Direitos do Consumidor
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o em. Ministro Relator que \u201cna responsabilização do hospital por ato praticado por 
médico, não tem aplicabilidade a teoria objetiva\u201d, admitindo-a \u201capenas no que toca 
aos serviços única e exclusivamente relacionados com o estabelecimento empresarial 
propriamente dito, ou seja, aqueles que digam respeito à estadia do paciente (inter-
nação), instalações físicas, equipamentos, serviços auxiliares (enfermagem, exames, 
radiologia)\u201d.
Pois bem, melhor examinando a questão, conquanto não entenda inaplicá-
vel, em tese, a responsabilização objetiva de estabelecimento hospitalar, ainda que 
decorrente de ato de médico seu empregado ou preposto, nos termos, indistinta-
mente, dos arts. 933 c/c 932, III, do CC/2002, ou 14, caput, do CDC (cf., a respeito, 
CAVALIERI FILHO, Sergio. Programa de responsabilidade civil. 5. ed. São Pau-
lo: Malheiros Editores, 2004), tenho que, na hipótese sub judice perfaz-se inviável 
atribuí-la ao recorrente.
Com efeito, embasando-se o evento danoso exclusivamente na atuação médi-
ca culposa dos prepostos do recorrente, e excluída expressamente a respectiva ocor-
rência, verifica-se, por conseguinte, a supressão do próprio nexo de causalidade 
entre a conduta do hospital e a morte da menor, requisito imprescindível tanto à 
aferição da responsabilidade com base na teoria subjetiva como objetiva. Em ou-
tros termos, tenho que, in casu, da exclusão da culpa dos médicos resulta, conse-
quente e necessariamente, a exclusão do nexo causal entre a conduta do hospital 
e o evento danoso, imprescindível à responsabilização subjetiva ou objetiva do 
mesmo.
Consignadas tais ressalvas, acompanho, pela conclusão, o voto do em. Mi-
nistro Relator.
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE MÉDICO E HOSPITAL
STJ, 4a T., AgRg no AREsp. 209.711/MG, Rel. Min. Marco Buzzai, 
ac. 12.04.2016, DJe 22.04.2016
AGRG NO ARESP Nº 209.711 \u2013 MG 
(2012/0156489-0)
Agravante: Casa de Saúde Imaculada Conceição Ltda.
Advogados: Bernardo Ribeiro Camara e Outro(S); João Ribeiro de Oliveira e 
Outro(s)
Agravado: Antônio Carlos Silva Rezende
Advogado: Cimon Hendrigo Burmann de Souza e Outro(S)
Agravado: Rildo Eustáquio da Costa
Advogado: Flávio Freire e Outro(S)
Agravado: Beatriz Chaves de Paula Coelho e Outros
Advogado: Marcos Campos de Pinho Resende e Outro(S)
EMENTA
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) \u2013 AÇÃO 
CONDENATÓRIA \u2013 RESPONSABILIDADE CIVIL \u2013 ERRO MÉDICO \u2013 HOSPI-
TAL \u2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA \u2013 DECISÃO MONOCRÁTICA QUE 
NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO. IRRESIGNAÇÃO DA CASA DE SAÚDE.
1. Nos termos do art. 14 do CDC, quando houver uma cadeia de fornecimen-
to para a realização de determinado serviço, ainda que o dano decorra da atuação 
de um profissional liberal, verificada culpa deste, nasce a responsabilidade solidá-
ria daqueles que participam da cadeia de fornecimento do serviço, como é o caso 
dos autos. Precedentes.
2. Agravo regimental desprovido.
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, 
acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por 
unanimidade, negar provimento ao agravo regimental interposto por CASA DE 
SAÚDE IMACULADA CONCEIÇÃO LTDA, nos termos do voto do Sr. Ministro 
Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti 
(Presidente) e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator.
Brasília (DF), 12 de abril de 2016 (Data do Julgamento)
MINISTRO MARCO MUZZI, Relator
Parte II \u2022 Cap. II \u2013 Responsabilidade Civil na Prestação de Serviços Médicos e Hospitalares | 85
RELATÓRIO
O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): 
Cuida-se de agravo regimental, interposto por CASA DE SAÚDE IMACU-
LADA CONCEIÇÃO LTDA, em face de decisão de fls. 3.306-3.310, e-STJ, da lavra 
deste signatário, em que se negou provimento ao agravo (art. 544 do CPC/73).
