Psicossomática e Psicanálise  Como a Psicologia explica os sintomas psicossomáticos
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Psicossomática e Psicanálise Como a Psicologia explica os sintomas psicossomáticos


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(Psicanálise: Teoria e Técnica)
Resumo
A mente e o corpo formam uma unidade. Por vezes as perturbações psicológicas podem causar disfunções em nosso organismo. Hipócrates postulava que os médicos deviam ter o conhecimento da totalidade de todas as funções do corpo. Martinho Lutero citou: \u201cPensamentos soturnos (sombrios) acarretam males físicos; quando a alma está oprimida, o mesmo acontece com o corpo\u201d.
Com essa declaração podemos afirmar que muitas das doenças podem vir da psique. Platão dizia que as doenças são desconhecidas, pois os médicos ignoram o conjunto e cita: \u201cuma parte jamais poderá estar bem, a menos que o todo esteja bem\u201d. O inconsciente pode expressar-se por meio de linguagens fisiológicas; Trata-se, não de um simbolismo, mas de um esforço no sentido de solucionar um problema ou satisfazer um desejo. 
Abstract
Mind and body form a unity. Sometimes the psychological disturbances can cause dysfunctions in our organism. Hippocrates postulated that physicians should have knowledge of the totality of all bodily functions. Martin Luther quoted: \u201cDark (gloomy) thoughts lead to physical evils; When the soul is oppressed, so is the body\u201d.
With this statement we can say that many of the diseases can come from the psyche. Plato said that diseases are unknown, because doctors ignore the whole and quotes: "one part can never be well, unless the whole is well." The unconscious can be expressed through physiological languages; It is not a symbolism, but an effort to solve a problem or satisfy a desire.
Psicossomática e Psicanálise
Como a Psicologia explica os sintomas psicossomáticos
 - Sigmund Freud 
	O relacionamento entre mente e corpo, sofrimento psíquico e doença, está em pauta na Psicologia há muito tempo. Como exemplo, podemos citar Freud e as histéricas, um estudo sobre as neuroses e psiconeuroses que evidenciou essa relação entre mente e corpo mostrando os sintomas causados por traumas e impulsos reprimidos.
	No estudo sobre as histéricas os sintomas eram: incapacidade de falar, paralisias, vômitos constantes, entre outros, e eram apontados como produções somáticas do recalque, fundamentando assim psicossomático como um distúrbio somático no qual fatores psicológicos contribuem à gênese da doença.
	A histeria era vista popularmente como um teatro, uma representação como forma de chamar atenção. Freud em seus estudos se utilizou da hipnose, que fazia com que os sintomas parassem temporariamente, e conseguiu provar que os sintomas físicos da histeria tinham ordem psíquica e não apenas relacionada ao sistema nervoso, como muitos médicos acreditavam.
- Jacques Lacan	
	Lacan, por sua vez, diferencia os sintomas psicossomáticos e histéricos. Para ele na histeria os sintomas são de origem narcísica, consequência da identificação da relação com o outro, e na psicossomática é um direcionamento da libido para o próprio corpo, movendo uma pulsão que aponta para pulsão de morte, na qual o corpo sofre as manifestações decorrentes da libido.
	Lacan enxergou as doenças psicossomáticas como um confronto com o real, citando-a como decorrente de fenômenos como o delírio, por exemplo, e não como sintoma.
- Joyce McDougall
	Joyce McDougall observou que pacientes psicossomáticos possuíam um modo peculiar em lidar com os próprios afetos, agiam como se os seus afetos não existissem de fato. Os discursos e suas falas eram sempre carentes de afetos. 
	Pesquisando em obras de Freud, encontrou a seguinte citação: \u201cAfetos são manifestações psíquicas do afluxo de energia pulsional\u201d.
	Para ela, portanto, \u201co sintoma psicossomático emerge como consequência de um processo prévio de desafeto que impossibilitou que afetos vinculados a determinado evento aflitivo pudessem ter sido distribuído entre representações mentais\u201d.
- Donald Woods Winnicott
	Winnicott por ser pediatra baseou os seus estudos psicanalíticos sobre psicossomática em bebês. Os bebês utilizavam-se muito de problemas de ordem orgânica para se expressarem. Observou a relação de interação entre mãe e bebê percebendo que o bebê apresentava reações físicas quando ficava por certo período longe da mãe. Com este tipo de experiência concluiu que o corpo e psique estão associados.
	Ao estudar adultos psicóticos, Winnicott percebeu a diferença da interação corpo e mente nos adultos e nos bebês. Enquanto os bebês apresentavam uma interação intensa entre os dois, esses adultos sentiam-se não pertencentes ao próprio corpo.
	Para explicar este ponto, Winnicott explicará que nem todos os indivíduos sentem o corpo e a psique integrados e que este acontecimento se dá de acordo com a criação que recebemos (afetos). E dependendo do ambiente e interação social, a criança não percebe a vinculação entre o que ela produzir de fantasias sobre a experiência corporal e o próprio corpo, ficando refém de uma angústia inimaginável (por conta da não integração entre psique e corpo \u201cpersonalização\u201d).
	Se a integração de corpo e mente for debilitada, o indivíduo sempre viverá sobre situações de grandes abalos emocionais, e é aí que o organismo lança mão de uma Doença Psicossomática para assegurar a vinculação existente entre corpo e mente. O indivíduo torna-se refém de uma doença.
- Pierre Marty
	Marty trabalhava com o conceito de mentalização junto ao pensamento operatório. A mentalização se diz a respeito à quantidade e a qualidade das representações inconsciente e pré-conscientes. A riqueza de representações (boa mentalização), a má representação, por seu turno correlativo ao pensamento operatório, é peculiar ao somatizador. Enxerga a somatização como uma deficiência na estruturação do aparelho psíquico impossibilitando a elaboração psíquica das excitações que, dessa forma são refletidas fisicamente.
Conclusão
	
	Com o passar dos anos os estudos sobre a interação entre mente e corpo se tornam frequentes e, assim, se leva em conta a somatização causada por essa comunicação. 
	Os teóricos apresentados, embora tendo diferentes visões sobre o assunto não negam a existência da somatização. Mudam as formas de avaliação, desde Freud que utilizou da hipnose com as histéricas até simples observações com bebês que sentiam falta de suas mães, mas todas as formas acabam por confirmar a teoria psicossomática. 
Referências bibliográficas:
- AMORIM, Ellana Rodrigues de. O Corpo e o Psíquico: os fenômenos psicossomáticos sob a ótica da psicanálise. 2010. 54 f. Monografia (Graduação em Psicologia) \u2013 Centro Universitário de Brasília, Brasília \u2013 DF. 2010. Disponível em: Acesso em: 12 out 2015.
- 1 SILVA, Débora Cristina da. 2 GAIO, Dulce Mara. O Corpo em análise: Uma perspectiva psicanalítica sobre o fenômeno psicossomático a partir da correlação entre soma e psique. http://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/anaisevinci/article/viewFile/1019/996
- FADDEN, Maria Adelia Jorge Mac. Psicanálise e Psicossomática. Editora Alinea/ 2000.