Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
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Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


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The current state of evidence-based protocols in wound care. 
Plast Reconstr Surg. 2011 Jan;127 Suppl 1:144S-153S. doi: 10.1097/PRS.0b013e31820023dc. 
 
 
 
 
 
 
10. 5 Prevenção das úlceras de pressão 
10. 5. 1 Posicionamentos terapêuticos 
 
Helena Silva 
 
A diminuição da mobilidade física contribui para a inaptidão / incapacidade do doente mudar de 
posição ativamente, tendo como consequência a imobilidade. Esta, por sua vez, pode ter 
complicações graves, nomeadamente úlceras de pressão, atelectasias, pneumonias por estase, 
dor, cálculos renais. Os pacientes acamados ou que permaneçam sentados em cadeiras e que 
não são autónomos para mudar de posição apresentam maior risco de desenvolver úlceras de 
pressão. Uma forma de prevenir tal complicação é a recorrência ao reposicionamento do 
paciente com frequência e, simultaneamente, inspecionar e avaliar o estado da pele. 
O posicionamento terapêutico visa manter o conforto, a dignidade e a capacidade funcional do 
indivíduo. 
 
O posicionamento correto é tão importante na cama como na cadeira e tem como objetivo 
assegurar as amplitudes articulares, a manutenção da integridade da pele, a prevenção de 
úlceras de pressão e favorecer a sua cicatrização, caso já estejam presentes. Auxilia na 
prevenção de edemas, dor, contraturas e deformidades do sistema músculo-esquelético, bem 
como promove a ativação do sistema arterial, venoso e linfático, além de proporcionar 
estimulação sensorial e percetual. Ainda promove a expansão pulmonar e a drenagem de 
secreções brônquicas, melhorado a oxigenação dos tecidos e proporcionando conforto e bem-
estar. 
 
Posicionamentos terapêuticos são as posturas em que se coloca a pessoa quando esta não tem 
capacidade para mudar de posição sozinha e / ou quando a situação clínica não permite. 
 
O posicionamento terapêutico é considerado uma estratégia das mais eficazes no alívio da 
pressão de uma área do corpo, coadjuvando na prevenção de aparecimento de soluções de 
continuidade da pele, promovendo a recuperação de lesões já instaladas, bem como a 
prevenção de novas lesões. 
 
Úlcera de pressão, como o nome indica, pode ser entendida como consequência da pressão 
quando os tecidos moles são comprimidos entre a superfície de apoio e a proeminência óssea. 
 
Vários fatores contribuem para o desenvolvimento de úlceras de pressão, nomeadamente 
fatores intrínsecos: imobilidade, diminuição da tolerância tecidual, alterações cutâneas, 
hipotensão / perfusão tecidual, sensibilidade reduzida, peso corporal, dor, défices nutricionais, 
idade, incontinência, humidade / temperatura, perceção sensorial alterada, hábitos de consumo 
de substâncias ilícitas, fatores psicossociais, educação, categoria e abrangência da lesão. No 
entanto, as úlceras de pressão na sua maioria, são causadas por fatores extrínsecos: pressão, 
cisalhamento / torção, fricção / atrito e humidade. Destes fatores, o mais agressivo é a pressão, 
mas quando combinados tornam-se extremamente ofensivos para a pele e tecidos, 
contribuindo para aumentar a extensão da lesão.1,2,3 
 
Sempre que possível deve-se recorrer ao uso de ajudas de terceiros e de material de apoio 
(resguardos de transferência, elevadores mecânicos, entre outros) para elevar o paciente de 
forma a evitar a fricção, torção e arrastamento. 
Podem existir outras causas de pressão, como é o caso de dispositivos médicos ou até objetos 
deixados na cama inadvertidamente. 
 
O posicionamento correto é tão importante na cadeira como na cama e visa distribuir o peso 
pela maior área possível, com intuito de evitar sobrecargas nas proeminências ósseas. 
 
Avaliação do risco de desenvolvimento de úlceras de pressão deverá incluir três passos 
essenciais: avaliação do risco através de uma escala validada, inspeção diária sistemática da 
integridade da pele e atuação precoce. 
 
O posicionamento / reposicionamento é considerado o momento ideal para observar a pele e 
vigiar as zonas mais suscetíveis de pressão. A maioria dos estudos1,2,3,4 apontam para o 
reposicionamento de duas em duas horas na cama e de 15 em 15 minutos nas cadeiras; no 
entanto, é necessário estabelecer um protocolo individual para cada paciente, tendo em conta 
o seu estado clínico e a tolerância da sua pele e tecidos. Esta frequência pode variar dependendo 
da situação de risco do paciente e a superfície de apoio utilizada. Segundo Bryant3 o protocolo 
deve ser estabelecido o mais precocemente possível, de preferência nas primeiras 24 horas em 
que o paciente apresenta compromisso da sua mobilidade física.3,4 
 
Os posicionamentos / reposicionamentos devem ser instituídos mediante um plano de 
intervenção de cuidados com intervalos definidos. Inicialmente a pele do paciente deve ser 
observada pelo menos de hora a hora, para desta forma vigiar as zonas de maior pressão. Deve 
registar-se qualquer diminuição da hiperémia reativa (vermelhidão causada por irrigação 
excessiva, aumento do fluxo sanguíneo que visa oxigenar os tecidos e remover os subprodutos 
do metabolismo), de forma a observar qualquer progressão dos sinais isquémicos (deficiente 
circulação sanguínea na área devido a vasoconstrição ou obstrução dos vasos sanguíneos). Para 
que os intervalos entre os reposicionamentos possam ser aceites, não deve ser observada 
qualquer progressão dos sinais isquémicos; caso se verifique a sua progressão é necessário 
reavaliar o posicionamento e a superfície de apoio em uso. A mudança para essa posição pode 
ser eliminada temporariamente ou o seu tempo reduzido. Após as 24 horas, não havendo 
compromisso isquémico, pode-se ir alargando os intervalos de tempo para cada 
reposicionamento, sem descurar da vigilância da pele, até predefinir um intervalo de acordo 
com as necessidades do paciente.3,4,5,6 
 
As mudanças de posição / reposicionamentos são referência em todas as guidelines referentes 
a prevenção de úlceras de pressão1,2,3,4,5,6 e devem ser programadas incluindo as posições e 
decúbitos possíveis que não estejam contra indicados devido ao estado clínico da pessoa e sejam 
tolerados pelo mesmo. Respeitar os princípios da mecânica corporal, usar recursos de acordo 
com as características antropométricas, bem como respeitar o grau de colaboração da pessoa a 
ser posicionada, são princípios a atender. Para verificar o grau de colaboração da pessoa é 
necessário avaliar a capacidade cognitiva, o estado fisiológico e clínico, o nível de mobilidade 
aplicando a escala de avaliação da força muscular de Medical Research Council. 
 
Posicionamento na cama 
 
Os reposicionamentos na cama, devem ser programados de acordo com os seguintes decúbitos: 
decúbito dorsal (figura 1), decúbito semi-dorsal (figura 3), decúbito ventral (figura 4a e 4b), 
posição semi-ventral (figura 5), decúbito lateral esquerdo e direito (figura 6), posição de fowler 
e semi-fowler (figura 7). Cada posicionamento deve respeitar o alinhamento corporal, assegurar 
o máximo conforto, dignidade e bem-estar ao paciente de forma a preservar a capacidade 
funcional ainda presente. 
 
A alternância entre estes decúbitos auxilia a promover o alívio da pressão através da distribuição 
do peso pela maior área corporal, evitando sobrecarga nas proeminências ósseas. Para além 
desta alternância de decúbitos deve-se, sempre que possível, recorrer a superfícies de apoio 
(colchões e almofadas) ajustadas à situação clínica do paciente. 
 
 
 
 
Em decúbito dorsal (figura 1), deve-se ter em atenção a pressão a que os calcâneos estão 
expostos. Vários estudos demonstram que os calcâneos são particularmente vulneráveis à 
pressão. Deve colocar-se uma almofada entre a região poplítea e os calcâneos para que estes