Manual Prático de Atendimento em Consultório e Ambulatório  Pediatria
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em crian-
ças). Pequenas manifestações hemorrágicas (petéquias, epistaxe, gengivorragia, sangramento
gastrointestinal, hematúrias e metrorragia) podem ocorrer. Dura cerca de 5 a 7 dias, quando
há regressão dos sinais e sintomas, podendo persistir a fadiga.
DH e SCD: os sintomas são semelhantes ao DC, mas no terceiro ou quarto dia o quadro se
agrava com sinais de debilidade profunda, agitação ou letargia, palidez de face, pulso rápido
e débil, hipotensão com diminuição da pressão diferencial, manifestações hemorrágicas es-
pontâneas com a prova do Laço positiva.
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Isolamento do vírus através de sorologia;
Leucopenia e, às vezes, trombocitopenia;
Na DH deve-se dar especial atenção à dosagem do hematócrito e hemoglobina para verificar
hemoconcentração;
Coagulograma com aumento do tempo de protrombina, tromboplastina parcial e trombina;
Diminuição do fator de fibrinogênio;
Albuminas baixas e alteração das enzimas hepáticas.
TRATAMENTO
DC: Sintomáticos
Aos primeiros sinais de choque o paciente deve ser internado imediatamente para correção
rápida de volumes de líquidos perdidos e da acidose.
MEDIDAS DE CONTROLE
É uma doença de notificação compulsória e de investigação obrigatória;
A única medida de controle é a eliminação do mosquito transmissor, com ações de saneamen-
to ambiental, educação em saúde para diminuir os criadouros das larvas do Aedes Aegypti.
HANSENÍASE
AGENTE ETIOLÓGICO
Bacilo álcool-ácido resistente, intracelular obrigatório, denominado bacilo de Hansen ou
Mycobacterium leprae.
MODO DE TRANSMISSÃO
Contato íntimo e prolongado com pacientes baciliferos não tratados.
Período de incubação: em média 5 anos, podendo ir de meses a mais de 10 anos.
Problemas Comuns em Ambulatório Pediátrico
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ASPECTOS CLÍNICOS
Doença infecto-contagiosa, crônica, curável, causada pelo bacilo de Hansen que tem alta
infectividade (infecta grande número de pessoas) e baixa patogenicidade (poucos adoecem).
Segundo a Organização Mundial de Saúde \u2013 OMS um caso de hanseníase pode ser definido
com um ou mais dos critérios a seguir:
1. Lesão de pele com alteração de sensibilidade;
2. Espessamento de nervo periférico acompanhado de alteração de sensibilidade;
3. Baciloscopia positiva para bacilo de Hansen.
CLASSIFICAÇÂO DAS FORMAS CLÍNICAS DA HANSENÍASE
Indeterminada (HI): Áreas de hipo ou anestesia, parestesias, manchas hipocrômicas e/ou
eritemato-hipocromicas com ou sem diminuição da sudorese e rarefação de pelos. A biciloscopia
é negativa;
Tuberculóide (HT): Placas eritematosas, eritemato hipocrômicas bem definidas, hipo ou anes-
tésicos, comprometimento e nervos. A baciloscopia é negativa;
Dimorfa (HD): Lesões pré-foveolares (eritematosas, planos com centros claros). Lesões foveolares
(eritematopigmentares, de tonalidade ferruginosa ou pardacenta). Apresenta alterações de
sensibilidade. A baciloscopia é positiva (bacilos e globias ou com raros bacilos) ou negativa;
Virchoviana (HV): Eritema e infiltração difusa, placas eritematosas infiltrados e de bordos mal
definidos, tubérculos e módulos, madarose, lesões das mucosas com alteração de sensibilida-
de. A baciloscopia é positiva (bacilos abundantes e globias).
DIAGNÓSTICO
Clínico: Baseado na definição de caso. A baciloscopia e a histopatologia podem ser úteis
como apoio diagnóstico.
TRATAMENTO
Não é eticamente aceitável o uso de qualquer tratamento monoterápico, sendo recomendá-
vel, portanto, a associação de drogas. Os pacientes devem ser tratados em nível ambulatorial.
MEDIDAS DE CONTROLE
Doença de notificação compulsória no Brasil.
O diagnóstico precoce dos casos através do atendimento de demanda espontânea de busca
ativa e exames dos contatos para tratamento específico;
Examinar todos os contatos de casos novos.
