Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
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Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


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de George Winter, que surgiu o conceito de 
cicatrização e tratamento de feridas em meio húmido, método a partir do qual é criado um ambiente 
com condições de humidade e temperatura ideais para o processo de cicatrização. 
Na década de 80, Turner definiu os critérios aos quais deveria obedecer um penso ideal: 
manter ambiente húmido; remover o excesso de humidade; permitir trocas gasosas; manter 
isolamento térmico; proteger as feridas de agressões externas (físicas e microbianas); ser livre de 
partículas tóxicas; permitir a sua remoção sem causar traumatismo ou dor. É com base nestes 
pressupostos que a indústria de pensos elabora materiais para o tratamento de feridas. 
Hoje temos ao nosso dispor uma variedade enorme de produtos para o tratamento e 
prevenção de feridas cujos efeitos terapêuticos se baseiam em princípios favorecedores da 
cicatrização com menos efeitos secundários e maior qualidade. 
De forma a selecionar a melhor opção terapêutica, o conhecimento dos produtos disponíveis 
deve ser o mais completo possível, aliado ao conhecimento integral da fisiologia da cicatrização e a 
uma abordagem holística da pessoa portadora de ferida. 
 
 
 
Segue-se uma descrição de categorias de produtos agrupados por mecanismo de ação, 
estando ordenados alfabeticamente. 
\uf0b7 Ácidos Gordos Hiperoxigenados 
\uf0b7 Ácido Hialurónico 
\uf0b7 Alginatos 
\uf0b7 Carvão Ativado (apósitos com) 
\uf0b7 Colagenase 
\uf0b7 Colagénio (apósitos com) 
\uf0b7 Copolímero Acrílico (películas poliméricas) 
\uf0b7 Espumas de Poliuretano 
\uf0b7 Filmes de Poliuretano (películas transparentes) 
\uf0b7 Hidrocolóides 
\uf0b7 Hidrofibras 
\uf0b7 Hidrogéis 
\uf0b7 Iodo (apósitos com) 
\uf0b7 Maltodextrina 
\uf0b7 Mel (apósitos com) 
\uf0b7 Poliacrilato (apósitos de) 
\uf0b7 Polihexanida (apósitos com) 
\uf0b7 Prata (apósitos com) 
\uf0b7 Silicone (apósitos com) 
\uf0b7 Tules 
 
Ácidos gordos hiperoxigenados 
Compostos por ácidos gordos essenciais, principalmente ácido linoléico. Aumentam a 
hidratação da pele ao repor a película hidrolipídica e a microcirculação sanguínea por renovação 
capilar favorecendo a elasticidade e resistência da pele. 
Estão indicados na prevenção de úlceras de pressão e tratamento de úlceras de pressão de 
categoria I. 
Apresentam-se sob a forma de spray e cápsulas. 
Aplicam-se sobre a pele íntegra devendo efetuar-se uma massagem suave até à absorção total 
do produto, repetindo-se este procedimento duas a três vezes por dia.1,6 
 
 
 
 
 
Figura 1 - Aplicação Ácido gordo hiperoxigenado 
 
 
Ácido hialurónico 
 
O ácido hialurónico é uma molécula polissacarídea natural presente na matriz extracelular de 
vários tecidos e órgãos do corpo. 
Tem um papel importante em todas as fases do processo de cicatrização, principalmente de 
feridas crónicas sem evolução. 
Produz efeitos na organização dos proteoglicanos, na proliferação de tecido de granulação por 
facilitar a angiogénese e formação de tecido conjuntivo e na migração celular, nomeadamente dos 
queratinócitos. 
Em contacto com a ferida converte-se num gel hidrofílico promovendo um ambiente húmido 
favorecedor da cicatrização. 
Está contraindicado em feridas criticamente colonizadas e infetadas. 
Apresenta-se sob a forma de placas, ampolas, tiras e microgrânulos. 
Pode permanecer na ferida até três dias.1,6,9 
 
 
 
 
 
 
 
 
Alginatos 
 
Os alginatos são polissacarídeos naturais derivados do ácido algínico extraído de algas 
marinhas. 
Atuam por troca iónica entre iões cálcio do alginato e os iões sódio do exsudado da ferida. Em 
contacto com este, formam um gel que cria um ambiente húmido favorecendo a cicatrização, 
promove o desbridamento autolítico e o alívio da dor (por humedecimento das terminações 
nervosas). 
Figura 2 e 3 \u2013 Exemplo Ácido hialurónico 
 
