ESPINHA BIFIDA
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ESPINHA BIFIDA


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tratamento. Elas têm início com pequenas bolhas. Tão logo detectadas, a criança deve deixar 
de usar talas ou de apoiar o pé diretamente no chão até a cicatrização completa. 
Problemas Ortopédicos 
As deformidades articulares são decorrentes do desequilíbrio muscular determinado pelas 
paralisias totais ou parciais. As cirurgias ortopédicas são recomendadas em algumas situações, 
mas somente devem ser indicadas se o objetivo for melhora da função, como por exemplo, 
facilitar a deambulação, a posição sentada ou o ajuste de aparelhos ortopédicos. 
O pé torto é observado nas crianças com nível motor lombar médio ou acima. Assim como no 
pé torto congênito, a cirurgia é precedida por trocas sucessivas de gesso e o objetivo do 
tratamento é um pé plantígrado (que apoia a planta no chão), no qual uma tala pode ser bem 
ajustada. Manipulações suaves objetivando o estiramento da pele, tecidos moles e tendões 
sobre o dorso do pé podem facilitar o procedimento cirúrgico. 
As cirurgias ao nível dos joelhos são menos freqüentes. As deformidades em extensão 
geralmente resolvem com gessos seriados e exercícios passivos. Contraturas importantes 
(acima de 30 graus) podem impedir o uso de aparelhos longos e conseqüentemente a 
deambulação. 
As crianças com nível lombar alto ou torácico desenvolvem luxação ou contratura de quadrís. A 
decisão de operar ou não estas crianças é controversa, mas nos casos em que as 
deformidades estão prejudicando a deambulação ou a posição sentada, o tratamento cirúrgico 
deve ser considerado. 
A escoliose pode ser congênita, devida a malformações vertebrais ou secundária a 
desequilíbrio muscular nas lesões altas, siringomielia ou medula presa (Tabela 2). O 
diagnóstico causal correto precedendo a cirurgia para escoliose é importante no sentido de se 
evitar resultados insatisfatórios ou complicações. Havendo indicação para estudo da medula, a 
ressonância magnética é o exame de escolha. Os coletes não impedem a progressão de curvas 
paralíticas, mas favorecem a postura na posição sentada, especialmente em crianças com 
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lesões torácicas altas. Os melhores resultados com o tratamento cirúrgico são alcançados com 
fusão vertebral posterior e anterior simultânea. 
Por causa da paralisia, as crianças com mielomeningocele desenvolvem osteopenia (diminuição 
da trama óssea) com risco de fraturas patológicas. Como não sentem dor, elas andam sobre as 
fraturas e desenvolvem hematomas. Neste estágio, apresentam febre e o quadro clínico pode 
ser confundido com osteomielite. Uma radiografia simples da área envolvida pode confirmar o 
diagnóstico de fratura. 
Deficiência Cognitiva 
Algumas estatísticas apontam que aproximadamente 65 por cento das crianças com 
mielomeningocele e hidrocefalia tratada cirurgicamente têm inteligência normal. As 35 por cento 
restantes apresentam deficiência cognitiva, a maioria de grau leve. Esses números devem 
variar de acordo com a população estudada, pois o declínio intelectual está principalmente 
relacionado com a hidrocefalia. Crianças operadas precocemente têm melhor prognóstico 
cognitivo. As com maior envolvimento cognitivo são, geralmente, as não operadas, as que 
nasceram com perímetro cefálico bem acima do normal ou as que desenvolveram infecção do 
sistema nervoso central. 
Em muitas crianças com hidrocefalia e envolvimento cognitivo observa-se um comportamento 
hiperverbal, que pode causar a falsa impressão de desenvolvimento cognitivo normal. Mas, é 
importante que o envolvimento cognitivo seja reconhecido o mais precocemente possível, para 
que o programa de estimulação seja traçado de acordo com as reais necessidades da criança 
contribuindo, assim, para um melhor desempenho no futuro. 
