Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
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Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


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Forensic Medicine, University of Dundee: 
http:/www.dundee.ac.uk/forensicmedicine/notes/woundsdws.pdf 
Saukko, P., & Knight, B. (2004). Knigth´s Forensic Pathology. Oxford: Edward Arnold. 
Vales, L; Roxo, J. (2009). Lesões por armas brancas: relevância médico-legal. Dissertação Mestrado em 
Medicina Legal. Instituto Ciências Abel Salazar. 
Wolfbert, A. (2003). Introdução à Medicina Legal. Canoas: Editora ULBRA. 
7. Queimaduras: tratamento ambulatório 
Luís Simões 
 
As queimaduras são as lesões mais devastadoras que o corpo humano pode sofrer. 
Neste tipo de trauma há libertação de mediadores celulares e humorais que determinam alteração da 
permeabilidade capilar, metabólica e imunológica, levando a distúrbio hidroeletrolítico, desnutrição 
e infeção. 
 
Sendo uma ferida tem naturalmente associadas alterações da integridade anatómica da pele, 
resultante do trauma. 
 
O tratamento de feridas envolve aspetos sistémicos e locais. 
O tratamento local engloba o procedimento de limpeza e cobertura da lesão, com o objetivo de 
auxiliar o restabelecimento da integridade do tecido ou prevenir a colonização crítica / infeção da 
lesão. 
Na abordagem à pessoa portadora de ferida, deve avaliar-se \u201co estado geral de saúde do utente e em 
especial as condiço\u303es da lesão. Disto depende a escolha do material adequado a ser utilizado, no 
sentido de ajudar o organismo a realizar o trabalho, que é fundamentalmente endógeno\u201d.1 
Existem muitos produtos no mercado para tratar feridas, o que torna a escolha do apósito correto 
uma tarefa difícil e desafiadora. Nesse sentido alguns fatores devem ser considerados: 
- Fatores relacionados com a ferida e a pele adjacente \u2013 etiologia, tamanho, profundidade, localização 
anatómica, volume de exsudato, risco ou presença de infeção, condições da pele adjacente. 
- Fatores relacionados com o paciente \u2013 condições nutricionais, doenças de base, necessidade de 
controlo da dor, preferências. 
- Fatores relacionados com o apósito \u2013 indicação, contraindicação, vantagens e desvantagens, 
disponibilidade, durabilidade, adaptabilidade, e facilidade de uso.2 
A maior parte da compreensão atual de tratamento de feridas deriva de estudos sobre o processo de 
cicatrização em feridas agudas. As feridas provocadas por trauma ou cirurgia, geralmente progridem 
através de um processo de cicatrização em que pode ser reconhecido quatro fases bem definidas: (i) 
a hemostase (ou de coagulação), (ii) inflamação, (iii) de reparação (a migração celular, a proliferação, 
a reparação da matriz, e epitelização), (iv) e de remodelação (ou maturação) da cicatriz.1 
A maioria das queimaduras são cuidadas em ambulatório, o que implica da parte dos profissionais 
cuidados acrescidos no sentido de garantir a boa progressão do processo cicatricial. 
De facto a ferida aguda, queimadura, quando mal abordada, rapidamente assume características 
clínicas usualmente visualizadas nas feridas crónicas. 
O esquema ilustra isso mesmo: 
 
