Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica
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Prevencao Trat Feridas Da Evidencia A Pratica


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III, sendo esta constituída por médico endocrinologista ou 
internista, ortopedista ou cirurgião vascular, fisiatra, enfermeiro, profissional treinado em 
podologia e técnico de ortóteses. Esta consulta é realizada em hospitais com valência de cirurgia 
vascular.1 
 
A definição dos objetivos dos diferentes níveis de cuidados e sua organização está definida na 
Orientação da Direção-Geral da Saúde Nº 003/2011, sobre a \u201cOrganização de cuidados, 
prevenção e tratamento do Pé Diabético\u201d.9 
F. Educação da pessoa diabética e familiares 
A educação do paciente diabético e familiares deve ser encarada como uma estratégia para 
prevenir complicações. Devem ser fornecidas informações adequadas que possibilitem a 
participação do paciente / família / cuidador na tomada de decisões. Os cuidados aos pés devem 
resultar de uma parceria entre o paciente / família / cuidadores e profissionais de saúde.11 O 
profissional deve acordar um plano de cuidados individualizado, com base nos resultados da 
avaliação do pé. A informação deve ser fornecida de acordo com as necessidades de cada 
paciente tendo em conta os riscos de úlcera e amputação.8 
 Muitos problemas com os pés podem ser prevenidos, sendo para tal necessário que o paciente 
/ família / cuidador estejam capacitados e identifiquem os vários fatores desencadeantes de 
lesão, intrínsecos e extrínsecos, evitando a exposição e a consequente lesão, bem como 
reconhecer o potencial risco das complicações das lesões nos pés. 
A educação do paciente / família / cuidador é transversal a todos os níveis de cuidados, deve ter 
em conta os ritmos de aprendizagem e o profissional deve avaliar se a mensagem foi 
compreendida.9 
 
O Grupo de Trabalho Internacional sobre o Pé Diabético recomenda que a educação do paciente 
/ família / cuidador deve contemplar: 
 
\uf0fc Inspeção diária dos pés, incluindo a área entre os dedos; caso o paciente não tenha 
potencial para realizar esta tarefa, esta deve ser realizada por outra pessoa; 
\uf0fc Lavagem regular dos pés, que devem ser cuidadosamente secos, especialmente entre 
os dedos; 
\uf0fc A temperatura da água deve ser sempre inferior a 370 C; 
\uf0fc Não usar saco de água quente ou aquecedor para aquecer os pés; 
\uf0fc Evitar andar descalço, tanto dentro como fora de casa; não utilizar calçado sem meias; 
\uf0fc Não utilizar produtos químicos ou adesivos para retirar as superfícies córneas e 
calosidades; 
\uf0fc Inspecionar e palpar diariamente o interior dos sapatos; 
\uf0fc Não usar sapatos apertados ou com bordo duro e costuras ásperas; 
\uf0fc Aplicar cremes hidratantes para a pele seca, não aplicar entre os dedos; 
\uf0fc Calçar as meias com as costuras para fora ou, de preferência, sem qualquer costura; 
\uf0fc Nunca usar meias apertadas; 
\uf0fc Cortar as unhas a direito; 
\uf0fc As superfícies córneas e as calosidades devem ser cortadas pelos prestadores de 
cuidados de saúde; 
\uf0fc O paciente deve assegurar que os seus pés são examinados regularmente por um 
profissional de saúde; 
\uf0fc O paciente deve informar imediatamente o profissional de saúde no caso de surgir uma 
bolha, fissura, arranhão ou dor. 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
 
1- Direção-Geral de Saúde. Diagnóstico Sistemático do Pé Diabético. Circular Normativa 
nº 005/2011. 
 
2- International Working Group on the Diabetic Foot. International consensus on the 
diabetic foot and practical guidelines on the management and the prevention of the 
diabetic foot. Amsterdam, The Netherlands, 2011. 
 
3- Serra LMA. O Pé Diabético: Manual para a Prevenção da Catástrofe. 2 ed. Lidel; 2008. 
 
4- Sánchez FJA, Martínez JLL, Martín GRS, Blanco LR, García FA, García JRM, et al. Atlas de 
Manejo Práctico del Pie Diabético. 2004. 
 
