Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório  Pediatria
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Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório Pediatria


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de infecções congênitas.
Diagnóstico Diferencial e Conduta
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Quadro 1: Causas infecciosas de hepatoesplenomegalia
Condição clinica Quando pensar
ITU Importante em menores de 2 anos. HE discreta (fígado a menos de 4,0cm,
ponta de baço palpável). Pode haver icterícia (hiperbilirrubinemia dire-
ta), por hepatite transinfecciosa.
Leishmaniose Maioria dos casos: infecção assintomática ou com sintomas moderados e
visceral transitórios (discreta HE), que evolui ou não para a forma clássica.
Forma clássica: febre, HE (esplenomegalia volumosa), peso \u2193, tosse,
diarréia, dor e distensão abdominais. Na fase tardia, pode haver edema
e ascite.
Endocardite Quadro variável. Sintomas comuns: febre, sudorese e calafrios. Outras
infecciosa alterações: anemia, toxemia, fraqueza, adinamia, mialgias, cefaléia, perda
de peso, dor abdominal, artralgia, diarréia. Ausculta cardíaca com
mudança do padrão de sopro anterior ou aparecimento de novos sopros.
Esplenomegalia em 75% dos casos.
Febre tifóide Mais freqüente em adolescentes e adultos jovens. Febre de início insidi-
oso. HE no final da 1ª semana de doença. Na 2ª e 3ª semanas, há
aumento da febre, prostração, adenomegalia e \u2191 da HE. Mais da metade
dos casos brasileiros ocorrem na Amazônia
Salmonelose Áreas endêmicas de salmonelas e esquistossomas. Principalmente
septicêmica crianças \u2191 de 5 anos. Início insidioso de febre, cefaléia, calafrios e
prolongada queda do estado geral. HE acentuada.
Brucelose Baixa freqüência em crianças. Fonte de contágio: leite in natura. Febre
prolongada (+ de 5 semanas), artralgia, perda de peso e HE.
Doença Fase aguda: HE leve ou moderada associada a edema, linfadenomegalia,
de Chagas comprometimento cardíaco (miocardite) e meningoencefálico.
Malária Suspeição obrigatória em doente febril procedente da região Amazôni-
ca, onde é endêmica. Nos adolescentes e escolares a sintomatologia as-
semelha-se à do adulto. Nas crianças menores, a doença pode manifes-
tar-se sem a tríade clássica (febre, cefaléia e calafrio).
Hepatites virais Período pré-ictérico (curto em crianças): inapetência, febre, sintomas
gastrintestinais. Período ictérico (duração 10-15 dias): colúria, hipocolia
fecal transitória, hepatomegalia em 80% dos casos. Esplenomegalia,
menos freqüente. As formas anictéricas (com hepatomegalia e distúrbi-
os gastrintestinais) são mais comuns nos lactentes.
Mononucleose Pródromos inespecíficos, febre (presente na maioria dos casos), faringite
infecciosa e linfadenomegalia. Esplenomegalia presente em 50% a 75% dos casos.
Hepatomegalia em 15% a 25%.
Infecção Maioria assintomática. Pode haver quadro mononucleose \u201csímile\u201d com
adquirida pelo HE na maioria dos casos.
citomegalovírus
Tuberculose HE na forma miliar. Início insidioso com perda de peso, anorexia, febre
persistente, linfadenopatia generalizada. Acometimento do Sistema Ner-
voso em 20% a 30% dos pacientes.
(continua...)
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Condição clinica Quando pensar
Esquistossomose Fase aguda (freqüente em crianças): febre, anorexia, diarréia sanguino-
lenta, cólica, hepatomegalia dolorosa e discreta esplenomegalia. Fase
crônica: ausência de febre. Hepato e/ou esplenomegalia presentes nas
formas hepatointestinal e hepatoesplênica com ou sem hipertensão
portal.
Toxocaríase Quadro clínico variável. Achados mais freqüentes: febre, palidez, qua-
dro pulmonar e hepatomegalia.
Abscesso Acomete mais crianças desnutridas e imunodeprimidas. Febre prolonga-
Hepático da, astenia e hepatomegalia dolorosa
Quadro 2: Outras causas de HE
Quando pensar
Anemias Tríade clássica: anemia, icterícia e esplenomegalia. A esplenomegalia é
hemolíticas mais acentuada na esferocitose. Na anemia falciforme, a espelenomegalia
ocorre no quadro inicial. Posteriormente, o baço atrofia-se devido a
infartos sucessivos. Na talassemia major o baço aumenta progressiva-
mente, podendo atingir grandes dimensões.
