Apostila NR10
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Apostila NR10


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Como o corpo humano permite a passagem de corrente elétrica, dependendo da situação em 
que se encontra em relação ao seu contato com a terra, não importa propriamente a tensão e 
sim a intensidade de corrente que passa pelo corpo. 
Aplicando-se, portanto, a lei de Ohm, 
I = corrente \u2013 Ampère 
I = V V = tensão \u2013 Volt 
R R = res istência \u2013 Ohm 
 
A passagem da corrente será diretamente proporcional à tensão da rede e inversamente 
proporcional à resistência encontrada. 
Portanto, se houver menor resistência, haverá maior passagem de corrente, o mesmo 
acontecendo se houver maior tensão. 
Em resumo, a corrente elétrica pode lesionar ou até matar dependendo da relação entre a 
tensão elétrica e a resistência do corpo. 
A tensão elétrica depende do circuito ao qual o corpo está em contato porém a baixa resistência, 
que permite a passagem de correntes com maior intensidade, aparece normalmente quando há 
bom contato do corpo com o referencial de terra ou outro potencial elétrico, como por exemplo: 
pés molhados, roupa encharcada, mãos nuas, etc. 
 
Mecanismos e efeitos 
Partindo do princípio de que toda matéria é formada por átomos, e que a corrente elétrica é o 
movimento dos elétrons de um átomo a outro, o corpo humano é, então, um condutor de 
eletricidade. 
 
 
 
 NR 10 \u2013 Riscos Elétricos 
Professor Casteletti 2006 7
 
 
A passagem da corrente elétrica pelo corpo humano pode ser perigosa dependendo da sua 
intensidade, do caminho por onde ela circula e do tipo de corrente elétrica aplicada. Depende, 
também da resistência que será oferecida à passagem dessa corrente. Assim, uma pessoa 
suporta com efeitos fisiológicos geralmente não danosos, durante um curto período de tempo 
(menor que 200ms), uma corrente de até 30 mA. 
Com as mãos úmidas, a resistência total de um corpo humano é de aproximadamente 1300 W. 
Aplicando a Lei de Ohm (V = R × I) , vamos nos lembrar de que para uma corrente de 30 mA 
circular em uma resistência de 1300 W, é necessária apenas uma tensão elétrica de: V = 1300 . 
0,03 = 39, ou seja, 39 V. 
Por causa disso, podemos considerar que, tensões superiores a 39V como perigosas. 
Para fins de segurança, em ambientes confinados, a recomendação, no entanto, é de tensão 
máxima de 24 V. 
 
Efeitos dos choques elétricos 
Em função da intensidade de corrente Através da tabela que segue, podemos observar os 
efeitos fisiológicos decorrentes de choques elétricos, com a variação da intensidade de valores 
de corrente, em uma pessoa de no mínimo 50 quilos de peso, sendo o trajeto da mesma entre as 
extremidades do corpo (mão a mão), com a aplicação de tensão alternada (CA) na faixa de 
freqüência de 15 a 100Hz. 
 
 
 
 NR 10 \u2013 Riscos Elétricos 
Professor Casteletti 2006 8
 
 
Em função do tempo de contato e intensidade de corrente 
 
 
Gráfico tempo x corrente \u2013 Efeitos fisiológicos para correntes CA de 15 a 100 Hz 
 
A relação entre tempo de contato e a intensidade de corrente é um agravante nos acidentes por 
choque elétrico. Como podemos observar no gráfico da publicação n.º479 da IEC qual define 
quatro zonas de efeitos para correntes alternadas de 15 a 100Hz, admitindo a circulação entre 
as extremidades do corpo em pessoas com 50Kg de peso. 
Em função do trajeto.Outro fator que influencia nas conseqüências do acidente por choque 
elétrico, é o trajeto que a corrente faz pelo corpo do acidentado. Isso é um dado importante se 
considerarmos que é mais fácil prestar socorros para uma pessoa que apresente asfixia do que 
para uma pessoa com fibrilação ventricular, já que isso exige um processo de reanimação por 
massagem cardíaca que nem toda a pessoa que está prestando socorro sabe realizar. 
 
 
 
 NR 10 \u2013 Riscos Elétricos 
Professor Casteletti 2006 9
A tabela a seguir, apresenta os prováveis locais por onde poderá se dar o contato elétrico, o 
trajeto da corrente elétrica e a porcentagem de corrente que passa pelo coração. 
 