O apelo extremo, de sua vez manejado com fundamento nas alíneas \u201ca\u201d e \u201cc\u201d 
do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça 
do Estado de Minas Gerais, assim ementado:
APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO. ERRO MÉDICO. NEGLIGÊNCIA E IM-
PERÍCIA. RECÉM-NASCIDA. QUADRO DE RISCO. NÃO ENVIO DA INFANTE 
AO ESPECIALISTA COMPETENTE. CULPA DELINEADA. HOSPITAL. FORNE-
CIMENTO DE SERVIÇOS. FATOS OCORRIDOS EM SUAS DEPENDÊNCIAS. 
SITUAÇÃO EM QUE SE DELINEOU SEU PERFIL DE FORNECEDOR DE SER-
VIÇOS. CULPA DECORRENTE DE ATO DE MÉDICOS SÓCIOS-QUOTISTAS. 
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO MESMO HOSPITAL. INCIDÊNCIA. EXA-
MES IMPRESCINDÍVEIS. NÃO REALIZAÇÃO. DIAGNÓSTICO PRECOCE. INO-
CORRÊNCIA. AGRAVAMENTO DO QUADRO. TRATAMENTO AGRESSIVO E 
PROLONGADO. AUSÊNCIA DE PROVA DE QUE A DOENÇA INCIDIU MUITO 
POSTERIORMENTE AO PARTO. DANOS MATERIAIS E MORAIS. OCORRÊN-
CIA. LUCROS CESSANTES. ACOMPANHAMENTO DO TRATAMENTO PELA 
MÃE. ÓBICE DO EXERCÍCIO DA SUA PROFISSÃO. CONFIRMAÇÃO DA PE-
RÍCIA. CABIMENTO. \u2013 Delineada a hipótese em que a criança recém-nascida apre-
sentava efetivamente fatores de risco para a displasia do desenvolvimento do quadril, 
impunha-se ao médico pediatra, que acompanhou o parto, além do dever de realizar 
exames de ultrassonografia, o imediato encaminhamento dela ao ortopedista pedia-
tra, para que esse último, no exercício da competência de sua especialidade, pudesse 
efetivar os necessários exames impostos pela existência evidente dos ditos fatores de 
risco. \u2013 Em medicina, a obrigação é de meio, de utilização de todos os meios adequa-
dos e necessários em prol do paciente. No caso, o contexto, em seu aspecto concreto, 
de percepção imediata, em que os fatores de risco se fizeram evidentes, a prudente 
utilização do meio de verificação da existência, ou não, da moléstia, por via da ultras-
sonografia, se impunha. A hipótese de a ultrassonografia poder apresentar quadro 
de falso-positivo ou falso-negativo não erradicava tal dever, porque tal hipótese não 
eliminava a possibilidade de eventual sucesso na identificação da doença, ou seja: a 
ultrassonografia não implicava somente possibilidade de resultados falso positivos 
ou falso negativos, mas poderia implicar, também, resultado concretamente eficaz. 
\u2013 Mais, o não encaminhamento da criança ao especialista em ortopedia pediátrica 
implicou a retirada da possibilidade da neonata de ter sido atendida por quem de 
direito, técnica e cientificamente habilitado, e isso delineou, por parte do médico-pe-
diatra, violação dos deveres de competência e de prudência, de molde a caracterizar 
a culpa. \u2013 Esse mesmo dever se estendeu ao médico que subsequentemente passou 
a cuidar da criança, como seu pediatra, porque lhe cumpria indagar do histórico do 
nascimento e, de ciência dele, impunha-se-lhe, igualmente, requestar a ultrassonogra-
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fia e, sobretudo, o envio da infante ao ortopedista pediatra. \u2013 Anotações superficiais, 
com uso de notações léxicas, evidenciando prática de natureza criptográfica, na \u201cFo-
lha de Berçário\u201d da neonata, assinalando que as suas extremidades, tronco e coluna 
seriam bons, por si só não permitem a ilação de que os exames de Barlow, Ortolani 
e Pistonagem teriam sido realizados, porque a indicação de realização de um exame 
deve ser expressa de modo claro, analítico e com manifesta referência nominativa, 
senão, obviamente, estar-se-ia proporcionando um verdadeiro bill de indentidade ao 
médico a quem cumpre a sua realização, sendo de notar que, no caso, a enfermeira 
foi quem preencheu a Folha de Berçário, conforme por ela dito em seu depoimento, 
o que dá mais vulto à culpabilidade do médico. \u2013 O fato de se ter subtraído da infante 
o direito aos imediatos exames de ultrassonografia e manobras de Barlow, Ortolani 
e Pistonagem, logo após seu nascimento e nos meses imediatamente subsequentes, 
diante do visível contexto em que os fatores de risco da doença se avultavam, implicou