 
Figura 1 - Hettiarachy and Dziewulski, 2004 (Jackson\u2019s burn zones).3 
Pelo que a abordagem deste tipo de lesões impõe decisões acertadas tendo em conta a fisiopatologia 
e os sinais clínicos que o utente nos fornece. 
Durante a fase inflamatória, iniciada por coagulação do sangue e plaquetas, sendo continuada por 
vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar, ocorrem sinais visíveis de inflamação: eritema, 
inchaço (edema), e um aumento de temperatura no tecido lesionado.1 
Pelo que cuidar a pessoa queimada implica a noção de que o controlo da inflamação, nas fases iniciais, 
pode impedir o agravamento das lesões e, como consequência, induz uma diminuição da resposta 
inflamatória e, como tal, diminui os sinais clínicos de inflamação (dor, tumor, rubor e calor). 
A abordagem do utente queimado em ambulatório pressupõe por isso estes princípios que 
enunciamos: 
- Ferida aguda; 
- Politraumatizado (mesmo que apenas localmente o que está em causa é a resposta 
fisiológica); 
- Grande resposta inflamatória; 
- Risco de agravamento da lesão por depleção vascular / défice vascular / aumento da 
resistência vascular periférica; 
- Risco de infeção presente permanentemente; 
- Grande necessidade de líquidos e de dieta hipercalórica e hiperproteica; 
- Dor como fator importante permanente e grande mediador do estado hemodinâmico da 
lesão. 
A característica específica da lesão, e do utente com a lesão, bem como os princípios básicos que 
devem ser levados em ponderação, não excluem, no entanto, princípios globais sobre tratamento de 
feridas, que deverão estar na base de toda e qualquer decisão. 
A noção de "preparação do leito da ferida", representa o processo de obtenção de uma ferida 
adequada para a aplicação destes produtos. Um conselho consultivo internacional foi criado para 
encontrar um algoritmo que descrevesse este processo. A sigla "TIME" é o resultado, dividindo o 
processo de preparação do leito da ferida nos seus componentes, de forma reprodutível. O "T" refere-
se à remoção de tecido não-viável; o "I" refere-se ao controlo da infeção e da redução da carga 
bacteriana; o "M" é a manutenção do equilíbrio de humidade, pois a ferida deve ser mantida húmida, 
mas não excessivamente exsudativa; o "E" refere-se à migração dos queratinócitos no leito da ferida. 
4 
Convém por isso caracterizar de forma óbvia as características dos diversos graus de queimaduras e 
as suas probabilidades de evolução cicatricial, bem como os sinais clínicos esperados de cada tipo de 
lesão. 
Usualmente classifica-se as queimaduras em três graus; existindo outras classificações em que são 
considerados quatro graus. 
 
Figura 2 - TOTAL BURN CARE, 3ª edição, 2007.5 
Do ponto de vista do tratamento de feridas, importa diferenciar quatro graus, mas subdividindo o 2º 
grau tendo em conta as probabilidades de cicatrização e as características clínicas associadas. 
 
 
Caracterizando os diversos graus poderemos dizer que: 
\u201cA lesão provocada pela queimadura pode ser descrita com base na sua profundidade, sendo 
classificada como de primeiro grau, quando é comprometida apenas a epiderme, apresentando 
eritema e dor\u201d.6 
Queimadura de 1º grau: 
 - Muito dolorosa; 
 - Epiderme muito ruborizada e edemaciada sem flictenas; 
 - Epiderme sem solução de continuidade; 
 - Auto regenerável mas com perda de características. 
 
 
Figura 3 \u2013 Queimadura de 1º grau. 
Queimadura de 2º grau superficial 
\u201cQuando atinge a epiderme e parte da derme, provocando a formação de flictenas\u201d.6 
 - Bastante dolorosa; 
 - Pele avermelhada; 
 - Presença de flictenas, eventualmente volumosas; 
 - Auto regenerável mas com perda de características e com processo mais prolongado; 
 - Geralmente epiteliza sem sequelas. 
 
Figura 4 - Queimadura de 2º grau superficial. 
 
Queimadura de 2º grau profundo 
 - Pele avermelhada ou esbranquiçada; 
 - Apenas são poupados a base dos folículos pilosos e algumas glândulas sudoríparas; 
 - Pouco dolorosas; 
 - Pele endurecida embora maleável; 
 - Epitelização depende de diversos fatores; 
 - Sequelas prováveis. 
 
Figura 5 - Queimadura de 2º grau profundo. 
 
 
Figura 6 - Queimadura de 2º grau profundo. 
Queimadura de 3º grau 
\u201cTerceiro grau, quando envolve todas as estruturas da pele, apresentando-se esbranquiçada ou negra, 
pouco dolorosa e seca\u201d.6 
 - Pele branca, castanha ou escura dependendo do agente causal; 
 - Ausência de flictenas; 
 - Indolores; 
 - Escara rígida ou coriácea; 
 - Cicatrização depende de diversos fatores; 
 - Sequelas frequentes e prováveis. 
 
 
Figura 7 - Queimadura de 3º grau. 
O cuidar deste tipo de lesões impõe decisões que devem associar