DESENVOLVIMENTO MOTOR DO PC
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DESENVOLVIMENTO MOTOR DO PC


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do que os inferiores.
Conve´m ressaltar que inicialmente o casal Bobath classificou topogra-
ficamente o to\u2c6nus em hemiplegia, diplegia e quadriplegia. Pore´m, atual-
mente estas expresso\u2dces sa\u2dco utilizadas somente quando ha´ comprometimento
dos segmentos corporais como descrito anteriormente, somado a ause\u2c6ncia
de movimento volunta´rio. A plegia e´ considerada a total falta de forc¸a
para a realizac¸a\u2dco da movimentac¸a\u2dco ativa. Como exemplo, um hemiple´gico
e´ aquele indiv´\u131duo com acometimento em um hemicorpo e com a total au-
se\u2c6ncia de movimento volunta´rio nos segmentos afetados. Se houver alguma
movimentac¸a\u2dco ativa preservada, o indiv´\u131duo sera´ um hemipare´tico.
4.3 Desenvolvimento motor típico e atípico e a paralisia cerebral
A func¸a\u2dco do SNC em relac¸a\u2dco a` motricidade e´ proporcionar a habilidade
do movimento, as atividades especializadas, e manter simultaneamente a
postura e o equil´\u131brio (Bobath, 1971). Para se executar isto com elega\u2c6ncia,
fluidez e uma base de sustentac¸a\u2dco em relac¸a\u2dco a`s variac¸o\u2dces do centro de
gravidade sa\u2dco necessa´rios diferentes mecanismos de controle motor. Es-
tes mecanismos sa\u2dco acionados para que se tenha mobilidade, estabilidade
(equil´\u131brio esta´tico), mobilidade controlada (transfere\u2c6ncia de peso e disso-
ciac¸o\u2dces) e habilidade. Tais elementos do controle motor sa\u2dco dependentes
do to\u2c6nus postural normal, da variedade de interac¸a\u2dco entre as forc¸as mus-
culares opostas com ac¸a\u2dco da inervac¸a\u2dco rec´\u131proca e da variedade de padro\u2dces
de postura e movimentos que sa\u2dco a heranc¸a comum do homem (neuroma-
turacional, gene´tica e ambiental) (Shumway-Cook & Woollacott, 2001).
A evoluc¸a\u2dco fisiolo´gica neuromaturacional do SNC, em relac¸a\u2dco a`s es-
truturas do controle motor, provoca o desenvolvimento e capacita para a
ocorre\u2c6ncia dos atos motores. Este desenvolvimento motor, entre outros fa-
tores, tambe´m estimula a evoluc¸a\u2dco do SNC que evolui e adapta as destrezas
adquiridas de acordo com a demanda do meio ambiente (Lent, 2010).
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Quando ha´ lesa\u2dco no SNC, como na PC, ha´ falha ou interrupc¸a\u2dco em um
sistema neuromaturacional em pleno desenvolvimento. O resultado disto e´
a ocorre\u2c6ncias de padro\u2dces motores at´\u131picos em competic¸a\u2dco com os padro\u2dces
t´\u131picos. Quando os primeiros prevalecem, as alterac¸o\u2dces do comportamento
motor observa´vel tendem a ser limitantes e prejudicam o desenvolvimento
global da crianc¸a (Fonseca & Lima, 2008).
Embora se utilize o termo at´\u131pico para designar os padro\u2dces inadequados
e compensato´rios que se observa em crianc¸as com alterac¸o\u2dces neurolo´gicas,
deve-se lembrar que estes sa\u2dco resultados de um SNC que tenta se adaptar
a uma situac¸a\u2dco inesperada (Rosenbaum et al., 2007; Bax et al., 2005).
A Tabela 1 representa um paralelo entre o desenvolvimento motor t´\u131pico
e o at´\u131pico. Compara-se as principais aquisic¸o\u2dces que sa\u2dco observa´veis na
evoluc¸a\u2dco motora durante o primeiro ano de vida.
Ao observar-se uma crianc¸a t´\u131pica durante o primeiro trimestre do seu
desenvolvimento verifica-se que ela tem intensa atividade reflexa, apresenta
posturas assime´tricas, desenvolve a flexa\u2dco em supino, melhora a extensa\u2dco
em prono, e possui algum controle cefa´lico pela reac¸a\u2dco labir´\u131ntica de retifi-
cac¸a\u2dco. Ha´ harmonia nos seus movimentos, e os planos coronal e transverso
ainda na\u2dco esta\u2dco presentes. No desenvolvimento at´\u131pico, principalmente nos
quadros mais leves, o primeiro trimestre se assemelha ao da crianc¸a t´\u131pica
(Flehmig, 2005).
O segundo trimestre e´ um per´\u131odo importante para a detecc¸a\u2dco de risco
de lesa\u2dco no SNC ou atraso no desenvolvimento. Neste per´\u131odo ocorrem
aquisic¸o\u2dces motoras, reac¸o\u2dces posturais, transfere\u2c6ncias de peso e rotac¸o\u2dces de
tronco. A crianc¸a com PC tem dificuldades de ultrapassar este per´\u131odo. E´
comum que seu desenvolvimento fique estagnado no primeiro trimestre do
desenvolvimento t´\u131pico, onde realiza movimentos apenas no plano sagital,
devido a sua grande instabilidade postural (Flehmig, 2005; Levitt, 1995).