Embora a maioria das crianças com espinha bífida tenham função intelectual normal ou próxima 
do normal, muitas apresentam deficiências neuropsicológicas como dificuldade de percepção, 
atenção, concentração, memória e para lidar com números. Dificuldades na escola são portanto 
freqüentes e requerem atenção e orientação adequada. 
Alergia ao Látex 
Muitas crianças com espinha bífida desenvolvem alergia ao látex, borracha natural, 
normalmente encontrada nos balões, luvas para cirurgia e alguns tipos de catéter. Os sintomas 
são lacrimejamento, coriza, \u2018chiado no peito\u2019 e lesões vermelhas na pele. As crianças com 
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alergia ao látex, com freqüência são também alérgicas a banana, abacate, batata, tomate, kiwi 
e mamão. Usar estes alimentos com precaução e evitar o contato com látex pode prevenir o 
desenvolvimento de reações graves. 
Programa de Reabilitação 
Todas as crianças com mielomeningocele, por causa da lesão congênita dos nervos e da 
medula, apresentam alterações da força muscular em membros inferiores, podendo haver, 
ainda, algum comprometimento da musculatura do abdome e da coluna. Com relação ao 
tratamento, é importante que pais e profissionais saibam que a melhora da força dos músculos 
não depende da quantidade ou do tipo de exercícios que a criança realiza e sim do grau e nível 
da lesão da medula e das raízes nervosas. Quanto menor for a alteração do movimento, maior 
será a chance dos músculos serem fortalecidos. Por outro lado, os músculos sem movimento 
ou com fraqueza acentuada não podem ter sua força aumentada. 
Independente do tipo de exercícios e atividades que a criança participe, as principais mudanças 
na força dos músculos acontecem nos três primeiros anos de vida. É também neste período 
que a criança mais se desenvolve, e aquisições motoras como sentar ou engatinhar dependem 
não somente da maturação do sistema nervoso central, mas também da força dos músculos do 
tronco e dos membros inferiores. Praticamente em todas as crianças com mielomeningocele 
essas aquisições ocorrem de forma mais lenta em decorrência, principalmente, da fraqueza 
muscular e das deformidades de coluna e de membros inferiores. Por exemplo, uma criança 
com mielomeningocele pode conseguir engatinhar somente aos dois anos de idade, ao invés de 
engatinhar entre o nono e décimo mês como ocorre normalmente, ou, nem mesmo vir a 
engatinhar nos casos em que a fraqueza dos músculos for acentuada. 
Durante o crescimento e desenvolvimento, os objetivos do tratamento se modificam, e portanto, 
o programa de tratamento se modifica em função das necessidades de cada momento: 
0 a 3 anos de idade 
O tratamento tem início com explicação aos pais sobre a natureza do problema, em linguagem 
clara e acessível. A utilização de desenhos e figuras facilita a compreensão das informações 
que se quer passar. 
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Neste primeiro momento, além dos cuidados com relação à bexiga neurogênica, a equipe deve 
dar especial atenção à estimulação do desenvolvimento motor e cognitivo. Os pais são 
instruídos quanto a exercícios e atividades de estimulação do desenvolvimento para serem 
realizadas diariamente, sempre que possível através de brincadeiras e no momento em que a 
criança estiver pronta a colaborar, lembrando que, o desenvolvimento processa-se das 
aquisições mais simples para as mais complexas. Por exemplo, para a criança conseguir sentar 
sem apoio é preciso que ela já tenha aprendido a firmar a cabeça e a rolar. 
Para evitar deformidades, recomenda-se a mobilização das articulações e para algumas 
crianças indica-se o uso de órteses. No caso da criança apresentar fraqueza de tronco na 
posição sentada, indica-se o ortostatismo (posição de pé), com a ajuda de aparelhos 
objetivando melhorar a força dos músculos do abdome e das costas. O ortostatismo com auxílio 
não previne deformidades de quadrís e joelhos, não melhora a força dos músculos das pernas e 
só deve ser recomendado até no máximo quatro anos de idade. 
As crianças que só conseguem se locomover arrastando-se sentadas se beneficiam com a 
utilização de um carrinho auto-propulsionável evitando assim lesões de pele e facilitando a 
locomoção