Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
499 pág.

Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


DisciplinaEnfermagem Clínica284 materiais7.673 seguidores
Pré-visualização50 páginas
elevada; 
\uf0b7 Camas com \u201car fluidizado\u201d (aumentar em10-15ml/kg as necessidades basais); 
\uf0b7 Vómitos; 
\uf0b7 Diarreia; 
\uf0b7 Desidratação; 
\uf0b7 Insuficiência renal; 
\uf0b7 Insuficiência cardíaca. 
 
Necessidades de vitaminas e minerais 
Os défices múltiplos de vitaminas e minerais são comuns nos indivíduos malnutridos e em particular 
nos indivíduos com úlceras de pressão. No entanto, a suplementação só está recomendada nos casos 
em que se identifica, a partir do exame físico ou da avaliação da ingestão alimentar, a carência do 
micronutriente.19, 28,29,30,31,32 
 
Vitamina A 
A deficiência em vitamina A atrasa a cicatrização das feridas e aumenta o risco de infeção. Esta 
vitamina é necessária para o desenvolvimento epitelial e do osso, diferenciação celular, função do 
sistema imune, modelação da atividade da colagenáse e estimulação da deposição de colagénio pelos 
fibroblastos (fibroplasia).33 
A suplementação profilática de Vitamina A pode corrigir um défice prévio e prevenir efeitos 
indesejáveis dos anti-inflamatórios, corticoides, como seja o atraso na proliferação de fibroblastos, 
atraso na deposição de colagénio, atraso na regeneração capilar e migração epitelial, assim como 
atraso na contração da ferida.34 
A aplicação tópica de produtos com vitamina A 200000UI/30g pode ser clinicamente efetiva. 
Não está estabelecida uma dose específica de suplementação oral de vitamina A ou de \u3b2 \u2013 caroteno. 
No entanto, sempre que se suspeite de deficiência, esta vitamina deve ser fornecida sob a forma de 
um suplemento.2 
 
 
Vitamina C 
O efeito da vitamina C no processo cicatricial é bem conhecido. Esta vitamina é o cofator no processo 
de hidroxilação dos aminoácidos, prolina e lisina, implicados na formação de colagénio. 
Perante défice de vitamina C, fica comprometida a quimiotaxia dos neutrófilos e monócitos, a força 
tênsil de tecidos fibrosos e da matriz intracelular, a adesão das células endoteliais e, 
consequentemente, aumenta o risco de contaminação e deiscência do tecido. 
Mas, em indivíduos sem carência de Vitamina C, a suplementação nesta vitamina não acelera/melhora 
o processo cicatricial. No entanto, o status de vitamina C deve ser sistematicamente avaliado em todos 
os doentes com úlceras de pressão.35 
 
Zinco 
O zinco é, provavelmente, o mais importante dos minerais no processo cicatricial, desempenhando 
um papel relevante em todas as fases. 
Está presente em pequenas quantidades no organismo, cerca de 2-3g, distribuído 1/5 no osso, 1/2 no 
fígado e o restante no músculo. O zinco é cofator em mais de 100 reações enzimáticas que ocorrem 
na síntese proteica, replicação celular e proliferação celular.36 
A suplementação em zinco aparentemente facilita o processo de cicatrização, mas apenas em 
indivíduos com défice. Nos processos inflamatórios o teor de zinco sérico diminui, podendo mascarar 
défice.37 
Apesar da falta de evidência conclusiva relativamente à suplementação com zinco, frequentemente é 
recomendada a suplementação com 15 \u2013 25 mg elementar/ dia.38 
No entanto, a suplementação prolongada acima das necessidades pode comprometer o metabolismo 
do cobre, que por sua vez está envolvido na resposta imune e metabolismo lipídico. O excesso de 
zinco alimentar pode causar mal-estar gastrointestinal.2 
 
Selénio 
Sensivelmente metade do selénio corporal é encontrado no músculo. É necessário para o 
funcionamento do sistema da glutationa, que é um importante antioxidante intracelular e é 
responsável pela \u201cgestão da inflamação\u201d, induzida pelo stress oxidativo. Após uma grande agressão, 
por exemplo: trauma ou queimadura, a excreção urinária de selénio aumenta, pelo que a sua 
reposição se torna particularmente crítica. O selénio parece ser capaz de regular a geração de 
subgrupos de linfócitos funcionais in vitro, podendo-se deste modo explicar os efeitos do selénio na 
imunidade.39 
 
Resumo: nutrição para pessoas com feridas40 
 
1. Avaliar 
 
\u2022 Todos os doentes admitidos em instituições de saúde (hospitais, lares, em cuidados continuados no 
domicílio) devem ter um rastreio de desnutrição completo. Sempre que identificada uma alteração, 
referenciar a nutricionista ou dietista. 
\u2022 Todos os indivíduos com feridas complexas ou crónicas devem ser referenciados para nutricionista ou 
dietista. 
\u2022 Envolver o indivíduo e/ou os cuidadores na alimentação e avaliação do risco de malnutrição. 
 
