Tratamento de Efluentes Volume  3
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Tratamento de Efluentes Volume 3


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Final de Resíduos Sólidos e Aspectos Ambientais e Sociais \u2013 Tomo III 
Agosto, 2013 \u2013 Rev.00 
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A produção e o uso massivo de compostos orgânicos fazem com que os contaminantes 
orgânicos estejam dentre os mais frequentes em solos. Podem ser citados, dentre outros, 
os hidrocarbonetos monoaromáticos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, 
hidrocarbonetos alifáticos, hidrocarbonetos policlorados, fenóis, nitroaromáticos, alcoóis, 
éteres, dissolventes clorados, isocianatos, cianetos orgânicos, carbonilas de metais, etc. 
A distribuição e o comportamento dos compostos orgânicos contaminantes nos solos 
estão governados por diferentes fatores que incluem as características do solo (pH, 
conteúdo de matéria orgânica e argila, potencial redox, conteúdo de nutrientes, atividade 
microbiológica, etc.), as propriedades específicas de cada composto (pressão de vapor, 
solubilidade, estabilidade química, biodegradabilidade, características de adsorção, etc.) 
e fatores ambientais como a temperatura e a precipitação. 
Assim, estes compostos podem sofrer processos de lavagem, biodegradação, 
volatilização, fotodecomposição e hidrólise, imobilização por adsorção e formação de 
enlaces com partículas de argila, óxidos, oxihidróxidos, etc., e transferência a 
organismos. 
1.2. TÉCNICAS DE DESCONTAMINAÇÃO DE SOLOS 
Na atualidade se dispõe de uma grande variedade de tecnologias de recuperação de 
solos contaminados, algumas de aplicação habitual e outras ainda em fase experimental, 
desenhadas para isolar ou destruir as substâncias contaminantes alterando a sua 
estrutura química através de processos químicos, térmicos e biológicos. 
Sua aplicação depende das características do solo e do contaminante, da eficácia 
esperada com cada tratamento, da sua viabilidade econômica e do tempo estimado para 
o seu desenvolvimento. Segundo a forma a ser aplicada, as técnicas de recuperação de 
solos tem-se as de tratamentos \u201cin situ\u201d que atuam sobre os contaminantes no lugar no 
qual se localizem, e as de tratamentos \u201cex situ\u201d que requerem a escavação prévia do solo 
para o seu posterior tratamento, seja no mesmo lugar, (tratamento on-site), ou em 
instalações externas que requerem o transporte do solo contaminado (tratamento off-
site). 
Os tratamentos \u201cin situ\u201d demandam um menor manejo do solo contaminado, porém 
geralmente são mais lentos e mais difíceis de serem aplicados dada a dificuldade de se 
colocar em contato íntimo a massa de solo contaminada com os agentes de 
descontaminação. Os tratamentos \u201cex situ\u201d costumam ser mais caros, porém são mais 
rápidos, conseguindo geralmente uma recuperação mais completa da zona afetada. 
Em função dos objetivos que se pretendem atingir com a recuperação do solo 
contaminado podem ser citadas as seguintes técnicas: 
técnicas de contenção, que isolam o contaminante no solo sem atuar sobre este, 
geralmente através da instalação de barreiras físicas no solo; 
técnicas de confinamento, que reduzem a mobilidade dos contaminantes no solo para 
evitar a sua migração, atuando diretamente sobre as condições físico-químicas em 
que se encontram os contaminantes; 
técnicas de descontaminação, dirigidas a diminuir a concentração dos contaminantes no 
solo. 
 