LEISHMANIOSE VISCERAL
AGENTE ETIOLÓGICO
Protozoário da família tripanosomatidae, gênero Leishmania, espécie Leishmania chagasi.
MODO DE TRANSMISSÃO
Transmitida pela fêmea do inseto hematófago flebótomo Lutzomia longipalpis. Não há trans-
missão pessoa a pessoa, nem animal a animal.
Período de incubação: varia de 10 dias a 24 meses, sendo, em média, de 2 a 4 meses.
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CLASSIFICAÇÃO
A Leishmaniose visceral também chamada de Calazar pode se classificar da seguinte forma:
Inaparente: Paciente com sorologia positiva ou teste de leishmanina (DRM) positivo ou en-
contro de parasito em tecidos, sem sintomatologia clínica manifesta.
Clássica: Quadro de evolução mais prolongada que determina o comprometimento do quadro
nutricional com queda dos cabelos, crescimento e brilho dos cílios e edema de membros
inferiores, cursa com febre, astenia, adinamia, anorexia, perda de peso e caquexia. A
hepatoesplenomegalia é acentuada, micropoliadenopadia generalizada, intensa palidez de
pele e mucosas, conseqüência da anemia grave. Os fenômenos hemorrágicos são de grande
monta: gengivorragias, epistaxes, equimoses e petéquias. As mulheres freqüentemente apre-
sentam amenorréia. A puberdade fica retardada nos adolescentes e crescimento sofre grande
atraso nas crianças e jovens. Os exames laboratoriais revelam anemia acentuada, leucopenia,
plaquetopenia e hiperglobulinemia e hipoalbuminemia.
Oligosintomática: Quadro intermitente, a febre é baixa ou ausente, a hepatomegalia está
presente, esplenomegalia quando detectada é discreta. Observa-se adinamia.
Aguda: O início pode ser abrupto ou insidioso. Na maioria dos casos, a febre é o primeiro
sintoma, podendo ser alta e contínua ou intermitente, com remissões de uma a duas sema-
nas. Observa-se hepatoesplenomegalia, adinamia, perda de peso e hemorragias. Ocorre ane-
mia com hiperglobulinemia.
Refratária: É uma forma evolutiva do Calazar clássico que não respondeu ao tratamento, ou
respondeu parcialmente ao tratamento com antimoniais. É clinicamente mais grave, devido
ao prolongamento da doença sem resposta terapêutica. Os pacientes com Calazar, em geral,
têm como causa de óbito as hemorragias e as infecções associadas em virtude de debilidade
física e imunológica.
DIAGNÓSTICO
Clínico-epidemiológico e laboratorial: Exame sorológico, parasitológico (material retirado
preferencialmente do baço e da medula óssea), exames inespecíficos, hemograma, dosagem de
proteínas, reação de formol-gel.
TRATAMENTO
Antimoniais pentavalentes. Fazer acompanhamento clínico com exames complementares.
MEDIDAS DE CONTROLE
Doença de notificação compulsória no Brasil.
Eliminação dos reservatórios, cães contaminados, luta antivetorial (borrifação com insetici-
das químicos), educação em saúde, busca ativa e tratamento de casos.
MALÁRIA
AGENTE ETIOLÓGICO
Três espécies de Plasmodium causam malária no Brasil: P. malariae, P. vivax e P. falciparum.
MODO DE TRANSMISSÃO
Os esporozoítas, forma infectante do parasito, são inoculadas no homem sadio através da
saliva da fêmea anofelina infectante. A transmissão também ocorrem através de transfusão
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sangüinea, compartilhamento de seringas, contaminação de soluções de continuidade da pele e,
mais raramente, por via congênita.
Período de incubação: P. falciparum: 7 a 14 dias; P. vivax: 8 a 14 dias; P. malariae: 7 a 30 dias.
QUADRO CLÍNICO
Doença infecciosa febril aguda, causada por parasito unicelular, caracterizada por febre alta,
acompanhada de calafrios, suores e cefaléia, que ocorrem em padrões cíclicos a depender da
espécie do parasito infectante. Os ataques paroxísticos característicos da doença ocorrem em
estágios sucessivos: o primeiro estágio é caracterizado por frio intenso, acompanhado de
calafrios e tremores; o segundo por calor, febre