CAB Práticas integrativas fitoterapia
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CAB Práticas integrativas fitoterapia


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da saúde, com 
ênfase na atenção básica, voltada para o cuidado continuado, humanizado e integral 
em saúde;
- Contribuir para o aumento da resolubilidade do Sistema e ampliação do acesso às 
Práticas Integrativas e Complementares, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e 
segurança no uso;
- Promover a racionalização das ações de saúde, estimulando alternativas inovadoras e 
socialmente contributivas ao desenvolvimento sustentável de comunidades;
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Ministério da Saúde | Secretaria de Atenção a Saúde | Departamento de Atenção Básica
- Estimular as ações referentes ao controle/participação social, promovendo o 
envolvimento responsável e continuado dos usuários, gestores e trabalhadores, nas 
diferentes instâncias de efetivação das políticas de saúde (BRASIL, 2006b).
Entre as diretrizes gerais da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, cabe 
destacar:
- Estruturação e fortalecimento da atenção em PIC no SUS;
- Desenvolvimento de estratégias de qualificação em PNPIC para profissionais no 
SUS, em conformidade com os princípios e diretrizes estabelecidos para educação 
permanente;
- Divulgação e informação dos conhecimentos básicos da PNPIC para profissionais de 
saúde, gestores e usuários do SUS, considerando as metodologias participativas e o 
saber popular e tradicional;
- Estímulo às ações intersetoriais, buscando parcerias que propiciem o desenvolvimento 
integral das ações;
- Fortalecimento da participação social;
- Provimento do acesso a medicamentos homeopáticos e fitoterápicos na perspectiva 
da ampliação da produção pública, assegurando as especifidades da assistência 
farmacêutica nesses âmbitos na regulamentação sanitária;
- Garantia de acesso aos demais insumos estratégicos da PNPIC, com qualidade e 
segurança das ações;
- Incentivo à pesquisa em PIC com vistas ao aprimoramento da atenção à saúde, 
avaliando eficiência, eficácia, efetividade e segurança dos cuidados prestados;
- Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências da PNPIC nos 
campos da atenção, da educação permanente e da pesquisa em saúde;
- Garantia do monitoramento da qualidade dos fitoterápicos pelo Sistema Nacional de 
Vigilância Sanitária (BRASIL, 2006b).
A PNPIC contempla diretrizes para plantas medicinais e fitoterapia no SUS, cuja 
proposta foi construída seguindo o modelo da fitoterapia ocidental, entendida 
como \u201cterapêutica caracterizada pela utilização de plantas medicinais em suas 
diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, 
ainda que de origem vegetal\u201d, cuja abordagem incentiva o desenvolvimento 
comunitário, a solidariedade e a participação social, em virtude da quase 
totalidade dos programas no País se basearem nesse modelo. Nesse sentido, visa 
a ampliar as opções terapêuticas aos usuários do SUS com garantia de acesso 
aos produtos e serviços relacionados à fitoterapia, com segurança, eficácia e 
qualidade (BRASIL, 2006b).
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PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA NA SAÚDE DA FAMÍLIA
As diretrizes constantes nessa Política para Plantas Medicinais e Fitoterapia são:
\u2022	Elaboração	da	Relação	Nacional	de	Plantas	Medicinais	e	da	Relação	Nacional	de	Fitoterápicos1;
\u2022	Provimento	do	acesso	a	plantas	medicinais	e	fitoterápicos	aos	usuários	do	SUS;
\u2022	Formação	e	educação	permanente	dos	profissionais	de	saúde	em	plantas	medicinais	e	
fitoterapia;
\u2022	Fortalecimento	e	ampliação	da	participação	popular	e	controle	social;
\u2022	Incentivo	 à	 pesquisa	 e	 desenvolvimento	 de	 plantas	 medicinais	 e	 fitoterápicos,	
priorizando a biodiversidade do País;
\u2022	Promoção	do	uso	racional	de	plantas	medicinais	e	dos	fitoterápicos	no	SUS;
\u2022	Acompanhamento	e	avaliação	da	inserção	e	implementação	das	plantas	medicinais	e	
fitoterapia no SUS;
\u2022	Garantia	do	monitoramento	da	qualidade	dos	fitoterápicos	pelo	Sistema	Nacional	de	
Vigilância Sanitária;
\u2022	Estabelecimento	 de	 política	 de	 financiamento	 para	 o	 desenvolvimento	 de	 ações	
(BRASIL, 2006b).
