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Era ums propriedade imensa. que ainda no enc de 1910. apresentava
terras na propriedade do dono do Jardim de Aclima~o e herdeiros
de Francisco Justino da Silva. falecido 80S 11 de agosto de 190L
Pertencera anteriormente a Jato Nepomuceno. que a vendeu a Jos6
de Oliveira veicee. Por morte deste ultimo, foi 8 chBcara a haste
publica, sendc arrematada.
o disciplinamento de escravos era praticadc ali e tarnbern em outrss
chBcaras de cidade. Contrapondo-se a essa ignominia. OUlfa! chlll·
caras e casas de abolicionistss e algumas igrejas. refugiavam os
escravos, enquanto nAo reclamados pels just ies.
Nesse Irabalho de acobertamento de escrevcs. a Igraja dos Reme-
dios. demolida em 1943 e. a de SAD Goncato, t iverarn papel relevante,
pois sob suas naves 0 escravo fieava sob a proteceo de Deus.
Dentre as casas de refugio. os cronistas indicam as casas de Juca
Frade, Antonio Bento, Jollo Mendes e luis Gama, de quem se contam
prod lgios de ousadia , chegando a organiZ8trAo de uma essccrecac
denominada "Caifases", dirig ida e custeada par Anlonio Bente. ao
tempo do jomal abol ic ioo iata "A RendentrAo" (1877) e depois a
"Liberdade",
Os "Oattases" prelendiam conquistar os escravos no inter ior. com 0
prop6s ilo de redtml-los. Um dos mais famosos foi Mariano Anlonio
Vieira , que refugiava escravos foragidos em sua "Ohacara do Ca-
pAo", em cujas terras se estruturarta 0 bairro Bela Vista, que ele
pretendia fosse "Bela Sintra" ,
Pondo em prauce suas idetas anti-escravaqlstas. aliado a Antonio
Bento, que resid ia no bairro da Uberdade, aco lhia os escravos que
lhas pediam auxll io e os ocutteva nos muilos recantos ignorados e
perd idos daquele lab irinto vegetal. mult isecular que reeobria toda a
reg iAo.
Mariano Antonio Vieira , um apaixonado da natureza. na sua estima e
admiratrAo peta natureza local. procurou resguardar as lerras de sua
propriedade, sem eonsegul-lo, porem. Sonhara tncorpcrar 0 macrcc
verde do Caaguatru ao arvoredo frondoso de suas terras, para formar
um parque gigantesco. verdadeiramen1e native. que seria para SAo
Paulo 0 que 0 "Bois de Boulogne" era para Paris (24).
A ChAcara do Capao assocla-se A hist6ria da CMcara do Ouebra-
Bunda. pela oposic;ao ferrenha que sempre moveu os prop6sitos
desta. tamt>em conhecida per '·Telegrafo" .
A Chacara do Quebra-Bunda eltuave-ee entre as Ruas Apeninos,
Pires da Mota. Nllc e Paralso, em cujas terrae. ainda em 1910,
sltuava-se 0 Hospital Oftalmico. cercado de imenso quintal , em cujo
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centro Iiceva 0 velnc pred io terrec da chacara e. cujas janelas.
serviam de mitante das cercamas sulinas.
Segundo 0 historiador Pauto Cursino de Moura (25), eSSB grande
glebs de terra pertencera a Jose Veloso de Oliveira. talecidc h8
aproximadamente cern anos . tc mando-ee conhecida por essa eeo c-
minac;Ao 1'810 tate dos nagros tugil ivos receberem ali tremendas
surras, que chegavam a descadetra-los.
CHACARA DA GLORIA : sit uava-se ill margem esquerda do cam inho
que caminhava para 0 sui. "na estrada que seguia para 0 arrabaldo
do Ipiranga". alem do C6rrego do Cambucl.
A seda da Ohacara da GI6ria abrigou vanes institu ic6es da cidade.
dentre as quais, 0 Semmanc de Santana e 0 Seminario de Nessa
$enhora da Gl6ria.
JlI. em 1852, estava decadents. mas sua capel a ostentava ainda em
suas paredes esb uracadas. bela s e vatiosas pinturas (26).
o Semmario de Nossa Senhora da Gl6r ia asststia e educava as
meninas 6rfAs de milita tes q ue tivessem mcmdo pobres.
Foi cri adc par d isposiCAo de aviso exped ido pelo Govemo Imperial
da Capita l da Provinc ia de Sao Paulo. datada de 08 de janeiro de
1825, pe lo Visconde de Congon has do Campo (l ucas Monte iro de
Barros), entac prestdente da Provincia .
Com a dotacao anua l c rS 600.000, toi 0 Seminanc da GI6ria inaug u*
race a 08 de ju nho d e 1825. lendo como sua primeira d lretcra Dona
Eli ziar ia Cecilia Esp inola.
Segundo A.E. Martins, da s trinta rroces q ue al i se educaram, trAs
delas exerce ram 0 magisterio em Santa Ifiglmia. Jund iai e Pirapore .
