Psicomotricidade
32 pág.

Psicomotricidade


DisciplinaPsicomotricidade2.703 materiais10.342 seguidores
Pré-visualização9 páginas
Sensação = sentir = sentidos = reflexos das diferentes qualidades e propriedades dos objetos ou agentes da natureza. Impressão causada num órgão de sentido por um estímulo.
Sincinesia = perturbação da execução de um gesto voluntário acompanhada da execução de outros gestos não controlados pelo sujeito.
Sinestesia = Sinestésica = provocação por um estímulo de uma determinada sensação; associação imediata e espontânea entre estímulos e sensações distintas.
A sinestesia é um fenômeno psicológico, no qual um estímulo em determinado órgão de sentido provoca a resposta/sensação em outro (um cheiro que estimula as papilas gustativas, um som que estimula reflexos visuais).
Somatognosia = somato/corpo + gnosia/conhecimento = é a tomada de consciência do corpo na sua totalidade e respectivas partes, intimamente ligadas e interligadas com a evolução dos movimentos, ou seja, é a consciência corporal através da vivencia e convivência diária.
 
2. Origem, histórico e desenvolvimento do conhecimento na Psicomotricidade.
O termo Psicomotricidade surge no discurso médico, mais precisamente na área neurológica onde no inicio do séc. XIX surgiu à necessidade de nomear as zonas do córtex cerebral situadas mais além das regiões motoras, com o desenvolvimento e as descobertas da neurofisiologia houve a diferenciação entre disfunções graves e disfunções sem lesões cerebrais. São descobertos distúrbios de atividade gestual e da atividade práxica que não poderiam ser explicadas como patologias neurológicas, partindo desta necessidade médica de explicar certos fenômenos clínicos que surge a psicomotricidade no ano de 1870.
 
Temos vários estudiosos que contribuíram na construção e desenvolvimento dos conhecimentos em psicomotricidade entre eles: Vygotsky, Dupré neuropsiquiatra, Henry Wallon (médico e psicólogo), Edouard Guilmain (neurologista), Julian Ajuriaguerra (psiquiatra), Aleksandr Luria (psicólogo), etc. Para nosso estudo consideraremos o trabalho de quatro deles: Aleksandr Luria (1981), Henry Wallon(1986), Julian Ajuriaguerra (1983), Vitor Fonseca (1988).
 
Luria foi pioneiro no estudo da neuropsicologia, contemporâneo e seguidor do trabalho de Vygotsky. Estudou o mecanismo do cérebro e seus sistemas funcionais, para Luria um comportamento ou conduta é resultado da coordenação de áreas em interação no cérebro. Para melhor entendimento Luria dividiu o funcionamento cerebral em sistemas ou unidade funcionais, cada unidade desempenha função especifica na realização de ações.
 
Primeira unidade funcional de Luria: ATENÇÃO. Esta unidade controla a entrada de estímulos do exterior para o interior, controla as funções de sobrevivência, vigilância tônico-postural.
 
Segunda unidade funcional de Luria: CODIFICAÇÃO. Está unidade controla o desenvolvimento das noções do corpo e sua parte.
 
Terceira unidade funcional de Luria: PLANIFICAÇÃO. Está unidade controla a saída, ou seja, a resposta do corpo a estímulos do meio representa o nível mais elaborado de desenvolvimento, pois é a realização, concretização, execução das ordens cerebrais em forma de movimento.
 
Para Wallon (1970) o movimento tem um significado de relação e de interação afetiva com o mundo exterior. No trabalho de Wallon o mais relevante para o nosso estudo da psicomotricidade é o entendimento das fases do corpo vivido, do corpo percebido e do corpo representado.
 
No trabalho de Ajuriaguerra vasto estudo sobre somatognosia, que é entendida por ele como sendo a tomada de consciência do corpo na sua totalidade e respectivas partes, intimamente ligadas e inter-relacionadas com a evolução dos movimentos intencionais, isto é, a tomada de consciência do corpo como realidade vivida e convivida.
Ajuriguerra propôs uma organização psicomotora relacionada com as unidades funcionais de Luria:
 
Organização do alicerce psicomotor: Que corresponde ao nascimento e a utilização da atividade reflexa. Esta fase tem como principal função a aquisição do sistema postural na qual todas as competências mais complexas irão se apoiar.
 
