Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório  Pediatria
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Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório Pediatria


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durante as crises moderadas ou
graves.
Do ponto de vista prático, os primeiros episódios de sibilância no lactente devem ser
caracterizados como bronquiolite viral aguda, com as seguintes características clínicas:
\u2713 Três episódios recorrentes de chiado ou sibilância de curta duração, em período de 2 meses
\u2713 Presença de chiado contínuo com um mês de duração
CONDUTA
O tratamento é semelhante ao da crise de asma:
\u2713 Beta-2 agonista inalatório
\u2713 Corticosteróide inalatório \u2013 Budesonida (0,25mg, 2 vezes ao dia)
\u2713 Pode ser associado ao Beta-2 inalatório
Diagnóstico Diferencial e Conduta
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\u2713 Corticosteróide sistêmico \u2013 Prednisolona VO, 1mg/Kg/dia, 2 doses
\u2713 Se não houver melhora significativa:
\u2713 Ribavirina \u2013 direcionada ao tratamento do VRS, por via inalatória, nos casos de evolução
desfavorável \u2013 diluir o frasco de 100 ml (6g de ribavirina liofilizada) em 300 ml de água
distilada (20 mg/ml) \u2013 nebulização contínua por 12 a 18 horas, 3 a 7 dias de tratamento.
\u2713 Encaminhar ao pediatra assistente
PÚRPURAS
Definição
Doenças caracterizadas por alterações da hemostasia primária (interação vaso-plaqueta).
Decorrem de alterações quantitativas ou qualitativas das plaquetas ou de alterações vasculares.
Manifestações típicas
Petéquias, equimoses, sangramentos de mucosas como epistaxe, gengivorragia, menorragia e
sangramento digestivo.
Púrpuras plaquetárias trombocitopênicas
\u2022 Por produção insuficiente:
\u27a2 Congênitas:
\u2013 Anemia de Fanconi
Doença autossômica recessiva. Há hiperpigmentação cutânea e malformações con-
gênitas: estrabismo, microftalmia, baixa estatura, malformações renais, hipoplasia
ou agenesia dos polegares.
\u2013 Síndrome TAR (Trombocitopenia e ausência do rádio)
\u2013 Síndrome de Alport
Autossômica dominante. Apresenta-se com nefrite progressiva, diminuição da
acuidade auditiva e alterações oculares.
\u2013 Síndrome de Wiskott-Aldrish
Desordem hereditária ligada ao cromossomo X. Associa-se à imunodeficiência e
história de eczema.
\u27a2 Adquiridas:
\u2013 Infecções virais
Agentes como o citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, Parvovírus e os causadores da
caxumba, rubéola, varicela e dengue podem reduzir a produção de plaquetas, uma
vez que os megacariócitos são sítios de replicação viral.
\u2013 Anemia megaloblástica
\u2013 Drogas imunossupressoras
\u2013 Anemia aplástica
\u2013 Infiltração medular
\u2022 Por destruição excessiva relacionada a:
\u27a2 Mecanismo imune
\u2013 Púrpura trombocitopênica imunológica ou auto-imune (PTI)
Causa mais comum de trombocitopenia na infância. Quadro de início abrupto,
às vezes precedido de infecções virais ou vacinação, caracterizado por petéquias,
equimoses, epistaxe, hematúria e sangramento pelo trato gastrointestinal. Apre-
senta alto índice de remissão espontânea.
Diagnóstico Diferencial e Conduta
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\u2013 A PTI pode também associar-se a outras doenças, geralmente auto-imunes, como o
Lúpus Eritematoso Sistêmico, e a Doença de Graves, doenças linfoproliferativas
como as leucemias e linfomas, infecções virais (HIV) e após a realização de trans-
plante de medula
\u2013 Drogas
Quinina, sulfonamidas, rifampicina, aspirina, furosemida e outras.
\u27a2 Mecanismo não-imune
\u2013 Infecções agudas/sepse
A presença de petéquias em crianças com febre sempre deve suscitar a possibilida-
de de sepse.
\u2013 Síndrome de Kasabach-Merritt
Hemangioma cavernoso, cutâneo ou visceral, múltiplo ou único e gigante associa-
do à síndrome hemorrágica.
\u2013 Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD)
Anormalidades na coagulação e fibrinólise causadas por agentes virais, bacterianos,
infecções por protozoários, vasculites, leucemia, grandes traumas ou queimaduras.
\u2013 Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT)
Primária ou secundária a colagenoses, infecções intestinais, infecções virais, sepse,
uso de antibióticos. A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é considerada como
uma expressão do mesmo processo e caracteriza-se pela presença de anemia
hemolítica e insuficiência renal aguda. Associa-se à infecção por Escherichia coli
0157:H7. Acomete principalmente lactentes.
