Psicomotricidade
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esquema corporal, da lateralidade, da coordenação motora, etc.
 
3.3 A Percepção
Entendemos por percepção a relação que o individuo estabelece consigo mesmo e com o meio em que vive. Perceber é adquirir conhecimento de algo ou alguém pelas informações dos órgãos de sentido. É a capacidade de receber e interpretar os estímulos do mundo exterior e do próprio corpo.
A percepção desenvolve primeiramente ao redor do próprio corpo partindo então para o espaço e tempo, do meio ambiente e depois para o objeto. A percepção se difere da sensação, pois, a sensação nos remete aos sentidos (tato, olfato, paladar, audição e visão) que nos permiti sentir, experimentar algo por meio das impressões/informações causadas aos órgãos de sentido. Podemos definir a sensação como sendo o reflexo das diferentes propriedades e qualidades dos objetos ou agentes da natureza.
A percepção esta intimamente ligada à inteligência, pois, um vocabulário perceptivo rico torna o sujeito mais consciente dos seus atos e do mundo ao seu redor. A inteligência é resultante dialética da experiência motora integrada e interiorizada, isto é, assimilada pelo sistema (organismo). Resultado do diálogo entre desconhecido e o aprendido que será totalizado e incorporado.
 
3.4 Aprendizagem
Entendemos que para haver desenvolvimento no ser humano é necessário alterações na SOMA e na PSIQUE que ocorrerão por meio da aprendizagem. A aprendizagem é a modificação de atitudes e comportamentos; busca de informações; aquisição de habilidades, que irão ocorrer por meio da vivencia, exploração, manipulação, experimentação da criança no seu meio ambiente.
 
No caso das aprendizagens escolares (ler, escrever e somar) a transformação deverá ter apoio em aprendizagens, anteriormente conseguidas e conservadas, a partir das quais a introdução de novos elementos será permitida. Para a leitura a criança terá que vivenciar na prática, ou seja, corporalmente e mentalmente os símbolos (letras e números) para que ocorra a incorporação sensorial e motora dos mesmos.
 
Sendo assim a utilização das ações psicomotoras na educação infantil se justificam, pois, é através das vivencias corporais, rítmicas e lúdicas; que será possível a interação de novos conhecimentos ao sujeito.
 
4 O Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem
Para que possamos entender o desenvolvimento global do individuo é necessário o estudo dos aspectos motores, sensoriais, perceptivos, cognitivos e afetivos presentes na aquisição das competências indispensáveis a aprendizagens escolares e cotidianas.
 
Primeiro vamos relembrar dois princípios do desenvolvimento:
1. Princípio Céfalocaudal, o desenvolvimento ocorre da cabeça para a cauda. Como o cérebro desenvolve-se muito rapidamente antes do nascimento, a cabeça de uma criança é desproporcional ao corpo, diminuindo essa diferença com o passar dos anos.
2. Princípio Próximo-Distal, o crescimento e o desenvolvimento motor ocorrem da linha medial para a distal do corpo, ou seja, do centro para as extremidades.
 
4.1 Aspectos Cognitivos do Desenvolvimento Psicomotor
A inteligência é o conjunto de capacidades mentais subjacentes ao comportamento inteligente \u2013 é influenciada tanto pela herança quanto pela experiência. A inteligência permite que as pessoas adquiram, lembrem, e usem o conhecimento, compreendam conceitos e relações, e resolvam problemas da vida cotidiana. Vamos relembrar algumas teorias que explicam a aquisição das capacidades cognitivas.
 
A abordagem behaviorista (comportamentalista) estuda a mecânica básica da aprendizagem. Investiga como o comportamento muda em resposta à experiência.
 
O condicionamento clássico permite que os bebês prevejam um evento antes de ele acontecer, estabelecendo associações entre estímulos (como a câmera e o flash) que regularmente ocorrem juntos. A aprendizagem adquirida por condicionamento clássico desaparece ou se extingue se não for reforçada.
 
