Liberdade
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Vila Mar iana).
"Com 0 advento da Republica, a capital de SAD Paulo
cresceu extraordinariamente, pots quase todos os propria-
terics das antigas cnecares. que entAo exrettam nos belr-
res de Sants IfigAnia, Born Retiro, Braz, ConsolaoAo. Li-
berdade e Cambuci mandaram abrir. nas referldaa cnece-
rae, diversas russ, avenidas. alemedaa e largos.
fazandO-S8 oetee suntuosos palacetes e bonitos pr&dios"
(A. E. Martins - Sao Paulo Ant igo - P'O. 14).
Assim. nas terrae da cnecere de Dona Anna M. de Almeida Lorena
Machadoforam abertas, por sua crdem, as ruas Conselhe iro Furtado,
Bonita , Santa Luzia e Conde de Sarzedas. Mandou. ainda, que 58
construfsse it frente de sua propriedade, que tioha frente para a RUB
da Tabatinguera, a capela de Santa Luz ia, cujas obras foram con-
clufdas em 1902.
Junto it Igreja de Nossa Senhora dos RemiKfios, ergu ida na Pra~a
..1010 Mendes, "q ue supOe ter sido a antiga capella de SAo Vicente"
{32} e institufda em 1727 par SebastiAo Fernandes do Rego, exlstla
um velho pr6dio tertec, de janelas de r6tu la e pertencente so COnego
Claro Prencrecc eevasccnceics. que a CA.mara Mun icipal , nasessAo
de 24/8/1874 desapropriou a fim de comunicaro entlo Largo de SAo
Goncalo com 0 do Pelourinho, mais tarde Largo 7 de Seternbro.
SAo apresentadas diversas propostas de execucac de services pU-
bncce. dentre os quais;o de iluminacAo do bairro da Liberdade at6
Vila .Mariana. Era Binda um bairro de pequenas casas quase sempre
terreas EI! no mesmo annhamentc. sendo que na ultima d6cada do
ottccenrterrc silo raros os estabelecimentos ccmerctats na regiAo,
embora em algumas ruas se vislumbre alguma ed ificacAo com fina-
lidade comercial e industrial. como porexemplo 0 dep6sito de mate-
riais existente na Rua SAo Joaquim e pertencente 1\ (mica fabrics de
f6sforo da c idade (Atas-1889, pag. 270 ).
Aos 16 de maio de 1894, 6 inaug urada a " Rua Brigadeiro luis Anto-
nio" e ruas adjacentes, abertas ne propriedade dos barOes de Li-
metra (A. E. Mart ins - SAo Paulo Ant igo - Yol. I, pSg. 94).
A CAmara de SAo Paulo ja demonstravavivo interesse no processo de
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uroanizac;Aoda cidade. ed itando a lei 0 .° 197, de 31/1/1 896. autori-
zando JoAo Dierberger B arbor izer as russ de Capital. ao mesmo
tempo Que determina a demol ic;Ao de editlcios. mums e obras arne-
ececas de rulna ou construldas fora dos padrOes Mun icipals (34).
o panorama urbano sa modif icaria com a chegada do imigrante.
princ ipalmente 0 ilaliano e. dentro em pouco, js sa podia ver 08
Estrada do Vergue iro chal6s A mods sulc;a e urns arq ulte tura. em
geral, mais urbantzada.
Na Rua Vergueiro e adjacAncias. 0 padrto residencia l it muito hetero-
g6neo. Ostenta "modemas casas com jardi ns e grades . com tacna-
das omamentad as", como tembem " pequenos puxados " e "cocbel-
ras", "ceposnc s''. "aumento de urns coz inha", como S8pode depre-
ende r dos inumeros requerimentos enderel;8dos aCAmara Munici-
pal, ped indo licence para equates constru¢es (Pap6i s Avulsos-
Obras Part iculares - Arquivo Hist6rico da Prefeitura de SAoPaulo-
varios aoos).
Quando 0 secutc XIX chega ao SBU termino. no alto do mectcc eetac
instaladas res idAncias burguesas em Vila Mariana. na Consotac;Ao e
na Liberdade. habitadas por ume comunidade sam luxo ou rlqueza.
com 0 retalhamento das chAcaras da reg iAo.
Apesar dos prenunc ios da crise caleeira q ue sa anunciava. hav ia na
cid ade acentuado progresso.
Cog itava-se. atll mesmo. da instal ac;Ao de " uma Estrada de Ferro ou
bondes eerece el6tricos..." (35).
A po pul ac;Ao cresci a: em 1893 havia 130.755 habitantes e pouco
dopo i\u2022 \u2022 om 1900 . 200.000 (36).
Segundo Silva Bueno (37). 0 ultimo quartet do slK:ulo XIX sa cerecte-
rizou pela febre das demoli¢es. das reforms s e da s constru¢es.
at ingindo as casas part iculares , os conventos. as igrejas, be m como
os edilfcios eubncce. ao mesmo tempo em que os sobrados de trAs
andares. oriundos do setecentismo. continuavam a se sobressair no
panorama urbano.
