Tratamento de Efluentes Volume  3
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Tratamento de Efluentes Volume 3


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da reciclagem. 
No cenário das políticas públicas voltadas para resíduos sólidos e inclusão social, 
desenvolvidas pela SEA/INEA, há que se considerar o Projeto Catadores e 
Catadoras em Redes Solidárias, proposto pela Secretaria de Estado do Ambiente 
para o exercício de 2013 e 2014, cujas ações serão desenvolvidas em 41 
Municípios do Estado do Rio de Janeiro, objetivando a inclusão e o apoio à 
organização coletiva em Redes de Empreendimentos Solidários dos Catadores de 
Materiais Recicláveis, fomentando a implantação da Política Nacional de 
Resíduos Sólidos nos municípios beneficiários do Projeto. Para fomentar o 
desenvolvimento econômico dos catadores/as, o projeto tem como diretriz 
estratégica a qualificação e organização social e econômica de seus 
empreendimentos. 
O Programa Coleta Seletiva Solidária e o Projeto Catadores e Catadoras em 
Redes Solidárias consistem em ações estruturantes para implantação da Política 
 
 
Consultoria e Assessoria Técnica de Engenharia à SEA para Elaboração do Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS) 
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Nacional de Resíduos Sólidos, de apoio à inclusão socioprodutiva dos Catadores 
de Materiais Recicláveis e fortalecimento dos empreendimentos solidários, 
proporcionando condições de avanços significativos para processos de 
comercialização em redes. 
2.1. DESENVOLVIMENTO 
A disposição final de resíduos sólidos diretamente no solo, nos chamados lixões 
ou vazadouros municipais, traz graves consequências ambientais, sociais, 
econômicas e de saúde pública. A erradicação desta forma inadequada de 
destinação e a recuperação ambiental destas áreas, aspectos determinados pela 
Política Nacional de Resíduos Sólidos, significam um grande avanço na gestão de 
resíduos sólidos no Brasil. 
Neste aspecto, considera-se a questão social intimamente ligada à operação dos 
lixões municipais: a presença de Catadores de Materiais Recicláveis nestas áreas 
e sua condição social desfavorável. 
Considera-se, portanto, como aspectos fundamentais para a abordagem do 
assunto e a elaboração e aplicação das políticas públicas para remediação das 
áreas contaminadas pela disposição final inadequada de resíduos sólidos: a 
degradação ambiental e contaminação dos ecossistemas impactados; as 
consequências danosas à saúde humana devido à presença e proliferação de 
vetores e, por último, porém não menos importante, a questão social ligada 
diretamente à presença de Catadores de Materiais Recicláveis e seu trabalho de 
catação nos lixões. 
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) faz a distinção entre resíduo (lixo 
que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de 
reaproveitamento), além de se referir a todo tipo de resíduo, classificando-os 
conforme sua origem ou periculosidade: doméstico, industrial, da construção civil, 
eletroeletrônico, lâmpadas de vapores de mercúrio, agrosilvopastoril, da área de 
saúde, perigosos etc. Como um dos seus objetivos, a lei insere a integração dos 
catadores de materiais recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade 
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos (art. 7º). 
 
Alguns pontos importantes da PNRS (BRASIL, 2010) são: 
\uf0d8 Responsabilidade compartilhada em todo o ciclo de vida do produto; 
\uf0d8 Gestão integrada de resíduos sólidos; 
\uf0d8 Não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos RS; 
\uf0d8 Disposição final adequada; 
\uf0d8 Logística reversa; 
\uf0d8 Obrigatoriedade de elaboração de Planos Federal, Estaduais e Municipais de 
Resíduos Sólidos; 
\uf0d8 Obrigatoriedade de elaboração de Planos de Gerenciamento (pelo setor 
empresarial), denominados Grandes Geradores; 
\uf0d8 Inclusão social, através do fortalecimento das cooperativas de catadores; 
 
 
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\uf0d8 Possibilidade de estabelecimento de instrumentos econômicos indutores e 
linhas de financiamento por parte do poder público. 
Boas iniciativas podem ser observadas em alguns estados brasileiros, a exemplo 
do Programa Bolsa Reciclagem, desenvolvido pelo Governo de Minas Gerais. 
Instituído por lei, o incentivo será concedido trimestralmente às cooperativas e 
associações, sendo que 90% serão destinados aos catadores. 
O restante poderá ser utilizado para despesas administrativas, infraestrutura, 
equipamentos, formação de estoque de materiais recicláveis e capacitação de 
associados (fonte: Portal Agência Minas \u2013 notícias do Governo do Estado de 
Minas Gerais). 
 
2.2. A COLETA SELETIVA COMO UM DOS INSTRUMENTOS DA PNRS 
No artigo 8º da PNRS, observa-se que: a coleta seletiva; os sistemas de logística 
reversa e outras ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade 
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; e o incentivo à criação e ao 
desenvolvimento de cooperativas, ou de outras formas de associação de 
catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis (incisos III e IV, 
respectivamente), são elencados como instrumentos de aplicação da referida 
política. 
É preciso considerar também que Catador de Materiais Recicláveis é uma 
categoria de trabalho reconhecida pela CBO, Classificação Brasileira de 
Ocupações em 2002, que demanda políticas públicas para promover seu 
desenvolvimento profissional, econômico e social. 
Desta forma é necessário que o município apresente seu plano de coleta seletiva, 
inserido no seu plano de gestão integrada de resíduos, já na fase de 
encerramento de lixão. E que esteja previsto um programa socioambiental para o 
encerramento que contemple o nivelamento dos benefícios sociais e a 
capacitação para o trabalho cooperativo na cadeia produtiva da reciclagem, 
componente da gestão municipal de resíduos. 
Observa- se importantes avanços para o saneamento básico brasileiro e a 
abertura de novos caminhos para o estabelecimento de ações no setor, que 
sejam socioambientalmente adequadas, através da instituição da lei de 
consórcios públicos n°11.107/2005, da lei do Saneamento Básico n°11.445/2007 
e da Política Nacional de Resíduos Sólidos 12305/2010. 
A Lei de Consórcios Públicos aumenta a possibilidade de oferecimento de 
serviços de qualidade através do aumento em escala. Por exemplo, é mais 
provável que pequenos municípios consigam construir aterros sanitários através 
de consórcio do que individualmente. Dessa forma as capacidades, econômica e 
técnica, são potencializadas e ocorre um maior controle e comprometimento 
 
 
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político, visto tratar-se de um \u201ccontrato de parceria\u201d, conforme analisado no 
Volume 3 \u2013 Arranjos Regionais. 
A Lei 11.445/2007 que estabelece diretrizes nacionais para a política federal de 
saneamento básico surtiu um efeito positivo nos programas de coleta seletiva por 
alterar a Lei 8.666 de 1993 (inciso XXVII, art. 24), dispensando de licitação as 
cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis, para a coleta, 
processamento e comercialização de materiais recicláveis. 
Neste sentido a coleta seletiva cumpre papel importante na redução de resíduos 
destinados aos aterros sanitários, além de gerar trabalho e renda, e diminuir os 
impactos ambientais causados pela extração de matéria prima, ao reinserir 
materiais na cadeia produtiva, enquanto que as ações de educação ambiental e 
mobilização social cumprem papel fundamental junto