Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
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Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


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conhecimento da fisiopatologia da 
lesão, tendo em conta o quadro clínico apresentado pelo utente, e adequação das duas vertentes, 
preservando os princípios básicos de cuidar a pessoa com feridas. 
\u201cNa escolha do tratamento, deve-se considerar não só a profundidade da lesão, mas também a sua 
fase evolutiva. As queimaduras de primeiro grau, dependendo da extensão, geralmente evoluem 
rapidamente, regenerando-se (...) 
A queimadura de segundo grau tem sido classificada como superficial e profunda, e a sua evolução 
dependerá desta graduação de profundidade e da ocorrência ou não de complicações, sendo as 
infeções uma das causas mais frequentes de piora tanto no âmbito tópico quanto no sistémico. (...) 
Queimaduras classificadas inicialmente como segundo grau, podem aprofundar-se na coexistência de 
infeção local\u201d.6 
 
Impõe-se referir um estudo de 2008 de WASIAK,7 no qual se demonstra, apesar da generalizada má 
qualidade dos estudos sobre tratamento de feridas em queimados que deve impor mais estudos e de 
diferente qualidade, que os novos recursos terapêuticos para tratamento de feridas aparentam 
melhorar a evolução cicatricial das lesões, para além de diminuir o número de mudanças de apósitos 
em comparação com o produto standard, a sulfadiazina de prata. 
Assim, impõe-se a aplicação de princípios gerais no tratamento de feridas: 
1º - Lavar a lesão com produto que preserve ao máximo os tecidos e que facilite a limpeza da lesão e 
remoção do tecido desvitalizado: 
 A \u2013 Solução salina a 0,9%; 
 B \u2013 Solução de polihexanida biguanida. 
2º - Remover todo o tecido desvitalizado / necrosado sendo isso possível em termos técnicos e 
tolerável pelo doente. Refira-se, como nota que neste caso se encontram as flictenas, que sendo 
possível devem ser removidas; 
3º - Aplicar produtos que apoiem o processo cicatricial, consoante a fase em que a ferida se encontra, 
não esquecendo a clínica apresentada pelo doente; 
 
 
Figura 8 - Adaptado de Romaneli, M: 2009. 
4º - Vigiar a hidratação e a alimentação do utente; 
5º - Cuidar a pele cicatrizada, não esquecendo que a lesão destrói grande parte da capacidade própria 
de hidratação / proteção da pele; 
6º - Zonas articulares carecem de cuidados de reabilitação de modo e limitar / impedir as perdas de 
mobilidade / elasticidade da pele. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profundidade da lesão
3º Grau2º Grau profundo2º Grau superficial1º Grau
Penso não aderente que 
diminua a temperatura local
Penso não aderente que diminua a 
temperatura local/inflamação
Tem possibilidade de 
cicatrizar em 2 semanas?
Lesão profunda 
óbvia? Sim
Não
Penso não aderente que diminua a 
temperatura local/inflamação
Requer cirurgia nos 
primeiros 5 dias
Sinais de 
melhoria?
Não Sim
Não
Requer cirurgia
Selecção de 
apósito adequado
Não cicatriza até 2 
semanas?
Sim
Pouco exsudado Exsudado 
abundante
Apósito não aderente 
que mantenha 
hidratação e absorva 
exsudado em excesso
Contaminado ou com 
sinais de infecção?
Não Sim
Antimicrobianos
Referências bibliográficas 
1 - SCHULTZ, G in \u201csurgical wound healing and management\u201d; 2007. 
2 - PEREIRA, A, et al, \u201cTratamento de ferias, Análise da produção científica publicada em revistas 
brasileiras de 1970 a 2013\u201d, 2013, Revista Brasileira de Enfermagem, março-abril, 58 (2) 208-213. 
3 - HETTIARATCHY, S, - \u201cPATOLOGY AND TIPES OF BURNS\u201d \u2013 1426-1430. 
4 - GRANICK, M, et al \u2013 \u201cSurgical Wound Healing and Management\u201d; 2007. 
5 - HERNDON, D, e tal \u2013 TOTAL BURN CARE\u201d 3ª EDIÇÃO; 2007. 
6 - ANDRADE, D, et al, \u201cCurativo do paciente queimado uma revisão da literatura\u201d, Revista Escola 
Enfermagem USP, 2003, 37(1):44-51. 
7 - WASIAK, J ET AL \u201cDressings for superficial and partial thickness burns (review), 2008. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8. Preparação do leito da ferida 
Gustavo Afonso; Cristina Afonso; Marta Miranda; Tahydi Collado 
 
