Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório  Pediatria
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Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório Pediatria


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seca
\u2713 Aumento da incidência de gengivite
\u2713 Redução de olfato, paladar e apetite.
Diagnóstico Diferencial e Conduta
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ETIOLOGIA
As principais causas da SRB estão associadas às seguintes situações clínicas:
\u2713 Obstrução nasal \u2013 hiperplasia de adenóides, rinite alérgica ou medicamentosa, desvio de
septo, pólipos, tumores
\u2713 Abuso de mamadeiras e bicos (chupetas) \u2013 produzem elevação do palato, com alteração
dos maxilares e da posição da língua
\u2713 Obstrução faríngea \u2013 amigdalite crônica hipertrófica, macroglossia
\u2713Hipotonia muscular \u2013 Síndrome de Pierre Robin, Síndrome de Down e outras.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível, no sentido de evitar as danosas
conseqüências anatômicas e funcionais que poderão ocorrer no futuro próximo. Portanto, é
muito importante que inicialmente pediatra e odontopediatra, atuem em sintonia para evitar
possíveis anormalidades.
Devem ser levantadas suspeitas nas seguintes situações:
\u2713 Respirar pela boca ao se alimentar
\u2713Manifestar roncos, especialmente ao dormir
\u2713 Expor a gengiva ao sorrir
\u2713 Ajudar a deglutição com líquidos \u2013 preferência por alimentos pastosos
\u2713 Acumular saliva - cospe ao falar e baba ao dormir.
\u2713 A anatomia da face é mais estreita e alongada e o palato é ogival \u2013 má oclusão dentária.
Anamnese
\u2713 Investigar associação com rinite alérgica \u2013 coriza, espirros, obstrução nasal
\u2713 Perguntar se a criança tem roncos ou pausas respiratórias durante o sono
\u2713 Pesquisar tosse crônica noturna
\u2713 Avaliar diâmetro da nasofaringe em lactentes e pré-escolares.
Exame físico
\u2713 Facies adenoidiano \u2013 boca entreaberta
\u2713 Estreitamento dos maxilares com protusão dos dentes superiores
\u2713 Salivação noturna, roncos, bruxismo
\u2713Hiperplasia de cornetos e palato ogival.
CONDUTA
A correção precoce da respiração bucal pode evitar danos irreparáveis, tanto mecânicos como
funcionais, da estrutura facial e é capaz de promover a regressão espontânea das deformidades
dentofaciais.
Se a causa for devida à arcada, gerando problemas oclusais, o tratamento deve ser iniciado no
período da dentição mista.
A intervenção, seja clínica ou cirúrgica, deve ser realizada por equipe, da qual participam
pediatra, odontologista, otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.
São recomendadas as seguintes medidas:
\u2713 Controle do ambiente \u2013 evitar contato com aeroalérgenos
\u2713Higiene nasal
\u2713 Prática de atividades físicas e esportivas
\u2713 Anti-histamínicos orais, corticosteróides tópicos nasais ou sistêmicos, nos casos de rinite
alérgica persistente
Diagnóstico Diferencial e Conduta
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\u2713 Evitar maus hábitos \u2013 sucção digital, uso prolongado de chupetas e mamadeiras.
\u2713 Indicações cirúrgicas:
\u2713 Apnéia obstrutiva do sono
\u2713 Cor pulmonale secundário
\u2713 Amigdalites e otites de repetição.
Assuntos a discutir pela equipe multidisciplinar
\u2713 Dificuldades de aprendizagem claramente associada ao problema
\u2713 Casos de déficit de crescimento e desenvolvimento que comprometem a qualidade de vida
\u2713 Apoio sócio-familiar e educativo para famílias de baixo nível socioeconômico e cultural.
SOPRO CARDÍACO
São ruídos encontrados na ausculta cardíaca produzidos pelo fluxo turbulento que causa uma
atividade vibratória nas estruturas cardíacas e/ou vasculares, de intensidade suficiente para ser
transmitido à parede torácica.
Não constituem por si só nenhuma patologia, mas apenas um sinal de exame físico, que pode
ou não, traduzir a presença de alguma doença. Quando existe o sopro sem a presença de doença,
chamamos de sopro inocente ou fisiológico.