\u2013 Hiperesplenismo
Púrpuras Plaquetárias Trombopáticas
\u2022 Congênitas
\u27a2 Púrpura de Glanzmann
Doença de transmissão autossômica recessiva caracterizada por alteração na mem-
brana plaquetária. Quadro clínico variável de acordo com o tipo da doença. No tipo I
a doença é mais grave. Apresenta-se com epistaxes de repetição, hemangiomas
cutâneos e de mucosas.
\u27a2 Púrpura de Bernard-Soulier
Doença rara, de transmissão autossômica recessiva, em que ocorre alteração da
adesividade plaquetária.
\u2022 Adquiridas
\u27a2 Uremia
\u27a2 Drogas, particularmente o ácido acetilssalicílico, teofilina, propranolol e outros.
\u27a2 Hepatopatias
Púrpuras Vasculares
\u2022 Hereditárias
\u27a2 Malformações congênitas
\u2013 Síndrome de Louis-Bar (ataxia-telangectasia)
Início precoce com marcha atáxica. Caracteriza-se por telangectasias conjuntivais,
em ombros, cotovelos e no pavilhão auricular associadas a infecções de repetição,
apraxia oculomotora e tendência à neoplasia, particularmente linfomas e carcino-
ma gástrico.
\u2013 Síndrome de Fabry
Doença ligada ao X. Há deposição de lipídeos na parede dos vasos, renal, no cora-
ção, ocular e no sistema nervoso autônomo.
Diagnóstico Diferencial e Conduta
48 Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório de Pediatria
\u2013 Síndrome de Osler-Weber_Rendu
Transmissão autossômica dominante. Há dilatações de pequenos vasos da pele e
mucosas que sangram com pequenos traumas.
\u27a2 Alterações do colágeno
\u2013 Osteogênese imperfeita
\u2013 Síndrome de Ehlers-Danlos
\u2013 Síndrome de Marfan
Autossômica dominante. Há alta estatura, aracnodactilia, alterações oculares
(luxação do cristalino), aneurisma de aorta, hipermobilidade articular.
\u2022 Adquiridas:
\u27a2 Escorbuto
\u27a2 Drogas
Penicilinas, iodetos, sulfonamidas, corticosteróides.
\u27a2 Agentes infecciosos
Dengue, malária, sepse, meningococcemia, ricketsioses.
\u27a2 Vasculites
\u2013 Púrpura de Henoch-Schönlein (púrpura anafilactóide, alérgica, não-
trombocitopênica)
Vasculite mais comum da criança. Púrpura palpável predominantemente de mem-
bros inferiores e glúteos, associada à artrite ou artralgia, edema de mãos e pés, dor
abdominal, hemorragia digestiva e glomerulonefrite.
\u2013 Doença de Kawasaki
Vasculite de etiologia desconhecida, cujo diagnóstico é dado pela presença de
cinco dos seguintes critérios: febre com duração superior a cinco dias; hiperemia
conjuntival bilateral; exantema polimorfo; adenomegalia cervical superior a 1,5cm;
alterações de extremidades (edema de mãos e pés, eritema palmoplantar,
descamação, geralmente periungueal); alteraçções de mucosas (eritema ou fissura
labial, eritema difuso de orofaringe, língua em framboesa). Quando há aneurisma
coronariano a presença de 4 critérios sela o diagnóstico.
\u2013 Poliarterite nodosa
SÍNDROME DO RESPIRADOR BUCAL
O ar que passa pelo nariz, a caminho do pulmão, é aquecido, umidificado e filtrado e contri-
bui para o aperfeiçoamento do sentido do olfato. A respiração nasal é essencial para o funciona-
mento das estruturas anatômicas da face.
A Síndrome do respirador bucal (SRB) consiste na alteração da fisiologia da respiração nasal
que é substituída por um padrão anômalo de respiração bucal persistente. Pode ser funcional \u2014
obstrução mecânica que produz disfunção muscular e resulta de postura viciosa de abrir a boca,
sem qualquer obstáculo mecânico ou disfunção neuromuscular. Como conseqüência, podem ocorrer
vários prejuízos:
\u2713 Alterações craniofaciais \u2013 hipodesenvolvimento maxilar e desvio do septo
\u2713 Seqüelas odontológicas \u2013 mordida cruzada, protusão dental, palato ogival
\u2713 Distúrbios obstrutivos do sono, inclusive apnéia do sono, que pode ter conseqüências
graves
\u2713 Distúrbio funcional de mastigação e deglutição
\u2713 Ressecamento labial e rachaduras \u2013 boca