Tratamento de Efluentes Volume  3
88 pág.

Tratamento de Efluentes Volume 3


DisciplinaTratamento de Água e Efluentes28 materiais556 seguidores
Pré-visualização20 páginas
1.1. TIPOS DE CONTAMINAÇÃO EXISTENTES NO SOLO 
Quando da abordagem do estudo da contaminação de um solo, não se deve limitar 
somente à verificação da presença das substâncias contaminantes e sim deve ser 
avaliado se a sua concentração supera o limite de concentração permitida no solo, não 
afetando de forma nociva e que possam ser controlados através da atenuação natural do 
solo. Esta reação está condicionada por fatores como a vulnerabilidade específica de 
cada solo, que representa o grau de sensibilidade frente à agressão dos agentes 
contaminantes e que está muito relacionada com o poder de atenuação natural do 
mesmo. Então, o grau de contaminação de um solo não pode ser estimado 
exclusivamente a partir da comparação dos valores totais de contaminantes com 
determinados valores guia e sim, deve-se levar em consideração a biodisponibilidade do 
contaminante ou a sua possível assimilação pelos organismos presentes no solo. 
Embora os tipos de contaminantes presentes no solo irão depender da tipologia dos 
resíduos dispostos na área degradada ao longo do tempo, de uma forma geral, os 
principais agentes de contaminação que podem ser encontrados em tais áreas 
degradadas são: metais pesados e contaminantes orgânicos. 
Dever-se-á instituir procedimentos e ações de investigação e de gestão, que contemplem 
as seguintes etapas (fonte: CONAMA 420/2009): 
I - Identificação: etapa em que serão identificadas áreas suspeitas de contaminação 
com base em avaliação preliminar, e, para aquelas em que houver indícios de 
contaminação, deve ser realizada uma investigação confirmatória, as expensas do 
responsável, segundo as normas técnicas ou procedimentos vigentes; 
II - Diagnóstico: etapa que inclui a investigação detalhada e avaliação de risco, as 
expensas do responsável, segundo as normas técnicas ou procedimentos vigentes, com 
objetivo de subsidiar a etapa de intervenção, após a investigação confirmatória que tenha 
identificado substâncias químicas em concentrações acima do valor de investigação; 
 
 
Consultoria e Assessoria Técnica de Engenharia à SEA para Elaboração do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS) 
Volume 6: Tratamento e Disposição Final de Resíduos Sólidos e Aspectos Ambientais e Sociais \u2013 Tomo III 
Agosto, 2013 \u2013 Rev.00 
57 /88 
III - Intervenção: etapa de execução de ações de controle para a eliminação do perigo 
ou redução, a níveis toleráveis, dos riscos identificados na etapa de diagnóstico, bem 
como o monitoramento da eficácia das ações executadas, considerando o uso atual e 
futuro da área, segundo as normas técnicas ou procedimentos vigentes. 
Segundo o CONAMA 420/2009, será considerada, pelo órgão ambiental competente, 
Área Suspeita de Contaminação \u2013 AS, aquela em que, após a realização de uma 
avaliação preliminar, forem observados indícios da presença de contaminação ou 
identificadas condições que possam representar perigo. Será declarada Área 
Contaminada sob Investigação \u2013 AI, aquela em que comprovadamente for constatada, 
mediante investigação confirmatória, a contaminação com concentrações de substâncias 
no solo ou nas águas subterrâneas acima dos valores de investigação. Será declarada 
Área Contaminada sob Intervenção-ACI, aquela em que for constatada a presença de 
substâncias químicas em fase livre1 ou for comprovada, após investigação detalhada e 
avaliação de risco, a existência de risco à saúde humana. Será declarada Área em 
Processo de Monitoramento para Reabilitação-AMR, aquela em que o risco for 
considerado tolerável, após a execução de avaliação de risco2. 
Apresenta-se na Figura 4.1-1 a seguir o fluxograma proposto pela CETESB para a 
avaliação de sítios contaminados. 
 
 
1 Fase livre: ocorrência de substância ou produto imiscível, em fase separada da água. 
2 Avaliação de risco: processo pelo qual são identificados, avaliados e quantificados os riscos à saúde humana ou a bem de 
relevante interesse ambiental a ser protegido. 
 