SINAIS E SINTOMAS
Cianose Taquidispnéia Sudorese
Mamadas intercortadas Baixo ganho de peso Sopro cardíaco
Infecções respiratórias de repetição Crises de hipóxia Alteração nos pulsos
Hipoperfusão tissular
Sopros Inocentes de Ejeção: são os mais comuns na infância, também chamados de benig-
nos, fisiológicos, funcionais, não patológicos. O mais comum deste grupo é o denominado sopro
de Still que tem como características um tom vibratório, semelhante com aquele criado quando
se vibra um pedaço de fio tenso, melhor audível na posição supina. O segundo mais comum é um
sopro causado pela velocidade de fluxo aumentada em área pulmonar, menos freqüente em área
aórtica, principalmente em crianças magras, em situações de alto débito cardíaco como febre,
anemia, medo, tireotoxicose. Os sopros inocentes nunca se acompanham com frêmito.
Sopros de Ejeção Patológicos: situação onde há algum obstáculo à passagem de sangue dos
ventrículos para as grandes artérias, estenoses aórticas ou pulmonar, valvar, subvalvar ou
supravalvar. Tem a característica \u201ccrescendo-decrescendo\u201d ou \u201cem forma de diamante\u201d. A inten-
sidade do sopro será maior quanto for o grau da estenose, podendo estar presente o frêmito nos
casos mais acentuados; sua localização acompanhará o foco da válvula acometida; nos casos da
v. aórtica poderá se irradiar para o pescoço e da v. pulmonar para o dorso.
Sopros Sistólicos de Regurgitação: nunca são benignos, são causadas por defeitos do septo
interventricular (CIV) ou incompetência da válvula mitral ou tricúspide. Ocupam toda a sístole
com uma mesma intensidade e freqüência por isso são chamadas de holossistólicos. Nos casos da
CIV sua localização mais encontrada é no bordo esternal esquerdo baixo se irradiando para o
bordo esternal direito. Quanto maior a intensidade do sopro significará maior diferença de pres-
são entre os dois ventrículos e menor o orifício e a repercussão da comunicação; na insuficiência
mitral o sopro será melhor audível no foco mitral se irradiando para axila.
Diagnóstico Diferencial e Conduta
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Sopros Diastólicos de Regurgitação: são devidos a algum grau de insuficiência das válvulas
aórtica ou pulmonar. Chamados de sopro em decrescendo, pois se iniciam com uma intensidade
de freqüência alta que vai diminuindo à medida que o gradiente de pressão entre a cavidade
ventricular e o grande vaso diminui. A localização acompanha o foco da válvula acometida.
Sopros de Fluxo Diastólicos: são devidos a um fluxo aumentado de sangue passando pelas
válvulas mitral ou tricúspide, ou alguma deformidade destas. São exemplos dos primeiros casos
os sopros benignos, e o sopro diastólico em foco tricúspide presente em alguns casos de comuni-
cação inter atrial. Caso típico de lesão mitral com algum grau de obstrução à entrada de sangue
no ventrículo esquerdo são as estenoses mitrais reumáticas, apresentando um sopro diastólico
de baixa freqüência e intensidade, denominado de ruflar diastólico pela sua semelhança com o
som produzido pelo ruflar do tambor.
Sopros Contínuos: geralmente não são gerados por estruturas intracardíacas, e sim vasculares.
O sopro contínuo arterial mais encontrado na infância está relacionado a patência do canal
arterial, é melhor audível no foco pulmonar e possui uma intensidade sistólica maior que diastólica;
raramente se acompanham de frêmito. Outras situações como fístulas arteriovenosas pulmona-
res, fístulas coronárias também podem provocar sopros contínuos de origem arterial. Em crian-
ças de 2 à 8 anos se encontra com relativa freqüência, audível com o paciente na posição verti-
cal, que desaparece quando gira a cabeça e se deve ao fluxo turbulento na confluência das veias
inonimadas direita e esquerda que desembocam na veia cava superior.
DIAGNÓSTICO
RaioX Tórax: grande valia, poderá mostrar aumento de área cardíaca, situação da trama
pulmonar (normal ou diminuída), ajudará no diagnóstico diferencial de alguma patologia pul-
monar.
Eletrocardiograma: poderá mostrar sinais de aumento de alguma cavidade secundária a
patologia originária do sopro cardíaco.
Ecocardiograma: fará o diagnóstico na maioria das vezes.
TRATAMENTO
Nos casos