Tabela 1. Caracter´\u131sticas do desenvolvimento motor t´\u131pico e at´\u131pico.
Desenvolvimento motor t´\u131pico Desenvolvimento motor at´\u131pico
Reflexos primitivos sa\u2dco suprimidos Permane\u2c6ncia de reflexos primitivos
Reac¸o\u2dces de balance integradas Insuficie\u2c6ncia de reac¸o\u2dces de balance
Normotonia Hipotonia, hipertonia ou flutuac¸a\u2dco
Ause\u2c6ncia de reflexos to\u2c6nicos Presenc¸a de reflexos to\u2c6nicos
Movimentos em padro\u2dces sine´rgicos,
coordenados e variados
Movimentos estereotipados, pobres,
sem seletividade
Desenvolve habilidades motoras Dificuldade nas habilidades motoras
Variedade de movimentos Padro\u2dces compensato´rios e fixac¸o\u2dces
Sem encurtamentos e deformidades Alterac¸o\u2dces mu´sculo esquele´ticas
Controla tre\u2c6s planos de movimento Na\u2dco aquisic¸a\u2dco de algum plano
Desenvolvimento motor típico, atípico e correlações na PC 15
As Figuras 2 e 3 apresentam padro\u2dces at´\u131picos em supino e prono, que
sa\u2dco observados no desenvolvimento de crianc¸as com lesa\u2dco no SNC.
Figura 2. Comportamentos no desenvolvimento at´\u131pico em supino.
Adaptado de Levitt (1995).
Figura 3. Comportamentos no desenvolvimento at´\u131pico em prono
Adaptado de Levitt (1995).
A extensa\u2dco do de´ficit funcional na PC depende da e´poca, da locali-
zac¸a\u2dco e do grau da lesa\u2dco encefa´lica. De maneira geral, ocorre atraso ou
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interrupc¸a\u2dco no desenvolvimento sensoriomotor, com mecanismos de rea-
c¸o\u2dces posturais insuficientes (Diament et al., 2010). Os reflexos primitivos e
patolo´gicos exacerbados podem estar presentes, com maior freque\u2c6ncia dos
reflexos to\u2c6nicos (Fonseca & Lima, 2008). Com relac¸a\u2dco ao to\u2c6nus postural, a
crianc¸a com PC geralmente apresenta hipotonia axial (principalmente de
tronco) e espasticidade ou espasmos intermitentes em regia\u2dco apendicular
(membros) (Bobath, 1971). Assim, o tipo de alterac¸a\u2dco do to\u2c6nus na\u2dco e´ uni-
forme em todos os segmentos corporais. Na PC na\u2dco ocorrem os diferentes
graus de inervac¸a\u2dco rec´\u131proca, e em lugar da variedade de movimentac¸a\u2dco
ocorrem os padro\u2dces anormais de coordenac¸a\u2dco devido a` liberac¸a\u2dco dos pa-
dro\u2dces reflexos anormais (Levitt, 1995).
Na PC ha´ deficie\u2c6ncia no mecanismo de controle postural normal, com
alterac¸o\u2dces nas reac¸o\u2dces posturais que sa\u2dco a base esta´vel para a realizac¸a\u2dco dos
movimentos contra a gravidade (Cunha et al., 2009). O papel das reac¸o\u2dces
posturais de equil´\u131brio, protec¸a\u2dco e retificac¸a\u2dco sa\u2dco fundamentais ao movi-
mento humano. As reac¸o\u2dces de retificac¸a\u2dco alinham o olhar, a cabec¸a sobre
o tronco, e o tronco sobre os membros durante os movimentos. Assim,
proporciona-se a capacidade de rotac¸a\u2dco dos eixos corporais para separar
o tronco superior do inferior e dissociar os movimentos. As reac¸o\u2dces de
equil´\u131brio causam os ajustes adaptativos corporais durante o deslocamento
do eixo da gravidade, e as reac¸o\u2dces de protec¸a\u2dco atuam quando as reac¸o\u2dces
de equil´\u131brio falham, para proteger o corpo das quedas. Na falha destas
reac¸o\u2dces, o produto final e´ um corpo com poucas possibilidades de movi-
mento, pois na\u2dco ha´ a base postural necessa´ria. Torna-se dif´\u131cil realizar
as transfere\u2c6ncias de peso lateralmente, bem como realizar movimentos no
plano coronal e transverso. Ale´m da instabilidade postural, a crianc¸a com
PC pode apresentar a permane\u2c6ncia de reflexos primitivos (Flehmig, 2005).
Por exemplo, a na\u2dco explorac¸a\u2dco do meio, a falta de descarga de peso nas
ma\u2dcos e a alterac¸a\u2dco do to\u2c6nus, faz com que o reflexo de preensa\u2dco to\u2c6nica
palmar permanec¸a. Isto dificulta ainda mais a explorac¸a\u2dco manual e todas
as atividades perceptivo-motoras que dependem desta. O mesmo ocorre
com o reflexo de preensa\u2dco to\u2c6nica plantar, cuja permane\u2c6ncia dificulta o ali-
nhamento do pe´ no cha\u2dco, impede a postura de ortostase e inviabiliza a
ocorre\u2c6ncia da marcha.
Outro problema muito comum na PC e´ a permane\u2c6ncia dos reflexos
to\u2c6nicos