5- Alsina M, Asunción J, Esmatjes, Fluivià J, Jansá M, Riambau V, et al. Guia clínica para lá 
prevención e manejo de las lesiones de los pies en las personas com diabetes. Pie 
Diabético Digital: La Revista para el profesional del cuidado y tratamento del pie 
diabético 2012; 15:2-6. 
 
6- Roura JM, Mompó JLB, Rodrígues JE, Esquembre VI, Olay JR, et al. Tratado de Pie 
Diabético. Madrid: Centro de Documentacion del Grupo Esteve; 1999. 
 
7- American College of Foot and Ankle Surgeons. Diabetic Foot Disorders: a clinical practice 
guideline. A Supplement to: The Jounal of Foot & AnKle Surgery. 2006 Set; 45(5). 
 
8- International Diabetes Federation. Clinical Guidelines Task Force: Global Guideline for 
Type 2 Diabetes. 2012. 
 
9- Direcção Geral de Saúde. Organização de cuidados, prevenção e tratamento do Pé 
Diabético. Orientação nº 003/2011. 
 
10- Boulton A, Rathur H. Recent advances in the diagnosis and management of diabetic 
neuropathy. JBJS 2005 Dez; 87-B(12). 
 
11- International Best Practice Guidelines: Wound Management in Diabetic Foot Ulcers. 
Wounds International. 2013. www.woundsinternacional.com. 
 
12- Overhaussen PE, editor. Úlceras do Pé Diabético: Causas, Diagnósticos e Tratamentos. 
Lusociência; 2012. 
 
13- C.O.N.U.E.I. Documento de consenso: Conferencia Nacional de Consenso sobre Úlceras 
de la Extremidad Inferior. EdikaMed S. L.; 2009. 
 
14- García J. Diagnóstico de la Úlcera Neuropática: valoracíon del Componente Isquémico. 
Todoheridas 2010; 1(1):4-16. 
 
11. 5 Prevenção e tratamento da patologia não ulcerativa 
Paula Carvalho 
O pé diabético é uma síndroma complexa cujo conhecimento exaustivo da patologia e a 
avaliação num contexto multidisciplinar é fundamental na prescrição de um plano terapêutico. 
O sucesso clínico tem por base co-relacionar todos os fatores de risco: nível de risco, 
estrutura e função do pé, calçado, hábitos e estilo de vida do doente. Salienta-se que estes 
fatores são dinâmicos sendo necessária uma avaliação periódica com o objetivo de pôr em 
prática as medidas preventivas necessárias para cada caso. Está demonstrado que um plano de 
prevenção aliado a uma correta educação do doente pode reduzir em 50% o número de lesões 
no pé do diabético.4,7 
A podologia dedica-se ao estudo do pé em diferentes áreas, tais como a quiropodologia, 
alterações da pele e das unhas, ortopodologia, ortopedia do pé, e biomecânica, estudo estático 
e dinâmico do pé. A sinergia destes conhecimentos faz do profissional de podologia um 
intervencionista indispensável no tratamento do pé diabético. 
\u201cNum doente em situação de elevado risco, as patologias associadas às calosidades, 
unhas e pele devem ser tratadas regularmente, de preferência por um especialista com 
formação em cuidados do pé\u201d.1 
 
 
A - Quiropodologia 
 
A quiropodologia é a área da podologia que trata as patologias da pele e unhas no pé. 
A pele é o revestimento externo do corpo, considerado o maior órgão do corpo humano 
e a principal barreira a infeções. No diabético, a pele pode ser afetada por alterações vasculares, 
neurológicas e musculoesqueléticas. Por exemplo, pacientes diabéticos que apresentam uma 
arteriopatia geralmente têm pele brilhante, lustrosa e atrófica no dorso do pé. 
 
 
Figura 1 - Pele atrófica, sem pelo, pigmentação anormal, palidez. 
 
 
 
 
I - Alterações ungueais 
 
Onicogrifose 
 
São vários os fatores que contribuem para tornar o doente diabético suscetível a 
alterações ungueais. A vasculopatia ao diminuir a perfusão sanguínea a nível distal condiciona o 
crescimento das unhas, sendo característico no paciente diabético com doença vascular 
periférica, unhas engrossadas.4 
 Por outro lado, a retinopatia e a obesidade abdominal condicionam o autocuidado aos 
pés, facto que pode levar ao descuido e crescimento das unhas, fonte de traumatismo e etiologia 
de processos ulcerosos. 
 O espessamento ungueal seguido de trauma provoca, com