Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
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Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


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aplicação de hidrogéis (constituídos em 70% a 90% por 
água) intensifica o processo fisiológico do desbridamento. Trata-se de um método seletivo e 
atraumático mas mais demorado. 
Para melhorar a ação dos hidrogéis e colagenase é útil a realização de \u201ccortes\u201d paralelos com 
bisturi no tecido necrosado duro e seco com a finalidade de facilitar a sua hidratação e remoção.3,7,8 
 
 
Figura 4 - Desbridamento autolítico com hidrogel. 
Figura 5 - Realização de \u201ccortes\u201d paralelos com bisturi no tecido necrosado duro e seco. 
 
 
8. 3 Abordagem da carga bacteriana e infeção 
 
O corpo humano não é estéril, o ser humano está em contacto constante com os 
microrganismos, funcionando a pele como barreira física e química. 
Sempre que existe uma quebra na pele é permitido aos microrganismos \u201cmigrar\u201d para os 
tecidos mais profundos onde podem aderir e multiplicar-se mais rapidamente. No entanto, a simples 
presença ou multiplicação de microrganismos no leito da ferida não indica necessariamente que se 
desenvolveu uma infeção.4,5,8,10 
O envolvimento bacteriano de uma ferida pode ser dividido em contaminação, colonização e 
infeção. 
Contaminação \u2013 presença de microrganismos na superfície da ferida sem replicação. 
Colonização \u2013 presença de microrganismos em replicação mas sem resposta imunitária do 
hospedeiro. 
Infeção \u2013 presença de microrganismos em replicação e com invasão de tecidos viáveis, 
provocando resposta do hospedeiro. 
O diagnóstico de infeção de uma ferida é baseado em sinais clínicos e sintomas ou nos 
resultados das culturas. Os sinais clássicos de infeção são eritema, calor, edema, dor e exsudado 
purulento. Existem ainda sinais e sintomas adicionais específicos propostos como indicadores de 
infeção da ferida, tais como, drenagem serosa com inflamação concorrente, cicatrização retardada, 
descoloração do tecido de granulação, retração do tecido de granulação, odor intenso e colapso da 
ferida. 
Quando o diagnóstico da infeção na ferida não é clinicamente óbvio pode ser necessário 
recorrer a culturas. As amostras de feridas mais comuns são o tecido da ferida (biopsia), fluido 
aspirado com agulha e a zaragatoa. Para o diagnóstico de infeção na ferida foram adotados valores 
superiores a 105 organismos por grama de tecido, milímetro de fluido ou zaragatoa. 
Embora a técnica para avaliar a infeção em feridas mais fiável seja a biopsia, esta é pouco 
utilizada por ser um procedimento invasivo e caro. Na prática, os resultados da zaragatoa segundo a 
técnica de Levine aproxima-se bastante da biopsia. 
A zaragatoa segundo a técnica de Levine consiste em, depois de limpar a ferida, rodar a 
zaragatoa sobre 1 cm2 de tecido viável exercendo pressão suficiente para expelir fluido do tecido da 
ferida, ou seja, esta técnica tenta colher microrganismos presentes nos tecidos da ferida e não apenas 
da superfície da ferida. 
 
 
Figura 6 - Zaragatoa segundo a técnica de Levine. 
O tratamento da infeção da ferida exige uma correção dos fatores sistémicos que afetam a 
resistência do hospedeiro, tais como doenças metabólicas, vasculares, nutrição inadequada, 
tabagismo, alcoolismo. A nível do tratamento local deve-se intensificar a limpeza da ferida por 
irrigação, desbridamento contínuo do tecido não viável de forma a reduzir a carga bacteriana, 
utilização de apósitos com ação antimicrobiana (prata, iodo, mel, polihexanida) e, se necessário, iniciar 
antibioterapia sistémica.4,5,8,10 
 