No condicionamento operante o aprendiz age ou opera sobre o ambiente. O bebê aprende a dar uma determinada resposta a um estímulo ambiental (sorrindo ao ver os pais) para produzir um determinado efeito (atenção dos pais). Os estudos que utilizam o condicionamento operante têm sido utilizados para testar a memória dos bebês.
 
A abordagem piagetiana observa mudanças ou estágios na qualidade do funcionamento cognitivo. Investiga como a mente estrutura suas atividades e adapta-se ao ambiente.
 
Enquanto o psicometrista mede as diferenças individuais na quantidade de inteligência que crianças (ou adultos) possuem, Piaget observou o modo como o pensamento das crianças desenvolvia-se durante a infância e a adolescência e propôs sequências universais de desenvolvimento cognitivo.
 
1º SENSÓRIO MOTOR: o estágio sensório motor é composto de seis subestágios:
 
No primeiro subestágio (do nascimento até aproximadamente 1 mês), ao exercitarem seus reflexos inatos, os neonatos adquirem certo controle sobre eles. Eles começam a apresentar um determinado comportamento mesmo quando o estímulo que normalmente o provoca não está presente.
 
No segundo subestágio (1 a 4 meses), os bebês aprendem a repetir uma sensação corporal agradável primeiramente obtida por acaso (como, por exemplo, sugar o polegar).
 
O terceiro subestágio (4 a 8 meses) coincide com um novo interesse em manipular objetos e aprender sobre suas propriedades. Ações intencionais repetidas não apenas por seu próprio valor, mas paraobter resultados que vão além do próprio corpo.
 
Quando atingem o quarto subestágio, coordenação de esquemas secundários (8 a 12 meses), os bebês já elaboraram os poucos esquemas corporais com os quais nasceram, engatinham para conseguir algo que querem pegar, ou afastam algo que os atrapalhe. Esse estágio, portanto marca o início do comportamento intencional.
 
No quinto subestágio (12 a 18 meses), os bebês começam a experimentar novos comportamentos para ver o que acontece. Depois que começam a caminhar, podem explorar o ambiente com mais facilidade.
 
O sexto subestágio, associações mentais (em torno dos 18 meses a 2 anos), é uma transição para o estágio pré-operacional da segunda infância. Desenvolve-se a capacidade representacional, isto é, a capacidade de representar mentalmente objetos e ações na memória, principalmente através de símbolos, como palavras, números e imagens mentais.
 
2º PRÉ-OPERACIONAL: (2/3 a 6 anos) uso de símbolos, mundo imaginário, a criança tem sua própria visão da realidade.
 
3º OPERAÇÕES CONCRETAS: (5/6 a 8 anos) regras e estratégias, adição e subtração e qualidades dos objetos.
 
4º OPERAÇÕES FORMAIS: (acima de 12 anos)
A abordagem do processamento de informações se concentra nos processos evolvidos na percepção, aprendizagem, memória e resolução de problemas. Procura descobrir o que às pessoas fazem com as informações antes de utilizá-las.
Muitas pesquisas sobre processamento de informações com bebês baseiam-se na habituação, um tipo de aprendizagem em que a repetida ou contínua exposição a um estímulo (como a réstia de luz) reduz a atenção àquele estímulo. Em outras palavras, a familiaridade gera a falta de interesse. À medida que se habituam, os bebês transformam o novo em familiar, o desconhecido em conhecido (Rheingold, 1985). Um novo som ou uma nova imagem, contudo, pode despertar a atenção do bebê, fazendo com que ele volte a parar de mamar. Este aumento do interesse em um novo estímulo é chamado desabituação.
 
A abordagem da neurociência cognitiva examina o hardware do sistema nervoso central. Ela procura identificar que estruturas cerebrais estão envolvidas em aspectos específicos da cognição.
 
A crença de Piaget de que a maturação biológica é um fator importante no desenvolvimento cognitivo era apenas uma suposição. Hoje, a pesquisa em neurociência cognitiva, o estudo das estruturas cerebrais que regem o pensamento e a memória, confirmam essa ideia.
 
A memória explícita é a lembrança consciente ou intencional, geralmente de fatos, nomes, eventos ou outras coisas que as pessoas podem afirmar