As casas peuustee. aos poucos vio perdendo seus grandes be trals.
suas paredes de ta ipa de pilAo. suas r6tulas e suas janelas e portes
que 88 ab riam para lora. por disposic;Aodo C6digo de Posturas de
1875.
Paulatinamente. a ci d ade vel se transformando. nAo apanas 0 nUcleo
central. como os seus bairros e arrabaldes mais d istantes. embora
ainda em 1897 apresentasse ruas esburacades, bond..puudos per
burros, mas que ji abrigava trazentos mil habitantea. (E.S. BIVIO -
Hist6ria a Trad i¢es da Cidade de sao Paulo III \u2022 pAg. 9(8).
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Estruturam-se novos bairros de todos as ttpce. alguns des quais em
breve tempo S8 constituirAo verdadeiras cidades dentro da cldade.
Batrrce febris e cpersrtoa para 0 Norte, Este e Oeste, enquanto que a
metade meridional da cldade ecaracterizada palos bairros residen-
ciais das classes media e rica . ,
Na pcrcac setentrional S8 ergueriam as casas geminadas. as ccrtt-
005, as rUBS sem lnfra-eatrutura urbana. Bairros outrors tidos como
arlstccrattccs. comecam a S8 degrader, enquanto outros assistem
suas mansOes senhoriais serem substituidas por construcees eurc-
peizadas, mals tarde. por ananha-ceus. '\
o cosrropcntrsrrc que haveria de caracterizar a cidade, val criandc
ccncenneceee etnlcee: slrlos, libaneses. armlmios, na regiAo da RUB
Viole e Cinco de Marc;o; judeus, no Bom Retiro; italianos, no Bras,
Mooca e Bela Vista e japoneses, na Liberdade, principalmente nas
ruas Conde de 5arzedas e GalvAo Bueno, enquantc outros estrangei·
res afortunados se instalam nos jardins, Vila Mariana e santo Amaro.
,
Descreeendo a cidade de SAo Paulo entre os anos de 1900 e 1930,
transcrevemos as palavras de Paulo Setubal (Estado de SAo Paulo-
EdiC;Ao de 25 de janeiro de 1878):
"SAo Paulo, convem lembra-tc, nAo e ainda, nem por
sombra, 0 SAo Paulo que velo a ser, Nem arrenha-ceue.
nem avenidas largas, nem batrroa de residAncias suntuo-
sas. nem 0 milhao de habitantes, nem a envaldecedora
selva de cnamines. furando 0 azul. Nada dlsso. £ uma
cidade tristonha,garoenta, que tern no invemo os lampices
de gas acesos ate as nove horas da manhA. I: cidade
ainda provinciana, ainda caiplrona, com os seus t1lburis,
com a sua velha 5e, com os seus becoe, com as suas
ladeiras, mas que, apesar de tudo, futura capital de um
bilhAo e quinhentos milh08s de pes de cafe, ja prlnclpiava
a agitar as asas para progredir 0 v60 alucinante que no
corte especc de trinta anos soberbamente destenu".
Descrevendc 0 bairro da llberdade. invocamos as impressoes do
francAs Gaffre: "Nada se podera lmaqlnar mais bem necedo e arbcrl-
zado que as ruas da liberdade e da ccnecrecec" (L.A. Gaffre \u2022 Vision
du oBresil - pag . 159).
Poder-se-ia indicar 0 ano de 1922 como 0 marco inicial de uma serie
de trarisrormacoes par que passaria a cldade de SAo Paulo, como
todoo pals. Dentre essas, as constantes agitac;Oes politicas havidas,
sempre marcadas par movlmentos militates e que culminariam com a
vitoriosa revciocac de 1930, momento em que a economia nacional
experimentsva uma cnee sem precedentes na hist6ria da Nac;Ao.
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Vitoriosa a revorucao de 1930. instaura-se generalizado estedc de
ebuncac soc ial , tevendc Sao Paulo a viver dias de permanents in-
qu fetacac que, em 1932. motivaria a Aevolucao Constitucionalists.
Passada esse eslado de cctses. a vida nacional e atingida por
multiples provrcencras reformistas, especialmente no campo social
e econOmico. Imput slonando ace leradamente a cidade de SAo Paulo
para novo s rumos (38). Coordenad ora da culture cateei ra.
nanstorma-se no ce ntro de artrcuracaodas at ividades ccmerciaia do
Estado. as qua is prop ic iaram novos padroes soc iete. educacionais.
art isticos, ccmercla ts e ate mesma poHticos.
Paratelamente. ocorre a intensifi cac;i o do flu xo migrat6rio, Que traz
para SAo Paulo enormes cont ingentes estrange iros e nac ionais de
outro s Estados. lnlciando -se entao 0 processo de metrcpouzacac da
cidade. Passa a ser um centro de