8. 4 Controlo do exsudado 
 
O excesso de exsudado tem um impacto negativo no processo de cicatrização, pois está 
demonstrado que feridas extremamente exsudativas cicatrizam mais lentamente comparativamente 
com as menos exsudativas. O exsudado das feridas crónicas é bioquimicamente diferente do das 
feridas agudas, induzindo a decomposição das proteínas da matriz extracelular e dos fatores de 
crescimento. A complicação mais frequente do excesso de exsudado é a maceração da pele peri-
lesional, que pode culminar com um aumento do tamanho da ferida. Devemos por isso reduzir ao 
mínimo o contacto do exsudado com a pele peri-lesional utilizando um protetor barreira. 
O controlo direto do exsudado implica a utilização de apósitos com elevada capacidade de 
gestão do exsudado (carboximetilcelulose, espumas e alginatos), de terapia de pressão negativa 
tópica e terapia compressiva (úlceras de etiologia venosa). As abordagens indiretas relacionam-se com 
o tratamento da causa subjacente; exemplo disso é a diminuição da carga bacteriana que causa 
frequentemente excesso de exsudado. Convém realçar que se o tratamento das causas subjacentes 
for descorado o controlo direto por si só não produz efeitos satisfatórios.1,3,6,10 
 
Figura 7 e 8 - Maceração da pele peri-lesional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
1. BARANOSKI, S., AYELLO, E., (2004). O essencial sobre o tratamento de feridas. 
Lusodidacta. Loures, Portugal. ISBN 972-8930-03-8. 
2. DEALEY, C. (1996) The care of wounds. A guide of nurses. Blackwell Science. 
3. European Wound Management Association (EWMA). Position Document: Wound Bed 
Preparation in Practice. London: MEP Ltd, 2004. 
4. \u201cIdentifying criteria for wound infection\u201d (2005). Position document EWMA. 
5. \u201cManagement of wound infection\u201d (2006). Position document EWMA. 
6. Exudado en las heridas y utilidad de los apósitos (2007). Un documento de consenso 
WUWHS. 
7. Grupo nacional para el estudio y asesoramiento en úlceras por presión y heridas 
crónicas. (2003). Documentos GNEAUPP. 
8. Grupo Nacional Para El Estudio Y Asesoramiento En Úlceras Por Presión Y Heridas 
Crónicas. TORRA I BOU e SOLDEVILLA (coord). (2004). Atención integral de las heridas 
crónicas. Madrid, Espanha. ISBN 84 \u2013 95552-18-3. 
9. MORISON, Moya J. (2004). Prevenção e Tratamento de úlceras de pressão. Lusociência 
\u2013 Edições Técnicas e Científicas, Lda. Loures \u2013 Portugal. ISBN 972-8383-68-1. 
10. TORRA I BOU, Joan-Enric. (1997). Manual de sugerencias sobre cicatrización y cura en 
ambiente húmedo. Madrid: Jarpyo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9. Apósitos com ação terapêutica 
Gustavo Afonso; Cristina Afonso; Marta Miranda 
 
A acompanhar o desenvolvimento técnico e científico das ciências biomédicas, a abordagem 
da pessoa portadora de feridas, assim como os produtos para a sua prevenção e tratamento, têm 
vindo a evoluir. 
Relativamente ao tratamento de feridas, existe um primeiro registo de execução de pensos 
em 1550 a. C. \u2013 \u201cPapiro de Ebers\u201d. Na antiga Mesopotâmia as feridas eram lavadas com água e leite e 
cobertas com resina e mel. Os Egípcios iniciaram o uso de substâncias com efeito antibacteriano 
(mercúrio) e antissético (malaquite). Contudo, os primeiros princípios de assepsia foram 
implementados por Hipócrates na antiga Grécia (400 a. C.). No Império Romano, Galeno (médico do 
imperador Marco Aurélio) desenvolveu a \u201cTeoria do Pus Louvável\u201d, defendendo que todas as feridas 
teriam que supurar para cicatrizar. Esta teoria permaneceu vigente até meados do século XIX, apesar 
de ter sido contestada no século XIII por Theodorico de Luca. 
A evolução a nível da indústria de pensos desencadeou-se a partir do século XVIII. No século 
XIX, devido a vários acontecimentos históricos, Guerra da Crimeia, Revolução Industrial e diversas 
descobertas científicas (invenção do microscópio, anestesiologia, pasteurização, esterilização, 
implementação do uso de luvas e máscaras e a descoberta dos antibióticos), desencadearam-se 
grandes progressos na área do material de penso e no tratamento de feridas. 
No entanto, foi nos anos 60, com os estudos