PERIODIZAÇÃO NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: ASPECTO POLÊMICO E SEMPRE PROVISÓRIO
10 pág.

PERIODIZAÇÃO NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: ASPECTO POLÊMICO E SEMPRE PROVISÓRIO


DisciplinaPsicologia da Educação I11.875 materiais338.681 seguidores
Pré-visualização5 páginas
Revista HISTEDBR On-line Artigo 
 
Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.32, p.200-209, dez.2008 - ISSN: 1676-2584 
 
200 
PERIODIZAÇÃO NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA: 
ASPECTO POLÊMICO E SEMPRE PROVISÓRIO1 
 
José Claudinei Lombardi2 
 
RESUMO: 
A continuidade do projeto \u201cNavegando na história da educação brasileira\u201d, está exigindo a 
retomada da discussão sobre a periodização. Apesar da aparência de constituir-se num 
tema datado, tradicional e superado, trata-se, ao contrário, de discussão que se mantém 
atual e que, além de útil e necessária à investigação, expressa e pressupõe a concepção 
histórica que o pesquisador adota na sua prática e em seu fazer cientifico e didático. 
Entendendo que o problema central da periodização é quanto aos critérios que devem 
presidi-la, e que podem ser internos ou externos ao objeto de investigação, propõe-se uma 
periodização que, sem deixar de lado os fatores internos à educação, recoloque os 
determinantes econômicos, sociais, políticos e ideológicos da educação brasileira. 
Entendendo que não se tem uma adequada compreensão do particular \u2013 qualquer aspecto 
da educação brasileira \u2013 sem pressupor que a inseparável e indissociável articulação deste 
com a totalidade histórico-social, o estudo propõe uma periodização que didaticamente 
faça a distinção das 3 (três) grandes etapas de articulação contraditória da economia, da 
sociedade, da política e da educação no Brasil em sua articulação às transformações do 
modo capitalista de produção. Essas etapas estarão divididas, por sua vez, pelos grandes 
períodos que demarcam a organização econômica, social, política e educacional brasileira; 
estes períodos, por sua vez, serão divididos por tantas e quantas fases que possibilitem a 
análise das transformações políticas e educacionais no Brasil. 
Palavras-chave: História, Educação, Brasil, Periodização 
 
PERIODICITY IN THE HISTORY OF THE BRAZILIAN EDUCATION: 
CONTROVERSIAL AND ALWAYS PROVISORY ASPECT 
 
ABSTRACT 
The continuity of the project \u201cSailing in the history of the Brazilian education\u201d is 
demanding the retaken of the discussion on the periodicity. Although the appearance of 
consisting in a dated, traditional and surpassed theme, it is, on the contrary , a discussion 
that is still current and that, beyond useful and necessary to the inquiry, expresses and 
assumes the historical conception that the researcher adopts in his/her practice and in 
his/her scientific and didactic work. Understanding that the central problem of the 
periodicity is the criteria that must be in it, and that they can be internal or external to the 
inquired object, it is proposed a periodicity that, without forgetting the internal factors of 
the education, restore the economic, social, ideological and political determinants of the 
Brazilian education. Being understood that there isn\u2019t an adjusted understanding of the 
particular - any aspect of the Brazilian education \u2013 without assuming the inseparable 
articulation of this with the historic-social totality, the study considers a periodicity that 
didactically shows the distinction of the 3 (three) great stages of contradictory joint of the 
economy, the society, the politics and the education in Brazil in its joint to the 
transformations in the capitalist way of production. These stages will be divided, by the 
great periods that demarcate the economical, social, political and educational organization 
in Brazil; then these periods, will be divided by as much and how many phases necessaries 
to make possible the analysis of the educational and political transformations in Brazil. 
Revista HISTEDBR On-line Artigo 
 
Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.32, p.200-209, dez.2008 - ISSN: 1676-2584 
 
201 
Key-words: History, Education, Brazil, Periodicity 
 
 O debate sobre a periodização é permanente e recorrente no âmbito da História (e 
certamente também da História da Educação). Apesar da aparência de constituir-se num 
tema datado, tradicional e superado, trata-se, ao contrário, de discussão que se mantém 
atual e, além de útil e necessária à delimitação do objeto de investigação, expressa e 
pressupõe a concepção histórica que o pesquisador adota na sua prática e em seu fazer 
cientifico e didático. É a periodização que expressa o entendimento de como ocorrem as 
mudanças estruturais, globais e profundas \u2013 as transformações históricas \u2013 e como se dá a 
transição de um período para o outro. Sobre esse assunto assim se posicionou, por 
exemplo, o historiador Fernando Novais: 
 
Transição, já se disse com alguma propriedade, é tudo em história, a 
ponto de a própria história poder definir-se como o estudo da transição (J. 
Ortega y Gasset). Se, de facto, se quer indicar a inexistência de limites 
radicais, o inexorável entrelaçar-se dos acontecimentos no curso da 
história, a permanente coexistência de formas transatas com antecipações 
ainda não concretamente definidas, a afirmação ganha sentido e exprime 
um dos traços essenciais da realidade histórica. E no entanto, para certas 
épocas mais do que para outras, a própria sensibilidade e a tradição do 
pensamento historiográfico vêm revelando não ser desapropriado falar 
em transição e crise. É que, não obstante aquela inextricável 
interpenetração acima referida, o desenrolar da história é periodizado por 
estruturas globais e profundas, geradas na inevitável relacionação dos 
homens entre si na prática de sua vida histórica, e que passam a 
configurar o quadro de possibilidades em que se desenvolve a própria 
história (...). (NOVAIS,1995, p. 11). 
 
 Mais recentemente, por ocasião do lançamento dos dois volumes de Viagem 
incompleta \u2014 A experiência brasileira, o organizador da coletânea, o historiador Carlos 
Guilherme Mota, assim se manifestou em entrevista ao Jornal da USP: 
 
... Não aceito essa periodização que divide a história do Brasil em 
Colônia, Império e República. Diferentes projetos, idéias e utopias de 
Brasil foram construídos ao longo do que chamo de processo civilizador. 
Esse processo tem início antes mesmo do descobrimento oficial, em abril 
de 1500. (...)Nosso papel passa a ser o de reconstruir e discutir outras 
alternativas para se pensar o Brasil, como procuramos fazer nos livros 
que organizamos, os dois volumes de Viagem incompleta - A experiência 
brasileira. 
... Não ocorreu aqui uma revolução burguesa no sentido clássico, em que 
os valores da cidadania fossem postos de maneira radical, como na 
Revolução Francesa. Ficamos aqui numa transição entre uma ordem 
estamental escravista do período colonial e uma sociedade de classes 
mal-ajambrada. Isso explica o peso de um estado burocrático de raiz 
colonial e de um tipo de empresário que ainda se move melhor com as 
regras indefinidas do capitalismo selvagem. Daí os dramas da cidadania 
contemporânea estar aguçados no Brasil.3 
Revista HISTEDBR On-line Artigo 
 
Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.32, p.200-209, dez.2008 - ISSN: 1676-2584 
 
202 
 
 No âmbito da produção histórica brasileira, a questão da periodização se confunde 
com a criação, no Rio de Janeiro, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), 
concretizada em 02 de outubro de 1838. Para Francisco Iglesias (2000. p. 61), apesar da 
forte carga de idéias nativistas e ufanistas, "os traços mais notáveis do órgão, no entanto, 
são o pragmatismo da história e o gosto pela pesquisa", sendo fundamental o entendimento 
que se tinha do estudo da história como ferramenta pedagógica, "orientadora dos novos 
para o patriotismo, com base no modelo