Liberdade
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da sa, ao termino do eecuc XIX, se pode
destacar duas importantes radiais, que orientarAo 0 desenvolvimento
do futuro bairro da Liberdade:
- a estrada para Santo Amaro e
- a estrada Vergue iro, conuncecac da Rua da Liberdade, orientada
para Sudoeste (27), em direoAo ao ribeirAo do Impiranga, ate
encontrar 0 Caminho do Mar.
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Enquanto a ccrncrucecac entre Sao Paulo e Santos sa tazia palo
Caminho do Mar. a regiso em que futuramente constltutria 0 bairro de
Liberdade, S8 desenvolveu naquale sentido, bern como Quiros bair-
res que S8 foram estruturanoo na mesma dtrecao.
Entretanto, quando S8 implantau a "Sao Paulo Railway", 0 antigo
percurso foi desativado e 0 processo de urbenteecac e desenvolvi-
mento sa desviou para a direcao tcmada pels terrovia.
Entre aquelas duaa radials nltidamente tracadas sobre 0 Distnto SuI
de sa, ficavern chtl.caras disperses, terrenos concedidos, campos
vance. caminhoa esburacados, poeirentos e barrentos e atalhos
vic inais. alem de matagais e capoeiras, que eram diutumamente
percorridos por tropes de burros. canoe de bois e boiadas que. par
vezes, se desviavam da rota principal. a procura dos nachos e
ribeiros locate sobejamente conhecidos a epcce.
A planta topoqratlca de SAo Paulo, datada de 1810, ja revere a
expansAo da cidade para 0 sui. na direcAo da safda para 0 mar.
Quando se cogitou da ccnstrucao de novo caminho para Santos, a
partir da segunda metade do oitocentlsmo. sera desanexada da
Cbacara do Quebra-Bunda, enorme extensAo de terras. Na demarca-
CAo dos terrenos da Gl6ria. de propriedade da Fazenda Nacional,
foram demarcadas nac apenas suas terrae. ccmo tambem "0 local do
pedregulho na estrada de Santos, denominado Mato Grosso, de
servidAo publica. bern como alguns pedacoa de campos que estao
no gozo da poputecao pjl;rQ pastagem e outros mlsteres" (28).
A estrada a ser aberta sera a contlnuecac de uma rua (a da Liber-
dade). de modo que a CAmara Municipal ordena a planla<;Ao de
palmeiras. pelo menos ale a &quot;esquina da easa de Augusto Duma&quot;
(29). 0 que nos permtte admttlr que a essa epcca. as pessoas ainda
eram mais importantes que as ruas...O local era ponto lntermedlano
de vance outros bairros futures, da zona sui e sudoeste. posi<;Ao essa
que. neturatmente, favoreceu sua urbaniza<;Ao.
Ainda em 1822. a Imperial cidade de SAo Paulo era a mesma dos
tempos cctontals: &quot;paeata, ordeira. viril e altiva...&quot;. Afonso de Freitas
assim a descreveu.
Para 0 Sui:
&quot;Do pateo de SAoGoncalo. depois da Cadeia Municipal. e
hoje Praca JoAo Mendes. seguia-se por detrb da Cadeia,
pete Rua do Rego. atual Rodrigo Silva, depots de ter sldc
do Meio e da Assembt6ia. e seu desenvolvimento. que era
o Caminho do Carro que vai para Santo Amaro, paretetc i\s
atuais ruas da liberdade e Vergueiro at6 Vila Mariana.
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entac Malo Grosso, desca mbando mars ad tante. para a
varzea. ate encontrar-se na estrada que do Piques S8
descobrava em cnecac a verna Ibirapuera pels rua prim i-
tiv amente do Verde e. na epoca. do Curra l. hoj e ladeira e
pnmetrc trecho da rua do Santo Amaro . Para 0 tac o da
Igreja dos Remed ios. a salda da ci dade bifurcava-se e
quem, do paleo da Cadeia tomasse a direita perc Pelcu-
rinhc. etevadc pr6 ximo e antes da atuat rUBLivre. iria ate a
tcrca. plantada no espaco. boje oc upado pels area maia
ampta do largo da Liberdade e. mats ediante. a Cesa da
Potvora. no pequeno largo que ainda conserva esse
nome&quot; (30).
A esq uerda desse largo. sala 0 Caminho de Santos, descendo para a
Rua do Cem iterio. ate a aOliga Necr6pole dos Aflitos e da ! ate a
Gl6ria, cnde navra a cnacara do btspo D. Mateus e, passando pete
Levepes. 0 Sltio do Tapanhoim e Cambuci. A frente . ate a case da
restdencia da Familia Castro. estend la-se a Chacara dos Ing leses.
loca l trad icional e de grande atrat;ao publica .