 
Consultoria e Assessoria Técnica de Engenharia à SEA para Elaboração do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS) 
Volume 6: Tratamento e Disposição Final de Resíduos Sólidos e Aspectos Ambientais e Sociais \u2013 Tomo III 
Agosto, 2013 \u2013 Rev.00 
58 /88 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4.1-1: Fluxograma de procedimentos para avaliação de sítios contaminados (fonte 
CETESB, 2001). 
 
 
 
Consultoria e Assessoria Técnica de Engenharia à SEA para Elaboração do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS) 
Volume 6: Tratamento e Disposição Final de Resíduos Sólidos e Aspectos Ambientais e Sociais \u2013 Tomo III 
Agosto, 2013 \u2013 Rev.00 
59 /88 
1.1.1. METAIS PESADOS 
Não obstante tradicionalmente denominar-se como metal pesado ao elemento metálico 
que apresenta uma densidade superior a 5 g/cm3 para efeitos práticos, em estudos do 
meio ambiente, amplia-se esta definição a todos aqueles elementos metálicos ou 
metaloides, de maior ou menor densidade, que aparecem comumente associados a 
problemas de contaminação. Alguns destes elementos são essenciais para os 
organismos em pequenas quantidades, como o Fe, Mn, Zn, B, Co, As, V, Cu, Ni o Mo, e 
se tornam nocivos quando apresentados em concentrações elevadas, enquanto que 
outros, como o Cd, Hg ou o Pb que não desempenham nenhuma função biológica, se 
transformam em elementos tóxicos. 
Os aportes dominantes têm como origem à disposição atmosférica e afetam de forma 
significativa os primeiros centímetros de solo. São fontes importantes de metais em solos 
as cinzas e escorias dos processos de combustão de carvão fóssil ou derivados do 
petróleo bem como, em menor quantidade, dos provenientes de resíduos industriais, 
urbanos e mineiros (metalurgia, fabricação de tintas, vernizes, solventes, baterias, têxteis, 
etc.). 
Quando se avalia a contaminação por metais, deve ter-se em mente que mais importante 
que o conteúdo total de um elemento no solo é a forma e concentração química em que 
se encontra. Assim, tal forma e concentração irão influir de forma decisiva na sua 
distribuição no solo, condicionando a sua solubilidade, a sua mobilidade no solo e nas 
águas superficiais e subterrâneas, sua disponibilidade e toxicidade e, por tanto, o seu 
comportamento como contaminante potencial. 
A dinâmica e disponibilidade dos metais estão muito influenciadas pelas condições físico-
químicas do solo em que se encontram, como o pH e o potencial redox5. Já os 
componentes orgânicos e inorgânicos do solo são os que em grande medida 
condicionam os mecanismos de retenção de metais por adsorção, complexação e 
fundamentalmente por precipitação. Além do que, as plantas e os microrganismos 
(bactérias e fungos) do solo também podem interagir com os metais através de 
mecanismos de extração, estabilização, biossorção, bioacumulação, biomineralização e 
biotransformação. 
Em qualquer caso, é importante ressaltar que os metais tóxicos nos solos não podem ser 
destruídos e sim só neutralizados, e que devido a pequenas variações das condições do 
meio edáfico6 podem ser liberados os metais anteriormente não solubilizados o que torna 
necessário realizar-se um seguimento em profundidade da distribuição destes 
contaminantes no solo, especialmente dos mais tóxicos. 
_______________________ 
5 O potencial de redução é uma medida da tendência da espécies químicas de adquirir 
elétrons e portanto, serem reduzidas. 
6 Meio Edáfico (diversidade edáfica) - Ambiente onde a planta desenvolve todo o seu 
ciclo de vida. Inclui o solo e todos os seus constituintes físicos, químicos e biológicos. 
1.1.2. CONTAMINANTES ORGÂNICOS 
 
 
Consultoria e Assessoria Técnica de Engenharia à SEA para Elaboração do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS) 
Volume 6: Tratamento e Disposição