Tratamento de Efluentes Volume  3
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Tratamento de Efluentes Volume 3


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Obs.: Na disponibilidade de tubulão de aço com diâmetro idêntico ao especificado para a 
manilha, foi indicado que sejam utilizados em substituição desta, eliminando assim o risco 
de quebra da manilha. Desta forma, a manilha seria apenas utilizada definitivamente, na 
cota final do lixão recuperado, para a queima do gás. 
6.7.3 Dimensionamento do Sistema Proposto de Drenagem de Líquidos 
Percolados 
a) Vazão Média de Percolado 
O cálculo da vazão média do percolado visando o dimensionamento dos poços de 
acumulação, dos poços sumidouros e da trincheira drenante, foi feito utilizando-se o 
método do balanço hídrico, conforme a seguir: 
Q = PER.A / t 
onde: 
PER = percolado = 10,58 mm / mês (média mensal) 
A (área de contribuição) = 33.820 m2 
t = segundos / mês = 2.628.400 s/mês 
Q (vazão de percolado) = 0,14 l/s 
Tendo em vista que foram propostos três locais para a instalação dos poços, tem-se: 
Qp = 0,14 / 3 = 0,05 l/s = 4,32 m3/dia 
b) Dimensionamento do Poço de Acumulação 
- Chuva crítica 
Para o cálculo do dimensionamento da capacidade dos poços de acumulação para a 
chuva crítica, foi considerado que o valor desta chuva, que resulta na maior vazão no 
ponto de implantação do poço, tem duração igual ao tempo de concentração da área de 
contribuição. 
Assim sendo, para a estimativa do tempo de concentração (tc) foi utilizada a equação de 
Ven Te Chow expressa por: 
 tc = 5,3 x (L/i) 0,333 
onde: 
tc = tempo de concentração (min); 
L = comprimento do percurso (km); 
i = declividade média (m/m). 
tc = 5,3 x (0,24/0,015) 0,333 = 13,34 min = 800,4 s 
Para uma vazão de 0,05 x 10-3 m3/s, tem-se: 
Capacidade do poço = 0,05 x 10-3 x 800,4 = 0,04m3. 
Então, na escolha de manilhas de 1,2m de diâmetro e 1m de altura, foi prevista a 
implantação de três manilhas justapostas, face às cotas de implantação da trincheira 
drenante (obs.: o volume de 0,04m3 corresponde a aproximadamente 1,2% da 
capacidade do poço). 
- Tempo de Detenção 
Considerando-se que foi feita a instalação de dois poços, cada um deles de 3m de altura 
e 1,2m de diâmetro, o tempo de detenção deste sistema para a vazão calculada no 
anterior item será igual a: 
Capacidade dos poços = 2 x 3,00 x (\uf050 x 1,2^2)/4 = 6,79m3; 
Tempo de detenção = 6,79 / 4,32 = 1,57 dias = 38 horas. 
c) Dimensionamento da Trincheira Drenante 
Tendo em vista que todo sistema de drenagem deve manter suas características 
drenantes por longo tempo, deu-se a devida atenção na escolha adequada dos materiais 
componentes da trincheira drenante, tanto no que se refere ao elemento filtrante quanto 
ao aspecto de livre escoamento das águas. 
Assim sendo, foi definido um dreno subterrâneo composto por uma vala preenchida com 
material granular (brita 3 + pedra calcárea + carvão mineral), envolto com manta sintética, 
tendo basicamente a função de captar através de suas paredes o escoamento sub-
superficial dos líquidos percolados. 
O cálculo da área necessária para a trincheira, adotando-se como material de 
preenchimento da trincheira a brita 3 com Cv = 12,02 cm/seg, foi feito utilizando as 
equações citadas ora, a seguir: 
v = Cv * i 
0,54 
onde: 
v = velocidade no material granular; 
i = declividade do dreno. 
v = 12,02 x 0,010,54 = 1,00 cm/s = 1,00 x 10-2 m/s 
Sabe-se, pela equação da continuidade da Mecânica dos Fluidos, que: 
Q = A * v 
onde: 
Q = vazão; 
v = velocidade; 
A = seção transversal. 