A política contempla ainda as responsabilidades institucionais para as três esferas de governo 
e preconiza a participação popular em todas as etapas de implementação dessa política nacional. 
A PNPIC juntamente com as Políticas Nacionais de Promoção da Saúde, 
de Atenção Básica e de Alimentação e Nutrição são exemplos de marcos da 
saúde coletiva que contemplam e estimulam ações intersetoriais e transversais 
num esforço de integração de políticas públicas com foco, entre outros, na 
promoção da saúde. Além disso, preconizam o uso de tecnologias de elevada 
complexidade e baixa densidade e consideram o sujeito em sua singularidade, 
complexidade, integralidade e inserção sociocultural.
No campo dessas políticas, há várias iniciativas que privilegiam a dimensão educativa e a 
subjetividade no cuidado e na atenção à pessoa: formam grupos heterogêneos, no que diz 
respeito à idade e à ocorrência, estimulam o aprendizado voltado para a construção de vínculos, 
de responsabilidades, para a autonomia (individual e coletiva) e para a capacidade de provocarem 
a mudança do pensar e agir da promoção da saúde.
O campo da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, mais especificamente, 
abrange os sistemas médicos complexos2 e recursos terapêuticos3 que envolvem abordagens que 
buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde por 
1 A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS adota o conceito de fitoterápico descrito na RDC 48/Anvisa, de 16 de março de 2004, 
revogada pela RDC nº 14, de 2010.
2 Compreende-se por sistemas médicos complexos as abordagens do campo das PICs que possuem teorias próprias sobre o processo saúde\u2013doença, diagnóstico 
e terapêutica (LUZ, 2003). 
3 Compreende-se por recursos terapêuticos aqueles instrumentos utilizados nos diferentes sistemas médicos complexos.
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meio de tecnologias eficazes e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento 
do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade. 
Outros pontos compartilhados pelas diversas abordagens abrangidas nesse campo são a visão 
ampliada do processo saúde\u2013doença e a promoção global do cuidado humano, especialmente 
do autocuidado (BRASIL, 2006b). 
Essa política nacional trouxe avanços para a saúde no País, pela normatização e 
institucionalização das experiências com essas práticas na rede pública, fato comprovado pelo 
aumento significativo de investimentos em consultas e procedimentos das PICs (Figura 1), da 
oferta de produtos e serviços (Figura 2) e da aprovação de políticas, programas e legislação nas 
três instâncias de governo durante a formulação e após a aprovação dessa política. Além disso, a 
PNPIC veio cumprir os objetivos primordiais da OMS e das Conferências Mundiais para MT/MCA 
de promover a integração dessas práticas aos sistemas oficiais de saúde, desenvolver a legislação/
normatização para oferta de serviços e produtos de qualidade, propiciar o desenvolvimento dos 
conhecimentos na área, bem como a qualificação/aperfeiçoamento dos profissionais envolvidos 
com práticas complementares. 
Figura 1 \u2013 Valores aprovados em procedimentos e consultas médicas com Práticas Integrativas e 
Complementares, ofertados no SUS, no período de 2000 a 2011.
Fonte: SIA-SUS. Ministério da Saúde, 2012.
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PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA NA SAÚDE DA FAMÍLIA
Figura 2 \u2013 Práticas Integrativas e Complementares cadastradas com tipo de prestador público, 
ofertadas pelo SUS, no período de março dos anos de 2008 a 2012.Figura 2 \u2013 Práticas Integrativas e Complementares cadastradas com tipo de prestador 
público, ofertadas pelo SUS, no período de março dos anos de 2008 a 2012
Fonte: Brasília, Ministério da Saúde, 2011. Acesso março 2012.Fonte: