PEB - Politica externa brasileira
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PEB - Politica externa brasileira


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Guerra Fria. A intenção era se aproximar dos países recém-independentes e também do bloco socialista, prezando pelo multilateralismo, mas sem perder o contato com países-parceiros tradicionais.
POLÍTICA EXTERNA NA DITADURA MILITAR (1964-1985)
Não é possível dizer que houve uma política externa própria da ditadura militar, no sentido de que as diretrizes da PEB não foram contínuas durante os vinte e um anos de regime (1964-1985). Inclusive, talvez esse seja o período em que seja mais visível o movimento pendular de aproximação-distanciamento em relação aos EUA.
Se, num primeiro momento, a ideia de aliado especial da grande potência \u2013 americanismo, conforme colocado pela autora Letícia Pinheiro \u2013 pautava a maior parte das ações brasileiras do exterior, após meados da década de 1970 \u2013 principalmente após o governo do general Geisel (1974-1979) \u2013 a ideia de universalismo volta à pauta da agenda externa brasileira, em consonância com um projeto de desenvolvimento nacional.
Vale lembrar que o contexto era de crise, devido aos choques do petróleo. Foram retomadas, assim, algumas das ações e diretrizes da Política Externa Independente, principalmente tendo em vista a diversificação de parceiros comerciais para as exportações brasileiras. A esse movimento é atribuída a ideia de pragmatismo da Política Externa. Desse modo, é possível compreender a aproximação do governo militar com a China, países da África e do Oriente Médio.
POLÍTICA EXTERNA NOS ANOS DO NEOLIBERALISMO
Os anos 1990 marcam um novo momento da PEB. Enquanto na década de 1980 a política externa esteve em segundo plano na agenda política brasileira, por causa da crise econômica e social que atingiu o país, na década seguinte a agenda externa foi marcada pela busca de credibilidade no cenário internacional, principalmente no que diz respeito à questão econômica e financeira.
As ações do Brasil no exterior são marcadas pela ampliação da participação em organizações internacionais e outros foros multilaterais, além da adesão aos mais variados tipos de tratados e acordos internacionais, a fim de garantir uma boa imagem do país em nível global. É nesse sentido, por exemplo, que podemos compreender o Brasil ter assinado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), após trinta anos de recusa em assiná-lo.
Essa nova postura da PEB se encaixava no contexto de instauração de um projeto neoliberal no país. Grande importância passou a ser atribuída às instituições internacionais, principalmente as financeiras: Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial. Ainda que seja difícil afirmar que houve um alinhamento direto com os EUA, as relações com parceiros tradicionais e grandes potências predominaram no período. No entanto, maior atenção foi direcionada para o âmbito regional e aos países vizinhos, sobretudo em oposição à proposta de formação da Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA. O Mercosul também surgiu nesse contexto, em 1991.
POLÍTICA EXTERNA DOS ANOS 2000
A PEB nos anos 2000 é marcada pelo retorno de alguns princípios da Política Externa Independente. O crescente descontentamento com o projeto neoliberal e a ascensão de movimentos de esquerda não só no Brasil, mas na América do Sul em geral, permitiu que alguns aspectos do projeto desenvolvimentista fossem retomados, impactando consideravelmente a atuação brasileira no exterior.
De modo semelhante à Política Externa Independente, a PEB dos anos 2000 esteve voltada para a diversificação de parcerias comerciais e políticas. Grande prioridade foi dada aos países vizinhos e à integração regional, além de ser ampliada a aproximação com os países do Sul político \u2013 sob a ideia de Cooperação Sul-Sul \u2013 e com países em desenvolvimento, como China, Rússia, Índia e África do Sul. É nesse contexto que arranjos políticos como os BRICS, o IBAS e a Unasul são criados.
Os anos 2000 foram marcados pela atuação constante e assertiva do Brasil no plano internacional, tanto no que diz respeito à participação em organizações internacionais e foros multilaterais, como em relações bilaterais.
A agenda externa brasileira, normalmente voltada para questões comerciais também foi consideravelmente ampliada. A liderança do braço militar da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) e a iniciativa em negociar, junto à Turquia, a questão do programa nuclear do Irã são exemplos dessa atuação ativa do Brasil no plano externo.
PARA CONCLUIR
Nota-se que os momentos da PEB têm relação direta com o que ocorre em nossa política interna, além de acompanhar as tendências e cenários internacionais. Sendo assim, é possível compreender que, desde 2012, a política externa tem ficado em segundo plano, dada a crise econômica e política vigente no Brasil. Os rumos da PEB dependerão, portanto, de um projeto ou plano de governo que busque estabelecer quais serão os objetivos do país nas relações internacionais nos próximos anos.