 
 
Têm ainda efeito hemostático pela indução da formação de protrombina por parte dos iões 
cálcio. 
São úteis em feridas infetadas uma vez que têm algum efeito bacteriostático por retenção de 
microrganismos na sua estrutura. 
Estão indicados em feridas extremamente exsudativas, superficiais ou profundas, visto terem 
capacidade de absorção de dez a vinte vezes o seu peso. No entanto, absorvem o exsudado 
longitudinalmente, pelo que se recomenda que a sua aplicação não deva ultrapassar os bordos da 
ferida. 
Não são úteis na presença de necrose seca ou feridas pouco exsudativas. 
É a quantidade de exsudado que indica o tempo de permanência na ferida que pode ser de 
sete dias. 
Requerem apósito secundário. 
Apresentam-se sob a forma de placas e tiras; as tiras são indicadas para feridas cavitárias e 
profundas.2,6,12,13 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Carvão ativado (apósitos de) 
Apósitos constituídos por carvão ativado. 
O carvão tem efeito desodorizante porque adsorve à superfície as moléculas responsáveis 
pelo mau odor. 
Quando associado à prata está indicado para feridas infetadas pelo efeito antimicrobiano da 
prata. Em associação com alginatos e carboximetilcelulose são úteis em feridas exsudativas pelo seu 
poder de absorção. 
Alguns apósitos não podem ser cortados pelo risco de libertação de partículas de carvão. 
Figura 4 e 5 \u2013 Utilização Alginatos 
 
 
 
Podem permanecer na ferida até sete dias de acordo com as propriedades do apósito 
secundário.2,6,7,10 
 
 
 
 
 
 
 
 
Colagenase 
 
A colagenase é uma enzima exógena com funções reconhecidas no desbridamento enzimático 
de tecido necrosado. 
Atua por destruição da fibrina, colagénio e elastina, separando o tecido necrótico do tecido 
viável. 
Apresenta-se sob forma de pomada. 
Necessita de apósito secundário e pode associar-se um hidrogel. 
Pode provocar reação de sensibilidade na pele perilesional, pelo que esta deve ser 
previamente protegida. 
Contraindicada em feridas infetadas. 
Não deve utilizar-se sabões, detergentes, antisséticos e metais pesados por provocarem 
inativação da colagenase. 
A mudança de penso deve ser diária podendo permanecer por mais tempo na ferida se 
associada a um hidrogel, de acordo com as condições da pele perilesional e apósito secundário 
associado.2,7,13 
 
 
 
 
Figura 6 \u2013 Apósitos de carvão ativado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Colagénio (apósitos de) 
 
O colagénio é uma proteína presente na pele, com funções importantes no processo de 
cicatrização, pois estimula o crescimento do tecido de granulação por estimulação da angiogénese e 
desenvolvimento dos fibroblastos. Tem também ação hemostática por aumento da agregação 
plaquetária. 
Está indicado para feridas crónicas sem evolução, idealmente sem necrose e/ou infeção. 
Deve utilizar-se com apósito secundário (exemplo: espumas). 
Apresentam-se sob forma de pó, grânulos ou placas. Pode estar associado a outras 
substâncias como, por exemplo, matriz modeladora das proteases e gentamicina. 
Não necessita ser removido porque é absorvido.1,6,7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 \u2013 Colagenase 
 
 
 
 
Figura 8 \u2013 Apósitos de Colagénio 
 
 
 
 
 
Copolímero acrílico (películas poliméricas) 
 
Solução polimérica que forma uma película uniforme quando aplicada na pele, com 
capacidade para prevenir e tratar os efeitos do excesso de humidade causada por incontinência, sucos 
digestivos e exsudados de feridas e, também, de produtos adesivos e fricção. 
Apresenta-se sob a forma de spray que não se transfere para outras superfícies, como fraldas 
e material de penso, permitindo um aumento da adesividade dos apósitos. 
Na proteção da pele perilesional, a frequência de aplicação varia em função da quantidade e 
tipo de exsudado