MCASP 7ª edição Versão Final
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MCASP 7ª edição Versão Final


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contábeis sob a ótica do Plano de Contas Aplicado ao Setor 
Público são os seguintes: 
 
Lançamento no momento do fato gerador (dia 1º de janeiro): 
 
Natureza da informação: patrimonial 
D 1.1.2.2.x.xx.xx Créditos Tributários a Receber (P) 
C 4.1.1.2.x.xx.xx Impostos Sobre o Patrimônio e a Renda 
 
Esse registro provoca o aumento do ativo e do resultado do exercício, atendendo ao disposto nos 
arts. 100 e 104 da Lei nº 4.320/1964. 
Na arrecadação, registra-se a receita orçamentária e procede-se à baixa do ativo registrado. 
 
Natureza da informação: patrimonial 
D 1.1.1.1.1.xx.xx Caixa e Equivalentes de Caixa em Moeda Nacional (F) 
C 1.1.2.2.x.xx.xx Créditos Tributários a Receber (P) 
 
Natureza da informação: orçamentária 
D 6.2.1.1.x.xx.xx Receita a Realizar 
C 6.2.1.2.x.xx.xx Receita Realizada 
 
Natureza da informação: controle 
D 7.2.1.1.x.xx.xx Controle da Disponibilidade de Recursos 
C 8.2.1.1.1.xx.xx Disponibilidade por Destinação de Recursos (DDR) 
 
 
Parte I \u2013 Procedimentos Contábeis Orçamentários 
 
 
56 Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público 
3.5. ETAPAS DA RECEITA ORÇAMENTÁRIA 
 
As etapas da receita orçamentária podem ser resumidas em: previsão, lançamento, arrecadação 
e recolhimento. 
 
3.5.1. Previsão 
 
Compreende a previsão de arrecadação da receita orçamentária constante da Lei Orçamentária 
Anual (LOA), resultante de metodologias de projeção usualmente adotadas, observada as disposições 
constantes na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 
A previsão implica planejar e estimar a arrecadação das receitas orçamentárias que constarão na 
proposta orçamentária14. Isso deverá ser realizado em conformidade com as normas técnicas e legais 
correlatas e, em especial, com as disposições constantes na LRF. Sobre o assunto, vale citar o art. 12 da 
referida norma: 
 
Art. 12. As previsões de receita observarão as normas técnicas e legais, considerarão os efeitos das 
alterações na legislação, da variação do índice de preços, do crescimento econômico ou de qualquer 
outro fator relevante e serão acompanhadas de demonstrativo de sua evolução nos últimos três anos, 
da projeção para os dois seguintes àquele a que se referirem, e da metodologia de cálculo e premissas 
utilizadas. 
 
No âmbito federal, a metodologia de projeção de receitas orçamentárias busca assimilar o 
comportamento da arrecadação de determinada receita em exercícios anteriores, a fim de projetá-la 
para o período seguinte, com o auxílio de modelos estatísticos e matemáticos. A busca deste modelo 
dependerá do comportamento da série histórica de arrecadação e de informações fornecidas pelos 
órgãos orçamentários ou unidades arrecadadoras envolvidas no processo. 
A previsão de receitas é a etapa que antecede à fixação do montante de despesas que irão constar 
nas leis de orçamento, além de ser base para se estimar as necessidades de financiamento do governo. 
 
3.5.2. Lançamento 
 
O art. 53 da Lei nº 4.320/1964, define o lançamento como ato da repartição competente, que 
verifica a procedência do crédito fiscal e a pessoa que lhe é devedora e inscreve o débito desta. Por sua 
vez, para o art. 142 do CTN, lançamento é o procedimento administrativo que verifica a ocorrência do 
fato gerador da obrigação correspondente, determina a matéria tributável, calcula o montante do 
tributo devido, identifica o sujeito passivo e, sendo o caso, propõe a aplicação da penalidade cabível. 
Uma vez ocorrido o fato gerador, procede-se ao registro contábil do crédito tributário em favor da 
fazenda pública em contrapartida a uma variação patrimonial aumentativa. 
Observa-se que, segundo o disposto nos arts. 142 a 150 do CTN, a etapa de lançamento situa-se 
no contexto de constituição do crédito tributário, ou seja, aplica-se a impostos, taxas e contribuições de 
melhoria. 
Além disso, de acordo com o art. 52 da Lei nº 4.320/1964, são objeto de lançamento as rendas 
com vencimento determinado em lei, regulamento ou contrato. 
 
