Apostila Cinesioterapia Basica
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Apostila Cinesioterapia Basica


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temporários ou definitivos dos trabalhadores (KNOPLICH, 1995). 
A lombalgia é uma dor relatada na região lombar, que pode ocorrer sem motivo aparente, mas 
geralmente é relacionada a algum tipo de trauma com ou sem esforço. A lombalgia pode ter origem em 
várias regiões: em estruturas da própria coluna, em estruturas viscerais; pode ainda ter origem vascular 
ou origem psicogênica (CORRIGAN & MAITLAND, 2000). Podem ser classificada como estática, 
quando é causada por uma má postura, também conhecida por um quadro postural, e cinética quando é 
decorrente da uma biomecânica de forma incorreta ou por sobrecargas cinéticas. (MCKENZIE apud 
CAILLIET, 1999). Na verdade qualquer tentativa de classificação pode ser discutível, pois não existe 
um consenso sobre o assunto. (CARVALHO & MOREIRA, 1996). São também classificadas de acordo 
com patologia, as estruturais (mecânicodegenerativas: protusões discais, osteoartrose), as inflamatórias 
(espondilites), as doenças ósseas metabólicas (osteoporose), as neoplasias (tumores), as dores referidas 
(pélvicas, renais), e as não específicas (fibromialgias). 
Curiosamente, vários estudos relatam com freqüência não haverem relação entre alguns sintomas 
de lombalgias e achados radiológicos, assim como alguns achados radiológicos deveriam apresentar a 
sintomatologia, que não aparece (TAVERAS, apud MOREIRA & CARVALHO, 1996; CECIN, 1993). 
A dor é decorrente de forças excessivas, sejam externas ou internas. São consideradas forças 
excessivas as atividades repetidas como extensão, flexão, e/ ou rotação excessivas de um segmento 
corporal, e chamadas de \u201cperturbadoras\u201d as forças internas que enfraquecem a função 
neuromusculoesquelética, portanto considerada excessivas ou inadequadas, entre elas a fadiga, o ódio, a 
depressão, a falta de atenção, a ansiedade, falta de treinamento e a distração; que podem ser decorrentes 
de fatores psicogênicos e psicossociais como stress e falta de motivação (GRANATA & MARRAS, 
1999; MARRAS, 2000). 
Aproximadamente 50% a 80% de toda a população adulta será afetada pela dor lombar uma vez 
em suas vidas (ANDERSON, 1981). É a causa mais comum de limitação das atividades de vida diária 
nas pessoas com 45 anos ou menos. Destes acometimentos 44% estavam melhores em duas semanas, 
86% em um mês, e 92% em dois meses, sendo que apenas 8% sofria de dor por mais de dois meses. Mas 
as chances de haverem reincidências são de 90%, onde 35% desses desenvolvem para uma dor lombar 
acompanhada de irradiação para os membros inferiores (MCKENZIE, 1997). 
Tradicionalmente, os estudos epidemiológicos investigam as contribuições dos riscos em 
trabalho pesado, movimentos ao erguer uma carga, inclinação e rotação, vibrações, e posições estáticas. 
Revisões críticas encontraram fortes evidências de fatores de riscos de lombalgias entre movimentos de 
força ao erguer uma carga, inclinar e torcer, tanto quanto relacionados às vibrações de todo o corpo. Mas 
existem moderadas evidências dos riscos associados as lombalgias quanto aos trabalhos fisicamente 
pesados, mas sem literaturas para suportar evidências entre postura estática e lombalgia. (MARRAS, 
2000) Sabe-se que é uma síndrome de etiologia multifatorial e atualmente as investigações dos fatores 
de risco em trabalhadores ainda permanecem inconclusivas (KEYSERLING, 2000). 
A coluna lombar é localizada na parte inferior da coluna, compreendida pelo tórax e pelo quadril. 
É formada por cinco vértebras que possuem características próprias. Possuem o corpo volumoso, sendo 
seu diâmetro transverso maior que no sentido antero-posterior. O forame vertebral é triangular, os 
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pedículos são curtos e nascem na parte superior do corpo. Os processos transversos se posicionam para 
trás e para cima, com um tubérculo acessório e outro mamilar. As facetas articulares superiores são 
côncavas e dispõem no sentido póstero-medial, enquanto as facetas inferiores são convexas no sentido 
antero-lateral. Os processos espinhosos são longos, largos e horizontais. 
