Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
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Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


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a incidência é de 1% a 50% em 
utentes hospitalizados. Facto que demostra que mesmo a prevalência tem uma amplitude muito 
grande de país para país e de contexto para contexto. 
Dados referentes à população portuguesa, de acordo com o relatório do Instituto de Qualidade em 
Saúde (2004), apontam uma prevalência de UP em instituições hospitalares nacionais entre os 7 e 25% 
e os dados permitem ainda estabelecer valores de incidência entre 2-13%. O primeiro estudo nacional 
de prevalência, foi realizado por Ferreira et al. (2007) que verificou uma prevalência de 31,3% na 
validação nacional da escala de Braden. Dados referentes aos mesmos autores (2007), após a 
implementação da referida escala, verificaram que a prevalência de UP reduziu para 19,3%. 
Ainda referente a Portugal continental, Pini & Alves (2012) realizaram um estudo transversal, 
quantitativo, nas unidades de cuidados de longa duração, englobando 545 doentes, e estimou-se uma 
prevalência de UP na ordem dos 23%. 
De forma a prevenir o desenvolvimento das UP é necessário realizar uma avaliação contínua dos 
indivíduos e instituir medidas preventivas desde a admissão na instituição de saúde ou no domicílio. 
 
10. 3 Classificação das úlceras de pressão 
O registo e a caracterização das UP são fundamentais para a monitorização adequada dos cuidados 
prestados aos doentes, uma vez que permitem estabelecer corretamente medidas de tratamento e 
melhorias nos cuidados aos doentes (DGS, 2011). 
Quando uma UP é avaliada pela primeira vez, esta pode apresentar diferentes caraterísticas, 
dependendo do local, da profundidade, assim como tempo de evolução, que pode ser de poucas horas 
até dias (Tschannen, et al., 2012). 
No entanto, é de salientar que a classificação por categorias serve apenas para classificar a 
profundidade dos tecidos lesados e não monitorizar a evolução da cicatrização (NPUAP, 1995), (Alves 
et al., 2013). 
Seguindo a orientação da EPUAP, o Sistema de classificação das úlceras de pressão NPUAP / EPUAP, é 
o seguinte: 
 
 
Categoria I: eritema não branqueável em pele intacta 
Pele intacta com eritema não branqueável de 
uma área localizada, normalmente sobre uma 
proeminência óssea, descoloração da pele, 
calor, edema, tumefacção ou dor podem 
também estar presentes. Em pele escura 
pigmentada pode não ser visível o 
branqueamento. 
Descrição adicional: a área pode ser dolorosa, 
firme, suave, mais quente ou mais fria 
comparativamente com o tecido adjacente. A 
categoria I pode ser difícil de identificar em 
indivíduos com tons de pele escuros. Pode ser 
indicativo de pessoas \u201cem risco\u201d. 
 
Categoria II: perda parcial da espessura da pele ou flictena 
Perda parcial da espessura da derme que se 
apresenta como uma ferida superficial (rasa) 
com leito vermelho rosa sem crosta. Pode 
também apresentar-se como flictena fechada 
ou aberta preenchida por líquido seroso ou 
sero-hemático. 
Descrição adicional: apresenta-se como uma 
úlcera brilhante ou seca, sem crosta ou 
contusões. Esta categoria não deve ser usada 
para descrever fissuras da pele, queimaduras 
por fita adesiva, dermatite associada a 
incontinência, maceração ou escoriação. 
Categoria III: perda total da espessura da pele (tecido subcutâneo visível) 
Perda total da espessura tecidular. Pode ser 
visível o tecido adiposo subcutâneo, mas não 
estão expostos os ossos, tendões ou músculos. 
Pode estar presente algum tecido desvitalizado 
(fibrina húmida). Pode incluir lesão cavitária e 
encapsulamento. 
Descrição adicional: a profundidade de uma 
úlcera de categoria III varia com a localização 
anatómica. A asa do nariz, orelhas, região 
occipital e maléolos não têm tecido subcutâneo 
(adiposo) e uma úlcera de categoria III pode ser 
rasa (superficial); em contrapartida, em zonas 
com adiposidade significativa podem 
desenvolver úlceras de pressão de categoria III 
extremamente profundas. O osso / tendão não 
são visíveis ou diretamente palpáveis. 
Categoria IV: perda total da espessura dos tecidos (músculos e ossos visíveis) 
Perda total da espessura dos tecidos com 
exposição dos tendões e músculos. Pode estar 
presente tecido desvitalizado (fibrina húmida) 
e ou necrótico. Frequentemente são cavitárias 
e fistuladas. 
Descrição adicional: a profundidade de uma 
úlcera de pressão de categoria IV varia com a 
localização anatómica. A asa do nariz, orelhas, 
região occipital e maléolos não têm tecido 
subcutâneo (adiposo) e estas úlceras podem 
ser rasas (superficiais). Uma úlcera de categoria 
IV pode atingir as estruturas de suporte 
(exemplo, fascia, tendão ou cápsula articular) 
tornado a osteomielite e a osteíte prováveis de 
acontecer. Existe osso / músculo exposto visível 
ou diretamente palpável. 
 