Daí: A = Q / v = 0,14 x 10-3 / 1,00 x 10-2 = 0,014 m2 
A capacidade final da trincheira foi maiorada por 2, visando compensar possíveis 
reduções de seção transversal devido à problemas de colmatação, daí: 
A = 2 x 0,014 = 0,028 m2. \uf040 0,03m2 
Finalmente, as dimensões adotadas para a trincheira drenante são as seguintes: 
Altura do dreno = 1,00m; 
Base do dreno = 0,50m. 
6.8 Projeto de Desratização 
A operação para tratamento em ninhos de ratos, principalmente onde há grande 
quantidade de alimentos como lixo, é um trabalho onde a observação e as condutas 
disciplinadas, são quesitos para que o tratamento tenha eficácia. Dados importantes 
deverão ser levados em consideração como: fatores que identificam a atividade do ninho, 
localização, presença da prole no interior da ninheira, presença da mãe, caminhos e 
pegadas ao redor, buracos falsos, distância da fonte de alimentação, além de quantificar, 
e se possível, mapear sua localização. Estas observações são necessárias porque foi 
previsto o retorno dos aplicadores com uma periodicidade de no máximo 10 dias, para 
novas vistorias às ninheiras e aplicação de tratamento adequado, através de iscas 
granuladas e parafinadas, conforme cada situação discutida, avaliada e planejada pela 
coordenação. 
Assim sendo, a desratização foi efetivada através de duas atividades básicas distintas, 
porém inseparáveis ora, a saber: a desratização ativa e a desratização passiva (anti-
ratização). 
A desratização ativa, precedida de uma operação de despulização (combate às pulgas do 
rato \u2013 Xenopsylla Cheops) foi inicializada dois meses antes do início das obras de 
recuperação, consistindo no emprego de meios e métodos de eliminação específica de 
roedores. 
Para que se obtenha um extermínio de todos os roedores, foi necessário que o 
tratamento obedeça a uma forma de controle assíduo e rotineiro, mantendo em 
baixíssimos níveis os números de ninheiras por metro quadrado. 
Os animais possuem em seu instinto natural, forma de defesa extremamente 
característica da espécie. Ao encontrar um outro roedor morto perto de seu ninho, os 
ratos sobreviventes não se alimentarão de nada nas proximidades de seu parente morto, 
procurando outra fonte de alimento, e muitas vezes transferindo a toca, o que dificulta o 
serviço, exigindo dos técnicos maior perseverança para encontrar novas ninheiras ativas, 
para trata-las \u201cin loco\u201d, trocando de formulação e o tipo de veneno a ser usado. 
Os raticidas utilizados foram do tipo isca granulada e isca parafinada (aplicado nas 
margens do rio Jundiâ) e foram aplicados em dose única, cujo princípio ativo é o 
brodifacoum. 
A eficiência do tratamento foi observada em poucos dias nos locais tratados, com 
resultados surpreendentes, mantendo-se a periodicidade do tratamento. 
As equipes de campo foram compostas por 1 coordenador que setorizou a área 
trabalhada e 5 aplicadores, devidamente protegidos, que buscaram as ninheiras e 
utilizaram as iscas aplicadas. 
As equipes que participaram das buscas às ninheiras, estavam munidos e protegidos 
com botas, luvas, mochilas e lanternas, além dos venenos adequados à situação. 
A desratização passiva, ou anti-ratização, procurou incentivar a mobilização social da 
população visando a sua participação no combate a roedores. 
6.9 Revestimento Vegetal 
Nas áreas dos platôs e dos taludes do lixão foi previsto, de acordo com finalização das 
obras de cobertura, o plantio de grama em placas ou por hidrossemeadura, que além do 
aspecto paisagístico tem ainda a função de contenção da erosão. Também foi previsto o 
plantio de uma cerca viva de Sansão do Campo, rente à cerca de arame farpado. 
A criação de áreas verdes, através do plantio de grama, inclusive de diversas espécies 
palmáceas, arbóreas e arbustivas, proporcionam melhorias no ambiente excessivamente 
impactado e benefícios para os habitantes de áreas circundantes. A função ecológica 
deve-se ao fato da presença da vegetação no solo não impermeabilizado e, de uma 
fauna mais diversificada nessas áreas, promovendo melhorias no clima e na qualidade do 
ar, água e solo. 
A função social está intimamente relacionada com a possibilidade de lazer que essas 
áreas podem oferecer à população. Com relação a este aspecto, deve-se considerar a 
necessidade de hierarquização, segundo as tipologias e categorias de espaços livres,