Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
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Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


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uma rotação sobre o seu eixo longitudinal. Consegue-se parametrizar e controlar o grau 
de inclinação lateral, a duração e a frequência de vezes que ocorre a rotação.1 
Baixa perda de ar 
São superfícies de apoio que proporcionam um fluxo de ar para ajudar na gestão do calor e 
humidade, microclima, na zona da interface (figura 11).1 
 
Figura 11 - Mecanismo de ação de um colchão de baixa perda de ar. (Traduzido e adaptado de: 
Rodriguez PM, Lópes CP, Garcia MP, Ibars MP. Superficies especiales para el manejo de la 
présion en prevención y tratamento de las ulceras por presión. Serie Documentos Técnicos 
GNEAUPP nº XIII. Grupo Nacional para el Estudio y Asesoramiento en Úlceras por Presión y 
Heridas Crónicas. Logroño. 2011). 
Zona 
São superfícies de apoio que apenas possuem uma característica de redistribuição de pressão 
(figura 12).1 
 
Figura 12 - Superfície de apoio apenas constituída por um tipo de material. Imagem gentilmente 
cedida pela Invacare®. 
Mistas ou combinadas 
Estas superfícies de apoio apresentam diferentes segmentos com diferentes características de 
redistribuição da pressão (figura 13).1 
 
Figura 13 - Colchão com duas caracteristicas de redistribuição da pressão. (Traduzido e adaptado 
de: Rodriguez PM, Lópes CP, Garcia MP, Ibars MP. Superficies especiales para el manejo de la 
présion en prevención y tratamento de las ulceras por presión. Serie Documentos Técnicos 
GNEAUPP nº XIII. Grupo Nacional para el Estudio y Asesoramiento en Úlceras por Presión y 
Heridas Crónicas. Logroño. 2011). 
 
 
G - As características que devem ter as superfícies de apoio 
 
A utilização de superfícies de apoio não elimina a necessidade de posicionar e de ser 
reposicionado. Com a utilização das superfícies de apoio corretas, será possível reduzir a 
frequência, e apenas a frequência, dos posicionamentos.2,4,6,8 
A seleção de uma superfície de apoio apropriada para a redistribuição da pressão não deve ser 
baseada apenas na avaliação de risco por si só, mas deve também levar em consideração 
diversos fatores (tabelas 3 e 4), tais como: 
 