Existem categorias adicionais para os EUA, que são descritas para conhecimento e não adaptação à 
realidade nacional. 
Não graduáveis / inclassificáveis: perda total da espessura da pele ou tecidos \u2013 profundidade 
indeterminada 
Perda total da espessura dos tecidos na qual a 
profundidade atual da úlcera está bloqueada 
pela presença de tecido necrótico (amarelo, 
acastanhado, cinzento, verde ou castanho) e ou 
escara (tecido necrótico acastanhado, 
castanho ou preto) no leito da ferida. 
Descrição adicional: até que seja removido 
tecido necrótico suficiente para expor a base da 
ferida, a verdadeira profundidade não pode ser 
determinada, mas é no entanto uma úlcera de 
categoria III ou IV. Uma escara estável (seca, 
aderente, intacta e sem eritema ou flutuação) 
nos calcâneos, serve como penso biológico 
natural e não deve ser removida 
Suspeita de lesão nos tecidos profundos 
Área vermelho escuro ou púrpura localizada 
em pele intacta e descolorada ou flictena 
preenchida com sangue, provocadas por danos 
no tecido mole subjacente pela pressão e ou 
forças de torção. 
Descrição adicional: a área pode estar rodeada 
por tecido mais doloroso, firme, mole, húmido, 
quente ou frio comparativamente ao tecido 
adjacente. A lesão dos tecidos profundos pode 
ser difícil de identificar em indivíduos com tons 
de pele escuros. A evolução pode incluir uma 
pequena flictena sobre o leito de uma ferida 
escura. A ferida pode evoluir adicionalmente 
ficando coberta por uma fina camada de tecido 
necrótico (escara). A sua evolução pode ser 
rápida expondo camadas de tecido adicionais 
mesmo com o tratamento. 
 
 
Figura 5 - Úlcera de pressão de categoria I. 
 
 
 
 
Figura 7 - Úlcera de pressão de categoria III. 
 
 
A ausência de UP é considerada um indicador de qualidade dos cuidados de Enfermagem (Pancorbo-
Hidalgo et al., 2006; Elliott, 2010). 
 
Em alguns países existe já a responsabilização, revogação de licenças e coimas penalizando as 
instituições pelo desenvolvimento destas lesões (Glover, 2003). Desta forma, é essencial um correto 
diagnóstico e classificação destas lesões. 
 
 
 
 
Figura 8 - Úlcera de pressão de 
categoria IV. 
Figura 6 - Úlcera de pressão de categoria II. 
 
10. 4 Avaliação do grau de risco de desenvolvimento de úlceras de pressão 
A avaliação do risco de desenvolvimento de UP é fundamental no planeamento e implementação de 
medidas para a sua prevenção e tratamento (DGS, 2011). A utilização de escalas e o juízo clínico são 
fundamentais na avaliação de risco de desenvolvimento e na sua estratificação. 
As escalas de avaliação de risco são instrumentos que possibilitam avaliação sistematizada e 
mensurável e que permitem auxiliar na identificação de doentes em risco. 
Existem várias escalas de avaliação de risco para UP, mais de 50 a nível mundial, no entanto,