3.5.3. Arrecadação 
 
Corresponde à entrega dos recursos devidos ao Tesouro pelos contribuintes ou devedores, por 
meio dos agentes arrecadadores ou instituições financeiras autorizadas pelo ente. 
 
14 Existem receitas que, embora arrecadadas, podem não ter sido previstas. 
Parte I \u2013 Procedimentos Contábeis Orçamentários 
 
 
 Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público 57 
Vale destacar que, segundo o art. 35 da Lei nº 4.320/1964, pertencem ao exercício financeiro as 
receitas nele arrecadadas, o que representa a adoção do regime de caixa para o ingresso das receitas 
públicas. 
 
3.5.4. Recolhimento 
 
É a transferência dos valores arrecadados à conta específica do Tesouro, responsável pela 
administração e controle da arrecadação e programação financeira, observando-se o princípio da 
unidade de tesouraria ou de caixa, conforme determina o art. 56 da Lei no 4.320, de 1964, a seguir 
transcrito: 
 
Art. 56. O recolhimento de todas as receitas far-se-á em estrita observância ao princípio de unidade de 
tesouraria, vedada qualquer fragmentação para criação de caixas especiais. 
 
3.5.5. Cronologia das Etapas da Receita Orçamentária 
 
As etapas da receita orçamentária seguem a ordem de ocorrência dos fenômenos econômicos, 
levando-se em consideração o modelo de orçamento existente no país e a tecnologia utilizada. Dessa 
forma, a ordem sistemática inicia-se com a previsão e termina com o recolhimento, conforme 
fluxograma apresentado abaixo. 
No momento da classificação da receita, dependendo da sistematização dos processos dos 
estágios da arrecadação e do recolhimento, deverão ser compatibilizadas as arrecadações classificadas 
com o recolhimento efetivado. 
Há de se observar, contudo, que nem todas as etapas apresentadas ocorrem para todos os tipos 
de receitas orçamentárias. Como exemplo, apresenta-se o caso da arrecadação de receitas 
orçamentárias que não foram previstas, não tendo, naturalmente, passado pela etapa da previsão. Da 
mesma forma, algumas receitas orçamentárias não passam pelo estágio do lançamento, como é o caso 
de uma doação em espécie recebida pelos entes públicos. 
Em termos didáticos, a ordem das etapas da Receita Pública Orçamentária é a seguinte: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Previsão Lançamento Recolhimento Arrecadação 
Bancos Unidade de Caixa Caixas 
Classificação por 
Natureza da Receita 
Destinação 
Parte I \u2013 Procedimentos Contábeis Orçamentários 
 
 
58 Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público 
3.6. PROCEDIMENTOS CONTÁBEIS REFERENTES À RECEITA ORÇAMENTÁRIA 
 
3.6.1. Deduções da Receita Orçamentária 
 
O critério geral utilizado para registro da receita orçamentária é o do ingresso de 
disponibilidades. 
No âmbito da administração pública, a dedução de receita orçamentária é utilizada nas seguintes 
situações, entre outras: 
 
a. Recursos que o ente tenha a competência de arrecadar, mas que pertencem a outro ente, de 
acordo com a lei vigente (se não houver a previsão como despesa); e 
 
b. Restituição de tributos recebidos a maior ou indevidamente. 
 
Se a receita arrecadada possuir parcelas destinadas a outros entes (repartição tributária), a 
transferência poderá ser registrada como dedução de receita ou como despesa orçamentária, de acordo 
com a legislação em vigor. 
Se houver parcelas a serem restituídas, em regra, esses fatos não devem ser tratados como 
despesa orçamentária, mas como dedução de receita orçamentária, pois correspondem a recursos 
arrecadados que não pertencem à entidade pública e não são aplicáveis em programas e ações 
governamentais sob a responsabilidade do ente arrecadador, não necessitando, portanto, de 
autorização orçamentária para a sua execução. 
A contabilidade utiliza