Em 1853. 0 Seminano passou a funclonar no ediffc io q ue setvira de
Hosp ital Mil itar e depois Quarte t do 7.° Batalhao d e Oacadcres do
Acu , onde permanece u ate 1861. para entec retomar a vetba CM-
cara da Gt6ria, agora qua se em rulnas.
Dada a precariedade da construcao. nao pOde s f co nti n uar,
trensfertnco-se novamente para 0 Hospital Mildar, por ordem do
Marechat Manoal da Fonseca lima e Silva. presidente e comandante
das armas de Sao Paulo.
A lei n.e 71, de 10 de abril de 1870. artigo 1.°. celebrou um contrato
com Madre Anna Felic ite Del Carreto. superiora da CongregacAo da s
IrmAs de Sao Jose, enca rregando-a do ensino do Semina rio da GI6-
ria. 0 qual foi supe rvisionado pela mesma ate 16 de jane iro de 1871.
Por penhora pub lica. a Chacara d a GI6ria passou ll. propriedade da
Fazenda Nacional. tendo entAo aide vend ida ao Sargento-M6r Ma-
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nuel de Oliveira Cardoso pete CapitAo Manuel Pinto Guedes, pels
quantia de crS 750.000. cute esc ritura pebnca tol lavrada aos 07 de
junho de 1741. nas notas do Tabe liio Vieira de Silva Paiva.
Em 1870 tel requerida 80 juiz das mectcoes de Sao Paulo. Dr. Jos~
Vaz de Carvalho. Que 0 "pncrc'' Francisco de Carvalho procedesse a
c emercecac das terras dessa chaca ra. 0 que foi teito. Mais tarde.
joram adq uiridas pelo Or. Matheus de Abreu Pereira. 0 quarto b ispo
da provincia que. ao tatecer . teqcu-es a Mitra de 580 Paulo.
Apesar da dcaeac teita. a masma caducou. palo fato do referido
b ispo ter contraloc dlvidas com a Fazend a Nacional. Penhorados as
seus bans. estes toram inc orporado s aos bens nacionais.
Desse modo, a Chacara da Gr6ria foi entregue pa lo Ministro da
Fazenda 80 da Agr icultura. para estaberecurentc de urn nuclec
co lonial. que toi inaugurado em 26 de agosto de 1877.
Aos 14 de tevereiro de 1880. 0 Ministerio da Agricu ltura declarou que
aquelas terrae deviam reverter &:0 Min isterio. Pcstencrmente. de
acordo com a "Comissao Monumen to do lpiranqa'', foram demarca-
das e. as porcces julgadas necessaries aos obietivos da retenda
comissao. foram cedidas a mesma. enquanto a parte restante foi
dest inada aPreside ncia de Provincia. a quem competia tracer a sua
destina eao.
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NOTAS
19. MARTINS. A. E. - "Sao Paulo Antigo" - psg . 49.
20. AZEVEDO. Manoel Vitor- "SAo Paulo de Ant igamen te" - pftg .
74.
21. Eles Construlrama Grandeza de Sao Paulo - Editado pela
Sociedade Brasiteira de Expb:lsao Comercial Lids. - SP.
- 1.8 Edicao.
22. FREITAS. Afonso de - "Prospecto do Dicionaric Etimol6gico,
Hist6rico, Topogratico , Biogrftfico. Bibliografico e Etnogra-
fico Itustrado de SAo Paulo" - psg. 23.
23. MONTEIRO, Z.F. - cbra citeda - pag . 54.
24. PARNI, A. Vieira - "Ohacara do CapaQ" - In Revista do Ar-
quivo Hist6rico - Vol. CXLVIII.
25. MOURA, Paulo Cursino de ~ "Sao Paulo de Outrors" - pag.
122.
26. JUNIAS, em sao Paulo - Notas de Viagem - pllg. 144.
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ESTRUTURACAo URBANA DO BAIRRO DA L1BERDADE
o bairro de Liberdade estruturou-se em funt;:ao de urn processo garsl
de exoeneac e progresso, atravessado pels cidade de Sao Paulo,
principalmente ap6s a proclamacao da Republ ica e a partir da de -
cada de 1930.
A cidade viveu mais de tree eecorce de sua existencia. isolada doa
demais centros urbanos brasileiros. periodo em que experimentou
urns vida de grandes desafio s, de reauzacoes e de ernpreenctrren-
tos regionais, em que as elementos mais importantes do proqresao
local, inclusive a formacaoetntca. estavam em tcrmecac e sa prepa-
randc para aquela decotagem formidavel que se processaria a partir
dos anos trinta. .
Fai urntempo em que as povoadores da Terra rancarem a sua sene,
buscando urn sentido de ordem em seu maio cheio de perigos e
procurando transformaro conglomerado urbano quinhentista em que
viviam, num centro irrad iante de uma cultura e uma economia esta-
vets. capazes de atravessar secures e fronteiras.
Na excensac do Distrito Sui