SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA
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SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA


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SENTENÇA PENAL CONDENATÓRIA. ROUBO ARMADO EM CONCURSO DE AGENTES. TEORIA MONISTA E TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO.
PROCESSO N.º XXXXXX
AUTOR: MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL
RÉU: Paulo José da Silva
S E N T E N Ç A
I- RELATÓRIO
O Ministério Público Estadual, através de seu representante legal, no uso de suas atribuições legais e constitucionais, ofereceu denúncia em face de Paulo José da Silva, 20 anos, brasileiro, casado, autônomo, com residência anterior na Rua Dom Pedro III, n°. 100 São Paulo Capital, como incursos nas sanções do art. 157, § 2º, I, do Código Penal Brasileiro, com arrimo nos fatos que seguem.
Consta do incluso Inquérito Policial, que o réu foi preso em flagrante delito no dia 10 de Dezembro de 2016, sendo a prisão em flagrante convertida em Prisão Preventiva pela prática do crime descrito no art. 157, § 2º, I, do Código Penal Brasileiro, sob o fundamento da garantia da ordem pública, tendo em vista que o mesmo possui várias passagens por crime contra o patrimônio, inexistindo condenação definitiva em nenhuma delas. O réu foi indiciado e processado pelo Juiz da décima vara criminal de São Paulo Capital. A época do crime o réu tinha 20 anos de idade.
As testemunhas do flagrante, João Alberto, segurança particular, Soldado Bezerra, policial militar, foram arroladas pelo Ministério Público e, em juízo confirmaram que viram o réu deixando o local do fatos com uma arma de fogo, levando o veículo gol ano 2014 da vítima, sendo que a referida arma foi apreendida na casa do réu, mas o carro foi destruído pelo mesmo durante a fuga. A vítima também foi ouvida na polícia e em juízo reconheceu o réu como sendo o autor do roubo perpetrado. A vítima teve um prejuízo de R$20.000,00, conforme descrito no laudo pericial juntado aos autos. Durante o processo esse valor não foi recuperado pela vítima. As testemunhas de defesa Marcos de Souza e Carlos Alberto, afirmaram que réu é pessoa honesta, desconhecendo qualquer envolvimento do mesmo com a polícia.
O acusado José da Silva foi interrogado às fls. xx, tendo apresentado defesa prévia às fls. xx, oportunidade em que se reservou para apresentar a defesa de mérito quando das alegações finais. Foram arroladas testemunhas.
Às fls. xx, foram ouvidas as testemunhas de acusação João Alberto, segurança particular, Soldado Bezerra, policial militar.
Às fls. xx, foram ouvidas as testemunhas de defesa Marcos de Souza e Carlos Alberto.
Às fls. xx, este juiz encerrou a instrução, abrindo prazo para, primeira acusação e, após, defesa apresentarem suas alegações finais, no prazo legal.
O Ministério Público ofereceu alegações finais às fls. Xx/xx, oportunidade em que requereu a condenação o Ministério Público pede a condenação do réu, nos termos da denúncia requerendo a imposição de regime fechado para início do cumprimento da pena art. 157, § 2º, I, do Código Penal.
Os acusados apresentaram alegações finais às fls. 305/309, oportunidade em que sustentaram a ausência de provas contundentes; inépcia da denúncia, por ausência de delimitação e individualização das condutas; que não deve incidir, in casu, a majorante prevista no inciso II, do §2º, do art. 157, do Código Penal Brasileiro.
É o relatório, passo a decidir.
II - FUNDAMENTAÇÃO
QUANTO AO RÉU JOSÉ DA SILVA
Da Imputação Inicial.
Ao réu JOSÉ DA SILVA foi imputada a prática do crime previsto no art. 157, § 2º, I, do Código Penal Brasileiro.
A materialidade está comprovada com o lastro probatório coligido aos autos, ou seja, as provas testemunhais e o documento de fl. XX.
A participação, inobstante a negativa do acusado, também restou demonstrada, sobretudo pelo depoimento prestado pelas testemunhas João Alberto, segurança particular, Soldado Bezerra, perante o juízo, onde confirmaram que viram o réu deixando o local dos fatos com uma arma de fogo, levando o veículo gol ano 2014 da vítima. O réu também foi reconhecido pela vítima como autor do roubo perpetrado.