Organização do plano motor: Esta fase subtende um corpo com uma totalidade de dados vividos, experenciados, corporalizados, permitindo a criança uma projeção perceptiva do mundo, isto é, promovendo uma integração do espaço, do tempo, do outro e do eu, para imersão no universo simbólico.
 
Automatização (das aquisições): Possibilitada pela interiorização de todas as aquisições práxicas anteriores, que se reorganizam diante das necessidades adaptativas, levando a criança a novas aquisições.
 
Em seu trabalho Fonseca (2003, 2008) pontuou para cada unidade funcional de Luria algumas bases ou elementos psicomotores que são adquiridos a cada fase do desenvolvimento infantil de 0 a 7 anos.
Para a 1ª unidade funcional de Luria, Fonseca coloca o desenvolvimento da tonicidade/tônus e equilibração/equilíbrio estático-dinâmico.
Para a 2ª unidade funcional de Luria, Fonseca coloca o desenvolvimento e funcionamento dos seguintes elementos psicomotores: esquema corporal, imagem corporal, lateralização/lateralidade, estrutura espaço-temporal.
Na 3ª funcional de Luria, Fonseca coloca o desenvolvimento e funcionamento dos seguintes elementos psicomotores: Praxia global ou coordenação motora grossa ou coordenação motora global; Praxia distal ou coordenação motora fina.
 
O quadro abaixo aborda a relação entre o sistema funcional de Luria e os estudos de Ajuriguerra, Wallon e Fonseca em relação ao desenvolvimento psicomotor.
 
DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR DE 0 A 7 ANOS
Luria 1981 Ajuriagerra 1983 Wallon 1986 Fonseca 1988
1ª Unidade funcional Atenção Organização do Alicerce Motor Corpo Vivido Equilibração e Tonicidade
 
2ª Unidade funcional Codificação Organização do Plano Motor Corpo Percebido Esquema e Imagem corporal Lateralização Estrutura Espaço-Temporal
 
3ª Unidade funcional Planificação Automatização das Aquisições Corpo Representado Praxia Global e Praxia Distal
 
 
3. A Psicomotricidade e sua relação com o ritmo, à percepção e a aprendizagem
3.1 Os Pilares da Psicomotricidade
 
PSICOMOTRICIDADE
Estimulação Psicomotora
Poder Fazer
Sistema reticular
Atenção
Interação com o meio
Querer Fazer
Sistema Límbico
Motivação
Controle das emoções
Saber Fazer
Córtex Cerebral Cognição
Memória
 
APRENDIZAGEM
\u201cO querer fazer\u201d- Sistema Límbico
É a unidade responsável pelas emoções (conjunto de reações frente a uma sensação). As estruturas cerebrais que participam do sistema límbico são: Amigdala, hipocampo, tálamo, hipotálamo e tronco cerebral. O sistema límbico controla as emoções primarias (relacionadas às necessidades imediatas de sobrevivência-fome, sede, medo, raiva, etc); e as emoções secundarias (ligadas a reações mais complexos do individuo como ansiedade, prazer, amor, satisfação).
 
\u201cO poder fazer\u201d- Sistema Reticular
É a unidade responsável pela regulação dos estados de alerta e vigilância \u2013 Atenção. A estrutura cerebral do sistema reticular é o tronco cerebral, estrutura mediadora entre os estímulos externos e o meio interno.
 
\u201cO saber fazer\u201d- Córtex Cerebral
O córtex cerebral é responsável por funções mentais complexas e desenvolvidas, como, a linguagem, percepção, cognição, memória e emoções. Nele estão armazenadas as representações simbólicas que permite ao sujeito responder com uma ação as solicitações do meio.
 
Estimulo \u2013 representa \u2013processa \u2013 integra \u2013 Resposta
 
3.2 O Ritmo
O ritmo pode ser conceituado como a ordenação constante e periódica de um ato motor. A palavra ritmo vem do grego rythmós que significa movimentos ondulares, indicando uma alternância regular de força, velocidade e duração que pode ser motora, visual ou auditiva. O ritmo do movimento é uma alternância regular entre a contração e o relaxamento pode ser forte ou fraco, rápido ou lento, acelerado ou retardado, súbito ou hesitante e de durações diferentes (HOLLE, 1990).
O apoio de uma educação rítmica e gestual de base para a criança é de suma importância, pois, as atividades rítmicas possibilitam a estruturação do