8. 1 Limpeza da ferida 
 
A limpeza de uma ferida pode ser entendida como um processo mecânico de remoção de 
resíduos orgânicos, excesso de exsudado e / ou corpos estranhos do leito da ferida por ação de 
fluidos.1,2,8,9 
O método de limpeza mais eficaz é a irrigação com pressão. Esta pressão deve ser suficiente 
para remover os detritos presentes no leito da ferida, mas não excessiva a ponto de lesar os tecidos. 
Considera-se um intervalo seguro de pressões entre 4 e 15 psi. Com a utilização de uma seringa de 35 
ml conectada a uma agulha de 19G obtemos uma pressão de 8 psi; com uma seringa de 20 ml e uma 
agulha de 18G obtemos uma pressão de 9,5 psi.1,8 9 
 
Figura 1 \u2013 Irrigação da ferida com soro fisiológico. 
A limpeza com compressa não está aconselhada pois ao \u201cesfregar\u201d o leito da ferida pode 
provocar-se traumatismo nos tecidos neo-formados e causar dor e desconforto ao doente. 
O soro fisiológico (cloreto de sódio 0,9%) é a solução de limpeza mais segura e que pode ser 
usada em todos os tipos de feridas, pois não interfere no processo de cicatrização, não altera o ph, 
nem causa reações alérgicas. Na lavagem de feridas crónicas pode ser utilizada a água potável (água 
da rede pública). 
A temperatura da solução de limpeza deve ser aproximada à temperatura corporal (37o C), 
uma vez que soluções de limpeza frias podem retardar o normal processo de cicatrização até 4 horas. 
A utilização rotineira de antisséticos com o objetivo de limpar as feridas não está 
recomendado.1, 8,9 
 
 
8. 2 Desbridamento de tecidos não viáveis 
 
Entende-se por desbridamento o conjunto de mecanismos fisiológicos ou externos dirigidos à 
remoção de tecidos necróticos presentes na ferida. 
A presença de tecido desvitalizado / necrosado no leito da ferida constitui uma barreira 
mecânica ao processo de cicatrização, pois favorece o crescimento bacteriano, aumentando o risco 
de infeção, e mascara as reais dimensões da ferida e sua consequente avaliação.3,7,8 
Antes de iniciar o desbridamento devemos ter em atenção alguns aspetos importantes para o 
sucesso do procedimento. 
Controlo da dor: considerar analgesia eficaz de forma a minimizar a dor associada ao 
procedimento. 
Vascularização da área: desconhecendo a etiologia da lesão devemos realizar uma avaliação 
vascular rigorosa, principalmente nos membros inferiores. No caso de lesões isquémicas não 
desbridar. 
Calcâneos: a necrose seca, sem edema, eritema, flutuação ou drenagem não necessita de 
desbridamento imediato, apenas vigilância diária e alívio de pressão. 
 
 
Tipos de desbridamento 
Desbridamento cirúrgico 
Remoção completa do tecido necrótico, realizado em contexto de bloco operatório sob 
anestesia. É o método mais rápido, mas que tem os custos mais elevados. 
Desbridamento cortante 
Realizado com lâmina de bisturi, tesoura ou cureta à \u201ccabeceira do doente\u201d. E\u301 um método 
rápido, seletivo e que pode ser associado a outros tipos de desbridamento (enzimático ou autolítico). 
Não está recomendado em doentes com risco de hemorragia (coagulopatias ou anticoagulantes) e em 
lesões com insuficiência arterial. 
 
Figura 2 \u2013 Desbridamento cortante com lâmina de bisturi. 
Desbridamento enzimático 
Aplicação local de enzimas exógenas (por exemplo, colagenase) que degradam a fibrina, o 
colagénio desnaturalizado e a elastina, promovendo a separação do tecido necrótico. A pele peri-
lesional deve ser protegida com produto barreira dado o risco de maceração. 
 
Figura 3 \u2013 Desbridamento enzimático com colagenase. 
 
Desbridamento autolítico 
Processo fisiológico no qual os fagócitos, macrófagos e enzimas proteolíticas liquefazem e 
separam o tecido necrótico do tecido viável. A