 
Fenômenos Patológicos Críticos de Choques Elétricos 
Tetanização: 
É a paralisia muscular provocada pela circulação de corrente através dos tecidos nervosos que 
controlam os músculos. Superposta aos impulsos de comando da mente, a corrente os anula 
podendo bloquear um membro ou o corpo inteiro. De nada valem, nesses casos, a consciência 
do indivíduo e a sua vontade de interromper o contato. 
 
Parada Respiratória: 
Quando estão envolvidos na tetanização os músculos peitorais, os pulmões são bloqueados e 
pára a função vital de respiração. Trata-se de uma situação de emergência. 
 
 
Queimaduras: 
Quando uma corrente elétrica passa através de uma resistência elétrica é liberada uma energia 
calorífica. Este fenômeno é denominado Efeito Joule. 
E calorífica = R corpo humano . I2 choque . t choque 
Onde: 
R corpo humano _ 
 
 
 
 NR 10 \u2013 Riscos Elétricos 
Professor Casteletti 2006 10 
Resistência elétrica (S) do corpo humano, ou se for o caso só a resistência de parte do corpo, do 
músculo ou órgão afetado. 
I choque _ Corrente elétrica do Choque (A). 
t choque _ Tempo do choque (s) 
E calorífica _ Energia em Joules (J) liberada no corpo humano. 
O calor liberado aumenta a temperatura da parte atingida do corpo humano, podendo produzir 
vários efeitos e sintomas que podem ser: 
- queimaduras de 1º, 2º ou 3º graus nos músculos do corpo; 
- aquecimento do sangue, com a sua conseqüente dilatação; 
- aquecimento podendo provocar o derretimento dos ossos e cartilagens; 
- queima das terminações nervosas e sensoriais da região atingida; 
- queima das camadas adiposas ao longo da derme, tornando-se gelatinosas. 
 
As condições acima não acontecem isoladamente, mas sim associadas, advindo, em 
conseqüência, outras causas e efeitos nos demais órgãos. 
O choque de alta tensão queima, danifica, fazendo buracos na pele nos pontos de entrada e 
saída da corrente pelo corpo humano. As vítimas do choque de alta tensão morrem devido, 
principalmente a queimaduras. E as que sobrevivem ficam com seqüelas, geralmente com: 
\ufffd\ufffdperda da massa muscular; 
\ufffd\ufffdperda parcial de ossos; 
\ufffd\ufffddiminuição e atrofia muscular; 
\ufffd\ufffdperda da coordenação motora; 
\ufffd\ufffdcicatrizes, etc. 
Choques elétricos em baixa tensão têm pouco poder térmico. O problema maior é o tempo de 
duração, que se persistir pode levar a morte, geralmente por fibrilação ventricular do coração. 
A queimadura também é provocada de modo indireto, isto é, devido ao mau contato ou falhas 
internas no aparelho elétrico, neste caso, a corrente provoca aquecimentos internos, elevando a 
temperatura a níveis perigosos. 
 
Fibrilação Ventricular 
Se a corrente atinge diretamente o músculo cardíaco, poderá perturbar seu funcionamento 
regular. Os impulsos periódicos que, em condições normais, regulam as contrações (sístole) e as 
expansões (diástole) são alterados: O coração vibra desordenado e, em termos técnicos, \u201cperde 
o passo\u201d. 
A Situação é de emergência extrema, porque cessa o fluxo de sangue no corpo. 
Observa-se que a fibrilação é um fenômeno irreversível, que se mantém mesmo quando cessa; 
só pode ser anulada mediante o emprego de um equipamento chamado \u201cdesfibrilador\u201d, 
disponível, via de regra, apenas em hospitais e pronto- socorros. 
 
 
 
 
 NR 10 \u2013 Riscos Elétricos 
Professor Casteletti 2006 11 
 
Figura de um ciclo cardíaco completo cuja duração média é de 750mS. A fase Crítica 
corresponde à diástole tem uma duração de aproximadamente 150mS. 
 
Arcos elétricos 
Toda vez que ocorre a passagem de corrente elétrica pelo ar ou outro meio isolante (óleo, por 
exemplo) está ocorrendo um arco elétrico. 
O arco elétrico (ou arco voltaico) é uma ocorrência de curtíssima duração (menor que ½ 
segundo) e muitos são tão rápidos que o olho humano não chega a perceber.