 
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Indicam-se a seguir, em forma de tabela, as principais técnicas de recuperação de solos. 
Tabela 1.2-1: Técnicas de Descontaminação de Solos 
TIPO TRATAMENTO TRATAMENTO APLICAÇÃO 
DESCONTAMINAÇÃO 
FISICO-QUÍMICO Extração In situ 
 Lavado Ex situ 
 Flushing In situ 
 Eletrocinética In situ 
 Adição de produtos químicos In situ 
 Barreiras permeáveis ativas In situ 
 Injeção ar comprimido In situ 
 Poços recirculação In situ 
 Oxidação ultravioleta Ex situ 
BIOLÓGICO Biodegradação assistida In situ 
 Biotransformação metais In situ 
 Fitorrecuperação In situ 
 Bioventing In situ 
 Landfarming Ex situ 
 Biopilhas Ex situ 
 Compostagem Ex situ 
 Lodos biológicos Ex situ 
TÉRMICO Incineração Ex situ 
 Desorção térmica Ex situ 
CONTENÇÃO 
 Barreiras verticais In situ 
 Barreiras horizontais In situ 
 Barreiras de solo seco In situ 
 Selado profundo In situ 
 Barreiras hidráulicas In situ 
CONFINAMENTO 
 Estabilização físico-química Ex situ 
 Injeção solidificantes In situ 
 Vitrificação Ex \u2013 In situ 
1.2.1. Aplicação de Técnicas de Descontaminação no Estado do Rio de 
Janeiro 
Como exemplos de aplicação no Estado do Rio de Janeiro, de algumas das técnicas 
relacionadas na Tabela 1.2-1, têm-se: 
- A de estabilização físico-química (encapsulamento) na região metropolitana do Rio de 
Janeiro, mais especificamente em Itaguaí, numa área que foi abandonada após a falência 
da Ingá Mercantil, há 13 anos, com uma grande quantidade de água contaminada com 
metais pesados, sendo que a contaminação afetou as águas da Baia de Sepetiba. O 
projeto de recuperação prevê o encapsulamento dos mais de 2 milhões de toneladas de 
rejeitos no local e o tratamento e renovação da água subterrânea, que também está 
 
 
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contaminada. Segundo estimativas da Usiminas, a água terá que ser bombeada por 
cerca de 20 anos até a total eliminação dos produtos tóxicos. 
- Outro caso é o da despoluição e revitalização do Canal do Fundão \u2013 localizado entre a 
Ilha do Fundão e o continente, ao longo da Linha Vermelha \u2013 e no seu entorno. No 
processo de dragagem do Canal do Fundão, os trechos contaminados com metais 
pesados passaram por um processo de separação de areia (Barreiras). Após esse 
procedimento, os sedimentos restantes foram dispostos em cápsulas de geotêxtil. A 
água, completamente limpa, retornou para a Baía de Guanabara e o lixo, por sua vez, foi 
levado para o aterro sanitário de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. 
- Embora não muito bem sucedido tem-se como outro exemplo de aplicação o caso da 
contaminação de solo causada por HCHs na Cidade dos Meninos, Duque de Caxias, Rio 
de Janeiro, onde uma antiga fábrica desses compostos foi abandonada há quarenta 
anos, ameaçando seus 1.700 habitantes. Para remediar a área pesadamente 
contaminada, um tratamento com óxido de cálcio foi realizado. Análises de solo coletadas 
superficialmente na área tratada, anos após o tratamento, mostraram ainda altas 
concentrações residuais de HCHs. Níveis de concentração tão alto quanto 6.200 mg/Kg e 
7.320 mg/Kg foram encontrados para os isômeros \u3b1- e \u3b2-HCH. Para os isômeros \u3b3- e \u3b4-
HCH, as concentrações observadas foram superiores a 140 mg/Kg e 530 mg/Kg, 
respectivamente. Estes resultados mostraram que o tratamento com óxido de cálcio não 
foi eficiente para a descontaminação do solo desta área. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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I. METAS PARA A ELIMINAÇÃO E RECUPERAÇÃO DE LIXÕES 
1. OBJETIVO 
Este Relatório tem o objetivo de apresentar uma metodologia padrão de 
intervenção e recuperação de áreas degradadas, pela disposição inadequada de 
resíduos sólidos, estabelecendo metas para recuperação dessas áreas, os 
vazadouros municipais ou lixões, com a inclusão social dos catadores de 
materiais existentes nessas áreas. 
A pesquisa e as