Anemia HE discreta pode estar associada à anemia ferropriva, nos primeiros
ferropriva anos de vida.
Síndrome Tríade clássica: icterícia, colúria e hipocolia ou acolia fecal. Basicamente,
colestática do 3 condições: doença hepatocelular (hepatite neonatal), distúrbios dos
recém-nascido ductos biliares extra-hepáticos (obstrução de ductos e atresia de vias
e lactente biliares), distúrbios dos ductos biliares intra-hepáticos. Em toda criança
com colestase, é fundamental a realização de toque retal para avaliar a
cor das fezes. A atresia de vias biliares é diagnóstico de urgência que
deve ser feito até a 6ª-8ª semana de vida.
Doenças do HE está presente na Artrite Reumatóide Juvenill de início sistêmico e
Sistema Conectivo na maioria dos casos de Lúpus Eritematoso Sistêmico.
Distúrbios A presença de HE deve suscitar suspeita de alterações metabólicas,
metabólicos particularmente os casos de Gaucher (geralmente em associação com
anemia, e lesões ósseas) Doença de Niemann-Pick, Galactosemia e
mucopolissacaridoses. A deficiência de alfa-1 antitripsina é a principal
doença genética que dça hepática crônica em crianças, sendo responsá-
vel por 5% - 10% dos casos de hepatite neonatal \u201cidiopática\u201d.
Doenças Partlarmente nos casos de Leucemias e Linfomas.
neoplásicas
Hipertensão Esplenomegalia é o sinal mais freqüente da Hipertensão Portal.
portal Na forma pré-sinusoidal, a causa mais importante é a trombose de veia
porta secundária à onfalite ou cateterismo umbilical no período
neonatal.
(...continuação)
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LACTENTE CHIADOR
A síndrome do bebê chiador, lactente chiador ou simplesmente bebê chiador, representa
um desafio para o pediatra, em função dos episódios recorrentes de sibilância, sem etiologia bem
definida, na faixa etária de zero a vinte e quatro meses.
Considera-se bebê chiador o lactente que apresenta três episódios recorrentes de chiado ou
sibilância de curta duração, no período de dois meses, ou que tem chiado contínuo de, no
mínimo, um mês de duração.
São considerados fatores de risco, além da idade, baixo peso ao nascer, desnutrição,
imunodeficiência, desmame precoce e poluição ambiental (fumo).
A associação com bronquiolite viral aguda é bastante freqüente, com predominância etiológica
para o vírus sincicial respiratório (VSR), como também adenovírus, influenza e parainfluenza \u2013
quadro clínico de inflamação bronquiolar difusa, obstrução de vias aéreas inferiores e aumento
do esforço respiratório, podendo ocorrer hipoxemia e acidose respiratória.
Estudos recentes sobre a fisiopatologia do bebê chiador sugerem que a criança que sibila nos
primeiros meses de vida, de princípio não deve ser rotulada como asmática, pois em torno de
70% delas perdem esta característica até os três a quatro anos de vida; lembram que a crise de
sibilância pode estar associada ao calibre e extensão dos brônquios, em algumas crianças, meno-
res do que o esperado. À medida que o pulmão se desenvolve e aumenta de volume estas crianças
param de sibilar.
Cabe ao pediatra estabelecer o diagnóstico diferencial com outros quadros de alergia respi-
ratória com sibilância, estridor, dispnéia e cianose, especialmente considerando as seguintes
condições clínicas:
\u2713 Rinofaringites virais de repetição, em lactentes que freqüentam creches
\u2713 Asma
\u2713 Rinosinusite
\u2713 Fibrose cística
\u2713 Bronquiolite
\u2713 Displasia broncopulmonar
\u2713 Aspiração de corpo estranho
\u2713 Coqueluche e outros.
O quadro clínico é caracterizado por sinais e sintomas de obstrução respiratória, com sibilância,
taquipnéia e às vezes, coriza e febre. Agitação, irritabilidade, cianose e crises de apnéia podem
ocorrer nos casos mais graves.
A avaliação da gravidade pode ser feita pela oximetria,