim, em local que hoi e constitui a esq uina da Preca Clovis Bevi -
lacq ua com Ave nid a Rangel Pestana, foi erguido 0 templo primitivo.
num outeiro que dominava toda a vazea do Rio Tamanduatei que
banhava aqueta prcpriedade. Dentro em pouco 0 loca l ia era sim-
plesmente designado "Carmo" - a Esp lanad a do Carmo, o Outei ro
do Oarmo. Sttuava-se do lade direito de onde se encont ra a Ca pela
da v eneravel Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, q ue data
de 1804.
Tem-se co mo certo que is em 1594 a Casa das Carme litas estava
conctulda. po ls js em 1595 comecam a se tomar f requentes os
pedidos e determin acces de "enterramento no Carm o", 0 que tot
multo co mum nos seculos XVI e XVII.
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Convento e igreja eram pequenas con strucces de talpa que alveja-
vam na celina do Carma, com patmeiras esparramadas pelo pat io
tronteirico e largo horizonte para 0 aterrado do Bras. a estrada e 0
caminho da Penna.
Seu atria e "ttanqueado de grossas paredes lendo em frente ooze
janelas rasgad as. com verandas no ander que sa argue sobre 0
pavimento inferior ". Assim tol descr ita por Pesaanha Povoa. per volta
do te rceiro q uartet do secure passado.
Em 1831. a pedido do Brigadeiro Rafael Tob ias de Agu iar. entao
presidente da Provincia de Sao Paulo. instalou-se em uma parte do
pavimento terreo 0 Corpo Poli c ial de Permanentes. ali se aquarte-
lando ale 1906.
Na velha igreja e Conven tc do Carmo se reatizaram as misses can ts-
das mats sotene s. as mats betas procissce s e as mais primorosas
procissoes da Semana Santa em Sao Paulo. Os can ttcos entoad os e
prepa rados pe la tnspiracao notoria do maestro Lustosa (Jesuino d e
Cassia Lustosa) const ituiam a magica sonoridade do cantocnao que
envolvia a cevoeao e piedade de nossos antepassados.
Ali tarnbem func ionou durante muitos anos 0 trad ic ional Ginasio do
Carmo, responsavel pe te to-macae moral e intelectual de grande
oarceta da juventude pautistana.
Em 1928. 0 progresso da cl da de de Sao Pau lo. sua incomum cosmo-
oouttzacao. a tudo avassalo u.
Asstm, por interesse publico. 0 Govemo do Estad o de sapropriou 0
convento trad ic ional e ja a 25 de abril do mesmo ana. frei Anisio
Muldermann oftcicu a ultima cerimcma relig iosa do Convento. ap6s
tres sec ures de tradicao. trabalho e atuacac esp iritua l sob re a futura
grande metr6po le que, certamente, g uardou os exemplos e enslna-
mentos da velha Ordem.
Ao entardecer, a imagem da Virgem foi transladada processional-
mente para sua nova morad a a. Rua Martiniano de Carvalho, para uma
pequena capeta provis cne.
Finalmente. a 1.° de ab rn de 1934, a atue! Igreja e Convento de Nossa
Senhora do Carmo foi inaugurada e, ali naquele recanto da Liber-
dade. con t inua altan eiramente como sempre. a cevocac da Virgem
do Carmo.
IGREJA DE sAo GONCALO
Tendo seu frontisp lc io vottadc para a Prac;a JoAo Mend es, tem sua
lateral dire ita distend ida na Rua Dr. Rodrigo Sil va.
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Ig reja de SAo Goncalo. na Preca Joao Mendes, atras da Catedral-
1975 - Arquivc D.P.H.
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Pedro Taques js. a de screvia na cidade de Sao Paulo, no ano 1772,
como fitial da Cated ral da Se. Ainda ncje. 0 vetho templo parece
guardar 0 buco li smo e beat itude de outras epoces. embora no mo-
menta presente seja assistido par padres japoneses.
Os paulistanos semore foram ardorosos devot es de Sao Goncalo.
mart irizado em Nagasaki. no Japeo . e crucruc aoo com outros vlnte e
cinco compannerros, aos 5 de teverelrc de 1579, condenados pela
orecacao da religiao catonca naquele pais.
Sao as inventanoa e testa mentos de antigos pauttstanoa que vern
atestar a tradicac do santo traqico em Sao Paulo e, ia em 1649, exi stia
nas ce rcantas da ctdade um sit io que t inha par patrone Sao Goncat c
(lnventano de Catarina Prado - vel. Xl - peg . 309 - lnventarios e
Testarnent os).
Entretanto, a Ig reja de Sao Goncalo foi ergu ida em 1756, quando os
memb rcs da Irmandade Nossa Senhora da Conceicao e Sao Goncat o
Garcia, insti tu id a legalmente na Igreja de Santo Antonio em 1724,
houve autortzacao para erguimento da capeta em separado. as ex-
pensas dos devotes. no "Largo da Cad eia".
E a construcao reveda a etettc venceu as anos, chegando ate nossos
dias. Iembrando 0 vethc estuo colo nial.
De talpa . multo pequ ena. estreita e modesta foi a construcao in ic ial .
Por exiq encia dos devotos petroctnaoores. recebeu 0 nome de Sao
aoncaro. embora fosse Nossa Senhora da Ooncetcao a autentica
pad roeira da igreja , encontrando-se. par isso, no pr inc ipal orago do
templo.
Mas Sao Goncalo assrmuou para si a pequena ig reja.
Talvez tenha se sttuaoo no local once atnoa noje se encontra, em
decorrencia de afguma ooacaodo terreno ou e ntao porque a Irman-
dade tena co mprado 0 mesmo terrene para esse lado da cidade,
onoe a. epoca a terra