 
2. Intervir 
 
\u2022 Fornecer a todos os doentes assistidos em instituições de saúde informação simples e clara sobre 
alimentação saudável, sob a forma de informação escrita ou oral. 
\u2022 Trabalhar em equipas multidisciplinares com a presença de nutricionista ou dietista. 
\u2022 Fornecer suporte e encorajamento para o cumprimento das orientações alimentares veiculadas pelo 
nutricionista ou dietista e reportar as dificuldades demonstradas pelo doente ou cuidador. 
\u2022 Se no serviço onde se trabalha não tem apoio de nutricionista ou dietista, discuta com o doente ou 
cuidador a qualidade da alimentação e fluidos com regularidade. Ajude-os a aumentar a ingestão 
alimentar, se insuficiente, e a remover as barreiras que impeçam ou limitem uma alimentação 
adequada. Pode incluir a adequação do ambiente onde são tomadas as refeições e a organização do 
fornecimento das refeições. 
\u2022 Avaliar cuidadosamente o sucesso do tratamento da ferida e de outros indicadores de saúde, 
designadamente o peso e indicadores físicos de carências nutricionais. 
 
Energia 
\u2022 Os glúcidos e as gorduras são os principais nutrientes energéticos. 
\u2022 São boas fontes de glúcidos as massas, o arroz, os flocos de cereais, as leguminosas, os frutos e 
legumes; como exemplos: batata, cenoura, abóbora ou beterraba. 
\u2022 A manutenção do peso é muito importante nos indivíduos com feridas, mesmo com excesso de peso. 
Não é desejável o emagrecimento durante o processo de cicatrização, a menos que se trate de grandes 
sobrecargas de peso. O excesso de peso pode ser simultâneo com a malnutrição, por défice 
nutricional, em particular, défice proteico e/ou de micronutrientes. Estes indivíduos requerem os 
mesmos cuidados nutricionais. 
\u2022 Em caso de feridas complexas ou de múltiplas feridas, as necessidades energéticas nem sempre são 
alcançadas sem fortificação alimentar. 
 
Proteínas 
\u2022 As proteínas são essenciais para a manutenção e reparação dos tecidos. 
\u2022 Défices no aporte proteico comprometem a síntese de colagénio. O colagénio é o principal 
componente proteico da pele. 
\u2022 Podem ocorrer perdas proteicas também pelos exsudados, pelo que devem ser cuidadosamente 
avaliados. 
\u2022 São boas fontes de proteínas os produtos lácteos, os ovos, carnes, pescado, vísceras, assim como 
frutos secos (nozes, avelãs, amêndoas) e leguminosas. 
\u2022 O aminoácido L-arginina desempenha um papel muito importante no processo cicatricial. A L-arginina 
encontra-se nas carnes, frutos secos e sementes. 
\u2022 A suplementação modular de L-arginina deve ser discutida com o nutricionista ou dietista da 
instituição caso a caso. 
 
 
Vitamina C 
 
\u2022 A vitamina C é essencial para o desenvolvimento do colagénio, particularmente a \u201cforça do colagénio\u201d. 
Se o processo cicatricial ocorrer com défice de vitamina C, há maior risco de deiscência dos tecidos. 
\u2022 A vitamina C facilita a absorção de ferro. 
\u2022 Os alimentos ricos em vitamina C são os frutos, particularmente os frutos cítricos e kiwi, morangos, 
amoras, framboesas, mirtilos, tomates e legumes e hortícolas verdes. 
\u2022 Nos indivíduos que não fazem uma alimentação rica em vegetais (5 porções de frutos, legumes e 
hortícolas). Deve-se considerar a suplementação em vitamina C, de acordo com as recomendações 
para a idade. 
 
Vitamina A 
\u2022 A vitamina