As testemunhas de defesa Marcos de Souza e Carlos Alberto, afirmaram que Paulo é pessoa honesta, desconhecendo qualquer envolvimento do mesmo com a polícia.
Quanto ao elemento objetivo do tipo penal, restou comprovada a ação pelas provas testemunhais e pelo reconhecimento do réu pela vítima.
Quanto à tese da defesa de que não haveriam provas suficientes para a condenação, entendo que não merece prosperar. O inquérito policial descreveu o delito cometido em todas as suas circunstâncias.
Por fim, aplicam-se as majorantes dos incisos I, do §2º, do art. 157, uma vez que segundo relato das testemunhas, o réu foi visto deixando o local com arma de fogo, não sendo necessário, portanto, efetuar disparos para que se evidencie a qualificadora. O simples porte e emprego de arma já bastam por si só para a qualificadora requerida.
Por todas as considerações acima, não se pode aplicar o princípio in dubio pro reo, já que, pelo lastro probatório coligido aos autos, não resta qualquer dúvida, seja quanto à participação ou quanto à materialidade delitiva.
Da Imputação Inicial.
Ao réu José da Silva foi imputada a prática do crime previsto no art. 157, § 2º, I do Código Penal Brasileiro.
 materialidade está comprovada com o lastro probatório coligido aos autos, ou seja, as provas testemunhais e o documento de fl. xx.
III \u2013 DISPOSITIVO.
Por todo o exposto, julgo procedente a denúncia, para condenar o réu JOSÉ DA SILVA, nas sanções do art. 157, §2º, I, do CPB.
Passo à fixação das penas cabíveis na espécie.
FIXAÇÃO DA PENA-BASE \u2013 Art. 59 do CPB.
Em análise da culpabilidade, observo que o grau de reprovabilidade do réu é elevado, pois por mera liberalidade optou em proceder no ato delitivo, sendo pessoa imputável e que poderia apresentar conduta diversa. Sobre os antecedentes, não existe registro de outra condenação, portanto, o réu é portador de bons antecedentes. A conduta social é boa. A sua personalidade não revela tendência enfermiça, denunciado pelo ato que praticou. Os motivos do crime foram reprováveis, eis que só pensou na obtenção do lucro fácil. As circunstâncias do crime não são favoráveis ao réu. As conseqüências do crime foram graves, pois causou prejuízo à vítima. 
Diante da análise supra, em sendo as condições judiciais desfavoráveis em sua maioria, fixo a pena-base em 04 (quatro) anos de reclusão e 10 (dez) dias-multa.
ATENUANTES E AGRAVANTES
Não há atenuantes ou agravantes.
 CAUSAS DE DIMINUIÇÃO OU AUMENTO
Vislumbro as causas de aumento do parágrafo segundo do art. 157 do CPB, derivada da utilização da arma de fogo, motivo pelo que aumento a pena em 1/3, a tornando definitiva em 5(anos) anos, 01 (um) meses e 33 (trinta e tres) dias de reclusão e 10 (dez) dias-multa, na razão de 1/30 do salário mínimo por dia-multa.
Não há tempo a ser detraído da pena, uma vez que o réu não cumpriu prisão provisória no curso do processo (CPP, art. 387, §2º).
Para regime de cumprimento pena privativa de liberdade acima aplicada fixo o fechado, considerando as circunstancias judiciais favoráveis ao acusado, nos termos do art. 33, §2º, a, e art. 33, §3º do CPB.
Incabível, na espécie, O SURSIS OU A SUBSTITUIÇÃO POR PENA RESTRITIVA DE DIREITOS, nos termos do art. 77 e 44 do CPB, diante da quantidade da pena e da violência e grave ameaça empregada nos delitos.
Atendendo ao disposto no art. 387, IV do CPP, fixo como valor mínimo de indenização para a reparação dos danos causados pela infração a importância de R$ 31.669,84 (trinta e um mil, seiscentos e sessenta e nove reais e oitenta e quatro centavos) considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido.
Condeno o réu, ainda, em custas e despesas processuais.
Permito ao réu o direito de recorrer em liberdade, por entender ausentes os pressupostos da prisão preventiva.
Transitada em julgado a sentença:
1) Seja lançado o nome do réu no rol dos culpados nos termos do art. 393, II do CPP, bem como providenciar o registro no rol dos antecedentes criminais.
2) Oficie-se à Justiça Eleitoral em atenção ao art. 15, III da Constituição Federal;