MODELO PEÇA
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MODELO PEÇA


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RESPOSTA À ACUSAÇÃO
Com fulcro no artigo 396-A, pelos motivos de fato e de direito que passa a expor:
I \u2013 DOS FATOS:
Conforme a peça acusatória, no dia 10 de março de 2010, o acusado tentou subtraiu para si um retroprojetor na Lojas Fama.
Narra ainda a exordial que, em ocasião anterior o acusado compareceu ao local do crime para fazer o orçamento de um violão, e nesta ocasião foi informado de que a loja cobria oferta de outras lojas, em seguida, o mesmo retornou à loja acompanhado de um homem, que distraía o vendedor enquanto o acusado subtraia a res furtiva que se encontrava na vitrine do estabelecimento, destrancada.
Ao subtrair a res, outro vendedor da loja percebeu o ato e chamou à atenção do acusado, que adentrou na loja ao lado, onde foi surpreendido pelos vendedores que o deterão até a chegada da polícia militar, sendo o mesmo preso em flagrante delito.
O produto fora avaliado em R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), consoante nota fiscal que dormita às fls. 26.
Assim, conforme a denúncia, o acusado tentou violar norma prevista noCódigo Penal (CP, art. 155, § 4º, II e IV, c/c art. 14), praticando o crime de furto tentado, na medida em que houvera tentativa de subtração de patrimônio alheio (coisa móvel) para si, de forma não violenta, mediante fraude e concurso de pessoas.
II - DO DIREITO
II.1 - Da ausência de provas
Conforme podemos observar a Denúncia Excelência, a mesma tem sua base formada apenas por depoimentos das vítimas, as únicas pessoas que presenciaram o acontecimento, além do acusado.
Em nosso sistema processual penal acusatório, cabe ao Ministério Público, com provas robustas, comprovar a real existência do delito, não baseando sua acusação apenas em depoimentos da vítima.
O Policial Militar que executou a prisão do acusado, não presenciou o fato, pois, ao chegar ao local, o acusado já estava imobilizado pelos vendedores.
O Direito Penal brasileiro possui dentre vários princípios, o do in dúbio pro reo, em que, havendo dúvida quanto à autoria do delito, deve-se absolver o réu, e para que haja a condenação é necessária a real comprovação da autoria e da materialidade do fato, caso contrário, o fato deve ser resolvido em favor do acusado.
É como assevera a decisão do Egrégio Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul:
\u201cEMBARGOS INFRINGENTES. FURTO DE UMA ÉGUA. ANIMAL ENCONTRADO NA PROPRIEDADE DO ACUSADO. PROVA ORAL CONSTITUÍDA APENAS DO DEPOIMENTO DA VÍTIMA. DÚVIDA SOBRE A AUTORIA. ABSOLVIÇÃO. A prova produzida não foi capaz de demonstrar ter sido o réu o autor do furto do animal encontrado em sua propriedade. O processo penal não autoriza conclusões condenatórias baseadas em suposições ou indícios pouco robustos. A prova deve estar clara, escorreita e sem ensejar qualquer dúvida para resultar condenação. Caso contrário, imperativa a absolvição. Prevalência do voto vencido. Embargos acolhidos. Por maioria."(Embargos Infringentes e de Nulidade Nº 70030654552, Terceiro Grupo de Câmaras Criminais, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Carlos Alberto Etcheverry, Julgado em 21/08/2009).
No mesmo rumo, o entendimento majoritário de que não sendo o conjunto probatório suficiente para afastar toda e qualquer dúvida quanto à responsabilidade criminal do acusado, mister é a prolação de sentença absolutória.
Assim sendo, concluímos que em matéria de condenação criminal, não bastam meros indícios. A prova da autoria deve ser lógica e livre de dúvida, pois só a certeza autoriza a condenação no juízo criminal. Não havendo provas suficientes, a absolvição do réu deve prevalecer.
III \u2013 DO DIREITO:
Não há provas que comprovem que o réu fora preso com o objeto que materializa o delito a si imputado, sendo este apenas cogitado pelas vítimas nos depoimentos durante a fase investigatória.
De seu turno, o depoimento prestado pelo policial militar não poderá jamais operar validamente contra o réu, visto que o mesmo não presenciou o suposto fato criminoso, pois, apenas chegou ao local quando o acusado já estava sob a guarda da vítima.
Sinale-se, outrossim, que para referendar-se uma condenação no orbe penal, mister que a autoria e a culpabilidade resultem incontroversas. Caso contrário, a absolvição se impõe por critério de justiça, visto que, o ônus da acusação recai sobre o artífice da peça portal. Não se desincumbindo, a contento, de tal tarefa, marcha, de forma inexorável, a peça parida pelo dominus litis ao exício.
Neste mesmo sentido, se posiciona a jurisprudência pátria:
"APELAÇÃO CRIME. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. ABSOLVIÇÃO. A condenação exige certeza quanto à existência do fato e sua autoria pelo réu. Se o conjunto probatório não é suficiente para esclarecer o fato, remanescendo dúvida insuperável, impositiva a absolvição do acusado com fundamento no art. 386, VII, doCPP."(Apelação Crime nº 70040138802, 8ª Câmara Criminal do TJRS, Rel. Danúbio Edon Franco. J. 16.02.2011, DJ 16.03.2011). (grifo nosso)
Destarte, todos os caminhos conduzem à absolvição do réu, frente o conjunto probatório domiciliado a demanda, em si sofrível e altamente defectível, para operar e autorizar um juízo de censura contra o denunciado.
IV \u2013 DO PEDIDO:
Diante do exposto, vem requerer a Vossa Excelência, seja esta Resposta à Acusação recebida, onde, com supedâneo nos artigos 397, III c/c art. 386, II,V e VII do Código de Processo Penal, pleiteia-se a ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA do Acusado, em face da atipicidade dos fatos narrados na peça acusatória. Não sendo este o entendimento, o que se diz apenas por argumentar, reserva-se ao direito de proceder em maiores delongas suas justificativas defensivas nas considerações finais, protestando, de logo, provar o alegado por todas as provas em direito processual penal admitida, valendo-se, sobretudo, do depoimento das testemunhas arroladas.
Sucessivamente, pede-se:
seja o réu incurso no art. 155 c/c o art. 14 do CP.
no caso de não aceitação do pleito anterior, seja aplicada tão somente a pena de multa em seu patamar mínimo;
ainda sucessivamente, no caso de não atendimento das anteriores, requer-se a substituição da pena de reclusão pela de detenção, sem aplicação de multa, com sua redução no percentual máximo;
subsidiariamente aos pedidos anteriores, pleiteia a aplicação da pena de reclusão, com redução no percentual máximo previsto em lei.
Levando-se em conta que a presente ação tramita sob o Rito Comum Ordinário (CPP, art. 394, inc. I c/c art. 401), requer-se a oitiva das testemunhas abaixo arroladas:
Testemunha 1 \u2013 Romilda, qualificada à fl. __
Testemunha 2 \u2013 Geralda, qualificada à fl. __.
Nesses termos,
Pede deferimento.
Goiânia, 21 de julho de 2015
Advogado OAB/GO nº.