O suporte e a estabilidade da coluna lombar são feitos pelas facetas articulares, pelos ligamentos, 
discos intervertebrais, fáscias e aponeuroses toracolombares (grande dorsal, serrátil posterior inferior, 
oblíquos internos, abdominais transversos) e pelos outros músculos que estabilizam dinamicamente a 
coluna. 
Entre as vértebras existe um disco constituído de um anel fibroso e um núcleo pulposo, fazendo 
parte da unidade funcional da coluna vertebral. O disco intervertebral lombar é abundantemente 
inervado, recebendo ramos nervosos comunicantes cinzas dos ramos ventrais e dos nervos 
sinuvertebrais. Essas terminações nervosas são encontradas na superfície lateral e dentro do anel fibroso. 
Biomecanicamente, em uma flexão lombar, a porção anterior do disco é comprimida, enquanto a 
posterior é liberada. Em um disco saudável, o núcleo pulposo não deve mover-se, apenas ocorrem leves 
distorções devido a maior sobrecarga em uma porção do disco. Na extensão ocorre o oposto, a parte 
posterior é comprimida enquanto a anterior é liberada. Conseqüentemente, as compressões aplicadas ao 
disco podem ser a fonte primária de lombalgia. 
Grande parte dos consultórios especializados em disfunções ortopédicos e/ ou reumáticas 
recebem significativo número de consultas devido as dores lombares. Estas relacionadas aos esforços 
físicos da coluna e as posturas requisitadas durante o trabalho. Grande parte das atividades são 
desempenhadas com flexão estática e dinâmica da coluna lombar, carregar ou levantar objetos que 
encontram-se no chão, muitas vezes pesados, rotações de tronco, e utilização constante dos membros 
superiores, sendo que todos os exercícios são realizados em posição ereta. 
Os tratamentos das dores lombares mantêm controversas hoje como a cinqüenta anos atrás. 
Durante os anos foram usados tratamentos com calor e frio, repouso e exercícios, flexões e extensões, 
mobilizações e imobilizações, manipulações e trações, entre vários outros tratamentos. A prescrição de 
medicamentos vem sendo utilizada indiscriminadamente, mesmo em casos onde a lombalgia fora 
provada ser puramente mecânica (MCKENZIE, 1997). 
Com o alto e crescente índice das dores lombares, várias técnicas diferentes de tratamento foram 
criadas nas ultimas décadas por terapeutas do mundo todo. Serão abordados nesta pesquisa dois 
tratamentos que segundo a literatura e experiências clínicas tem obtido excelentes resultados. O método 
Mckenzie, desenvolvido pelo fisioterapeuta Robin Mckenzie, graduado pela Faculdade de Fisioterapia 
da Nova Zelândia que desenvolveu seu método por volta de 1956. 
O Dr. Robin Mckenzie acreditava que as dores lombares tinham três mecanismos responsáveis 
pela causa da dor. A Síndrome de Postura, causada por uma deformação mecânica dos tecidos moles 
adjacentes aos segmentos vertebrais. A Síndrome de Disfunção, causada por um encurtamento ou 
aderência tecidual causada pela má postura ou por contratura do tecido fibro-colagenoso desenvolvido 
após um trauma. E o terceiro e último mecanismo, a Síndrome do Desarranjo causada por um 
deslocamento do disco intervertebral. 
De acordo com Mckenzie a coluna vertebral possui curvaturas que para absorver os choques e 
permitir maior flexibilidade. Se levarmos como base o índice raquidiano de Delmas e a fórmula R= 
N²+1, onde R é a resistência da coluna e N é o número de curvaturas, chega-se à conclusão que a teoria 
de Mckenzie é pertinente. A dor lombar seria causada pela tensão muscular ou estiramento dos 
ligamentos e outros tecidos moles. Isso geralmente ocorre com a manutenção dos maus hábitos 
posturais, excesso de flexões e posições relaxadas, ou seja, qualquer posição onde a coluna lombar tende 
a retificar-se. Outras causas comuns que podem ocorrer são as forças externas aplicadas na coluna 
provocando tensão nas estruturas, levantamento de objetos excessivamente pesados e posição