CAB Práticas integrativas fitoterapia
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CAB Práticas integrativas fitoterapia


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as metodologias participativas 
e o saber popular.
Para promover o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, é imprescindível a 
pesquisa em compêndios oficiais/não oficiais, referências científicas da área e informações de 
usos populares/tradicionais a fim de validar o uso terapêutico de determinada espécie vegetal e/
ou medicamento fitoterápico.
5.2 Acesso a plantas medicinais e fitoterápicos
O uso de plantas medicinais e fitoterápicos na assistência à saúde é favorecido pela aceitação 
da população, derivada da inserção cultural, pela disponibilidade de recursos naturais no país 
e por políticas públicas \u2013 a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) 
no Sistema Único de Saúde e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF). 
Tais políticas estão voltadas à inserção de plantas medicinais e da fitoterapia no SUS, e a última, 
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PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA NA SAÚDE DA FAMÍLIA
voltada também ao desenvolvimento de toda a cadeia produtiva, de modo a garantir qualidade, 
segurança e eficácia para plantas medicinais e fitoterápicos.
Segundo a PNPIC, as plantas medicinais podem ser oferecidas à população em uma ou mais 
das seguintes formas: 
\u2022	In	natura	(planta	fresca)	\u2013	planta	medicinal	coletada	no	momento	do	uso;
\u2022	Seca	(droga	vegetal)	\u2013	planta	medicinal	(ou	suas	partes)	que	contenha	as	substâncias,	
ou classes de substâncias, responsáveis pela ação terapêutica, após processos de 
coleta, estabilização, quando aplicável, e secagem, podendo estar na forma íntegra, 
rasurada, triturada ou pulverizada;
\u2022	Fitoterápico	 manipulado	 \u2013	 produzido	 por	 farmácia	 de	 manipulação	 própria	 ou	
conveniada;
\u2022	Fitoterápico	 industrializado	 (medicamento	fitoterápico)	 \u2013	 produzido	pela	 indústria	
farmacêutica ou por laboratório oficial. 
As atividades relacionadas à assistência farmacêutica na implantação do programa de 
fitoterapia compreendem a pesquisa, o cultivo de plantas medicinais, seu processamento em 
droga vegetal e a produção de fitoterápicos, bem como a sua seleção, programação, aquisição, 
distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos produtos e serviços, acompanhamento 
e avaliação de sua utilização. E, concomitantemente, o uso racional de plantas medicinais, 
fitoterápicos e medicamentos fitoterápicos, a informação e a comunicação com usuários e 
profissionais de saúde, além do financiamento.
Nesse sentido, a assistência farmacêutica com plantas medicinais e fitoterápicos em um 
programa municipal/estadual requer, entre outros:
a) Profissionais de saúde qualificados
É fundamental a composição de uma equipe de trabalho multi e interdisciplinar, identificando 
aqueles atuantes e qualificados na área de plantas medicinais e fitoterápicos e buscando facilitar/
fomentar o intercâmbio entre os diferentes profissionais e áreas do conhecimento.
Toda a equipe de saúde deve ser capacitada e/ou qualificada em plantas medicinais e 
fitoterápicos, destacando-se aqui a importância da capacitação do profissional farmacêutico 
para que seja capaz de atuar em todas as fases do ciclo de assistência e atenção farmacêutica.
Com relação ao uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, devem ser promovidos 
cursos para sensibilização/orientação da população e capacitação de gestores e profissionais de 
saúde, de acordo com a necessidade de qualificação da equipe.
A qualificação profissional é importante porque pode provocar mudanças nos processos 
de trabalho, alterando as relações técnicas e sociais entre as práticas hegemônicas e não 
hegemônicas, como a fitoterapia, na busca da integralidade, humanização da atenção à saúde 
e efetiva assistência farmacêutica. Portanto, uma importante estratégia para a qualificação dos 
profissionais de saúde é a educação permanente. 
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Ministério da Saúde | Secretaria de Atenção a Saúde | Departamento de Atenção Básica
b) Definição da relação de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos
As relações de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos devem ser elaboradas com 
o objetivo de orientar gestores e profissionais de saúde sobre as espécies de plantas medicinais 
e fitoterápicos a serem disponibilizados pelo Sistema, de forma a garantir produtos seguros e 
eficazes. Elas devem ser acompanhadas de mementos e formulários terapêuticos e monografias 
que irão orientar os profissionais de saúde na formulação e prescrição. 
A relação de plantas medicinais e a relação de medicamentos fitoterápicos são instrumentos 
distintos e, portanto, devem ser analisados distintamente, considerando-se os saberes populares/
tradicionais e científicos com o objetivo de selecionar aqueles que oferecem segurança e 
efetividade.
A relação de plantas medicinais trata-se de uma lista positiva com espécies vegetais que podem 
ser utilizadas na forma in natura, seca (droga vegetal) ou como fitoterápico manipulado, e estas 
demandam adaptação da espécie e produção local de matéria-prima. Enquanto que a relação de 
medicamentos fitoterápicos é composta por medicamentos com registro na Anvisa.
Com o objetivo de consolidar as relações nacionais de plantas medicinais e de medicamentos 
fitoterápicos, o Ministério da Saúde constituiu a Comissão Técnica e Multidisciplinar de 
Elaboração e Atualização da Relação Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos(Comafito), 
por meio da Portaria nº 1.102/GM/MS, de 12 de maio de 2010. Coordenada pelo Departamento de 
Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos 
Estratégicos, conta com representantes do Ministério da Saúde (Secretaria de Ciência, Tecnologia 
e Insumos Estratégicos: Departamentos de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, do 
Complexo Industrial e Inovação em Saúde e de Ciência e Tecnologia; Secretaria de Atenção à 
Saúde; Secretaria Executiva; Fundação Oswaldo Cruz; Agência Nacional de Vigilância Sanitária; 
Farmacopeia Brasileira), de uma sociedade científica e de cinco universidades. 
Em 2011, com a publicação da Lei nº 12.401/11 que altera a Lei nº 8.080/90, para dispor 
sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no âmbito do SUS e do 
Decreto 7.508/11 que regulamenta a Lei nº 8.080/90, para dispor sobre a organização do SUS, o 
planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, todas as atividades 
antes desempenhadas pelas comissões de elaboração e atualização da relação de medicamentos, 
a partir de então, são atribuições da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. 
Municípios como Rio de Janeiro, Fortaleza, Distrito Federal, entre outros, possuem seus 
programas de fitoterapia estruturados há muitos anos e, portanto, apresentam seus elencos de 
plantas medicinais e fitoterápicos, acompanhados de mementos terapêuticos, para orientação de 
profissionais de saúde no uso racional desses produtos. 
As plantas medicinais e os medicamentos fitoterápicos constantes na Rename, assim como do 
Formulário Terapêutico Nacional de Medicamentos Fitoterápicos, do Formulário Fitoterápico da 
Farmacopeia Brasileira e do Memento Terapêutico de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, e ainda 
das monografias de espécies medicinais, atualmente em fase de revisão/elaboração, irão facilitar 
a elaboração das relações estaduais e municipais, visto que as relações nacionais contemplarão 
ou deverão contemplar espécies nativas e adaptadas de várias regiões/biomas.
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PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA NA SAÚDE DA FAMÍLIA
Diante disso, na iminência da consolidação das relações nacionais, de posse de experiências 
estaduais/municipais, elaborou-se uma proposta de passo a passo para a seleção do elenco de 
plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos a ser utilizado nos programas de fitoterapia, 
considerando que o ponto de partida devem ser essas relações nacionais, mas que é imprescindível