- a capacidade que um doente tem em mobilizar-se / levantar-se / transferir-se da cama / 
cadeira; 
- o conforto e bem-estar do doente (algumas superfícies podem ser desconfortáveis para 
determinados doentes, podem ser ruidosas e a sua aparência ser desagradável); 
- a necessidade de otimizar o microclima (algumas superfícies conseguem gerir a temperatura e 
humidade diretamente por baixo do utente); 
- contexto de cuidados (algumas superfícies / camas não são as mais adequadas às condições 
das habitações dos utentes, por exemplo a necessidade de ter um gerador presente); 
- custo / eficácia; 
- recursos financeiros do doente. 
Sistemas de camas integrados podem incluir como características extra a rotação lateral ou 
vibração da superfície, estas duas funções como adjuvantes para utentes com patologia 
ventilatória. O 'Turn Assist' foi projetado principalmente para ajudar no reposicionamento com 
supervisão de um profissional de saúde; é realizado pela superfície de apoio uma lateralização 
da pessoa.4 
Algumas capas de colchão são feitas de material que favorecem a dissipação de calor. 
Reposicionar os doentes permite que a pele que esteve em contacto com a capa do colchão 
fique exposta ao ar ficando mais fria. Também fornece uma oportunidade para que a 
transpiração se evapore.4 
Para os doentes incontinentes e que requerem o uso de material absorvente, fraldas, pensos 
urinários, entre outros, é preferível o recurso a materiais respiráveis que permitam a evaporação 
da humidade. É preciso assegurar que a utilização de material absorvente não interfira ou 
impeça a redistribuição da pressão e que não altere as propriedades de controlo de microclima 
da superfície de apoio em utilização.4 
Superfícies de espuma tendem a aumentar a temperatura da interface porque têm fracas 
propriedades de transferência do calor. A porosidade da capa é muito importante na 
evaporação da humidade nos colchões de espuma.4 
Colchões ou sobre colchões que contenham gel podem inicialmente ter um efeito de 
arrefecimento, mas este efeito começa a desaparecer depois de mais de duas horas de contacto 
com o doente e tendem a aumentar a humidade na interface.4 
Superfícies de apoio que contenham algum tipo de fluido com uma elevada capacidade térmica 
têm o potencial para reduzir a temperatura da pele.4 
Algumas superfícies de apoio têm características que ajudam na otimização do microclima, 
permitindo que o ar flua através da superfície, por exemplo, colchões de baixa perda de ar ou 
camas fluidificadas por ar. O fluxo de ar arrefece a pele através do efeito de convecção e evapora 
a humidade da interface.4 
Nas superfícies de baixa perda de ar, o ar é bombeado para uma série de almofadas por onde é 
permitido que este ar escape através de pequenos orifícios, porosidades, na capa das almofadas. 
Estas superfícies conseguem reduzir a temperatura da pele e atingir níveis baixos de humidade, 
inferiores aos colchões convencionais.4,6 
As superfícies ativas tipicamente operam na base de um-em-dois ciclos dando um intervalo de 
correspondência entre a duração de aplicação de carga (50%) e de transferência de carga (50%) 
(figura 14). Alguns dispositivos funcionam numa sequência de um em cada três ou um em cada 
quatro, proporcionando uma maior área de apoio em cada lado da célula que desinsuflam. O 
revés desta ação é que terá que se dar mais tempo de insuflação para que aconteça a reperfusão 
das áreas sujeitas a pressão (figura 14). Geralmente, a duração do ciclo varia entre 7,5 a vinte 
minutos, em que dez minutos talvez seja a duração mais comum. A frequência do ciclo é 
sequencial, um ciclo segue outro, mas alguns aparelhos têm periodicamente uma fase ativa, 
onde um ou mais ciclos são seguidos por um intervalo reativo ou estático; portanto, é 
importante ser capaz de diferenciar entre a frequência e duração ao selecionar um dispositivo 
ativo. Estas superfícies têm células com diferente sequenciação ao longo de diferentes partes 
do corpo, tais como o sacro e calcanhares, que podem estar sempre insufladas (figura 15).7 
 
 
 
Figura 14 - Diferenças nos ciclos de colchões de pressão de ar alternado. (Traduzido e 
adaptado de: Principles of Alternating Pressure: The logical method of pressure ulcer 
avoidance. England. Huntleigh Healthcare. 2005). 
 
 
Figura 15 - Colchão de pressão de ar alternado. (Traduzido e adaptado de: Rodriguez PM, Lópes 
CP, Garcia MP, Ibars MP. Superficies especiales para el manejo de la présion en prevención y 
tratamento de las ulceras por presión. Serie Documentos Técnicos GNEAUPP nº XIII. Grupo 
Nacional para el Estudio y Asesoramiento en Úlceras por Presión y Heridas Crónicas. Logroño. 
2011). 
Há poucas restrições no uso de superfícies ativas, além das fraturas instáveis, principalmente da 
coluna vertebral. No entanto, devemos ter especial atenção aos doentes que apresentam dor 
insuportável ou espasmo muscular, porque o movimento das células de ar pode agravar a sua 
condição de saúde.7 
Almofadas ativas podem ser particularmente úteis para doentes com úlceras de pressão na 
região isquiática e / ou com lesões vertebro medulares, como alguns estudos têm demostrado 
que a perfusão cutânea isquiática é semelhante ou melhor do que a obtida da curta duração de 
"push ups" e inclinações.7 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 3 - Parâmetros que as superfícies deveram ter. 
Tabela 3 - Parâmetros que as superfícies devem ter. 
 
 
Tabela 4 - Características desejáveis das superfícies de apoio.