Em meados do secure passeoo. 0 Largo da Uberdade ja era insufi-
c iente para abr iga r 0 movimento das te iras semanais de madeira.
que ali se realizavam. Tar era a contusec loc al, que 0 vereador
Leandro de Toledo. na eeeeac da CAmara Municipal. a 8 de janeiro
de 1863. fez a seguinte proposta:
&quot; remover do Largo da Liberdade para 0 dos Curros, a tetra
que se faz no prirne iro largo, vlstc que n60 oferece as
comodidades e nern a capac idade necessaria para com-
pcrtar tao grande numero de cartes. tendo apenas urna
salda, e esta multo estre ita e incapaz de se prestar ao
trAnsito das ruas que, sirnultAnearnente. entrarn e saem
nos d ias de vendas de madeira&quot; (Atas - 1863 - pig. 9).
Entretanto a CAmara Municipal decide por outra proposta:
&quot;se faculte aos cartocelroa entrarern palo Telegrafo, Rua
da Gl6ria e freguesia da Penna e estacionarern no Largo
da Liberdade au des Curros e. os que vierem de Santo
Amaro palo Bexiga. a seguirem d iretamente para os Cur-
res&quot;.
Tod avia. 0 Preeldente da Provincia nAoaceitou tal cecese.oficiando
~ CAmara que se a anulasse, cont inuando, entio, a feira de madeiras
a se realizar no Largo da Liberdade.
No processo de expansAo urbana local, a concessAo de terras consti-
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lu i fator de progresso e desenvolvimento. Suspensas em 1854. j tl em
1856. a CAmara Municipal alegava series preju lzos para 0 engren·
decimento de cidade.
No Morro do Tetegrato. aUt 1856. sao teitasvaries concessces. cujos
propnetarfoe. no find ar do secure. se mostravam preocupados com a
perspective expropriat6ria de SUBS terrae. para a continuidade do
treceoc de RUB de Liberdade.
As Alas de 1865 (pags. 169 a 180) reve lam q ue a CAmara Municipa l
ordena a execucao de urns planta de ci dad e, cujo trabalho eentre-
gue 8 0 Engenheiro Ramien,ocasiAoem que toram promovidas varies
modificaoOes na nomencl atura des russ de Sao Paulo, quando a
aOligs Rua do COnego Leac passou a dencmfner-se de liberdad e.
No ano de 1884. a Rue de liberdade nao is muito atem do Largo de
P6tvora (31) e. ainda em 1904. a Rue do Paraiso era qual if icada de
&quot; Iong lnqua e deserta&quot;. (32) .
A CAmara Mun icipal mcseeve-se preocupada com uma pcssfver
expanseo desordenada da cidade, enquant'o nac se demarcassem
os novos limites do seu ross io, pets para atem do Largo da liberdade
e aclecenctas. nada tora planejado.
As reterencias a &quot;saldas para 0 mar&quot; e &quot;estrada&quot;, sign it icavam
sempre a continua~o da Rua d a liberdade ou do Caminbo do ce-re
para Santo Amaro. Para ad iante do Largo da P6lvora .
apresentavam-se varies terrenos por construir, pastagens e campos
abandonados, ao mesmo tempo em que 0 Largo da Liberdade it
escuro, sem i1uminacAo nenhuma, sttuacac que leva a CAmara Muni-
cipal a oticlar ao Govemo da Provincia, pedindo a cciccecac de
lampi6es nesse largo, ate 0 destacamento da P6lvora.
A ind a em 1872, os moradores das imediacoes da P61vora, pedem a
CAmara Municipal que &quot;se Iimpe e teche terreno vizi nho que , coberto
de mato, incomocl a os suplicantes, co m aju ntamentos notumos q ue
ali se dAo eonde se praticam imo rali dade&quot; (Atas - 1872-pBg. 19).
Embera se tizessem constantes scucltecees de melhoria para 0
balrro. essas custaram multo a se oficiahzar. sendc que 0 pr6prio
eevemc Provincial cheqou a ser responsabilizado.
Em 1872, a Casa da Polvcra. no Largo de igual nome, atnda se
encontrava no local, embera 0 dep6sito js. estivesse transferido.
Como cont inuava em IJ6, as ruas da GI6ria e da Liberdade continua-
va m sem conuercacao. Entretanto. em 1873, na sessac de 13 de
junho, a CAmara Municipal pede autorizacao para demolir a Casa da
P6lvora. a tim de al inhar uma travessa de ligacAo entre a Roo da
Liberdade e a Rua dos Estudanles (Alas - 1872 - pag. 106).
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Aoque parece, entre os anosde 1880e 1883. arrasadas as rulnasda
Casa de P6lvora. abriu-se eepece para 0 trac;ado do pequeno largo
de ig ual nome .
No aoo de 1880, sAo feitas concessOes de cartas de datas de terrae
na Estrada Vergueiro e no Tel6grafo. cu jalegalidade setia posterior-
mente discutida, principalmente as que sa localizavam no chamado
bairro de Mato Grosso (futura