CAB DM
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específicos no exame do pé de pessoas com DM e sugestões de 
manejo
Achados Sugestões de manejo
Úlcera, descoloração, edema, 
necrose
Avaliação médica se nova úlcera, descoloração, edema ou 
necrose.
Ausência de pulsos
Avaliar sinais e sintomas de isquemia e encaminhar para 
avaliação especializada.
Calo Avaliar a necessidade de remoção do calo.
Infecção fúngica Avaliação médica para tratamento com antimicótico.
Infecção bacteriana Avaliação médica imediata para tratamento.
Unha encravada
Avaliar a necessidade de correção e orientar para que 
não tente corrigir o problema sozinho.
continua
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Achados Sugestões de manejo
Deformidades em pés
Orientar calçado apropriado e considerar avaliação com 
ortopedista ou encaminhar para órtese.
Higiene inadequada
Escuta para identificar fatores que não permitem a 
higiene adequada e orientações sobre o tema.
Calçados e/ou meias inadequadas
Implementar estratégias educativas e de apoio para 
realizar as orientações sobre calçados e meias adequados 
(Veja Quadro 15).
Desconhecimento sobre 
autoavaliação e autocuidado
Orientar e anotar no prontuário a necessidade de 
avaliação frequente com reforço das orientações. 
Implementar estratégias para desenvolvimento do 
autocuidado, identificar rede de apoio e manter apoio 
até que a pessoa ou sua rede tenha autossuficiência.
Fonte: Adaptado de CURITIBA, 2010.
5.4 Classificação de risco para complicações no pé
Após as informações e dados obtidos por meio da história e do exame físico, a equipe poderá 
classificar o risco de futuras complicações (úlceras, internações e amputações) avaliar a necessidade 
de referência ao serviço especializado e definir a periodicidade de acompanhamento e avaliação 
dos pés. 
Os pés poderão ser avaliados por intermédio de uma escala de quatro categorias de risco 
para complicações em membros inferiores para pessoas com DM, apresentada no Quadro 15. As 
recomendações de acordo com a classificação poderão ser adaptadas conforme a realidade local.
Quadro 15 \u2013 Classificação de risco de complicações em membros inferiores baseada na 
história e no exame físico da pessoa com DM
Categoria 
de Risco
Definição Recomendação Acompanhamento*
0
Sem PSP
 Sem DAP
Orientações sobre calçados 
apropriados.
Estímulo ao autocuidado.
Anual, com médico ou 
enfermeiro da Atenção 
Básica.
1
PSP com 
ou sem 
deformidade
 Considerar o uso de calçados 
adaptados.
Considerar correção cirúrgica caso 
não haja adaptação.
A cada 3 a 6 meses com 
médico ou enfermeiro da 
Atenção Básica.
conclusão
continua
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Categoria 
de Risco
Definição Recomendação Acompanhamento*
2
DAP com ou 
sem PSP
Considerar o uso de calçados 
adaptados.
 Considerar necessidade de 
encaminhamento ao cirurgião 
vascular.
A cada 2 a 3 meses com 
médico e/ou enfermeiro 
da Atenção Básica. Avaliar 
encaminhamento ao cirurgião 
vascular.
3
História de 
úlcera ou 
amputação
Considerar o uso de calçados 
adaptados.
Considerar correção cirúrgica caso 
não haja adaptação. 
Se DAP, avaliar a necessidade de 
encaminhamento ao cirurgião 
vascular.
A cada 1 a 2 meses com 
médico e/ou enfermeiro da 
Atenção Básica ou médico 
especialista.
Fonte: Adaptado de BOULTON, 2008.
Nota: PSP = Perda da sensibilidade protetora; DAP = Doença arterial periférica.
* É recomendado que o acompanhamento seja incluído na rotina de cuidado definido para aquela pessoa.
Após a classificação do risco da pessoa ter complicações nos pés, deve-se explicar a ela o 
significado dessa categoria e os aspectos fundamentais para a prevenção de lesões e cuidados 
com os pés, pactuando com ela o plano terapêutico e acertando a periodicidade com que deverá 
ir à unidade de Saúde.
Fatores adicionais que podem indicar a necessidade de maior frequência de consultas e o 
rastreamento de complicações em membros inferiores (MAYFIELD et al., 2003):
\u2022 calos, calosidades nos pés, micoses (interdigital ou ungueal), unhas encravadas, 
deformidades nos pés e pododáctilos;
\u2022 limitação da mobilidade articular;
\u2022 limitações físicas (p. ex.: cegueira ou redução da visão) ou cognitivas para o 
autocuidado;
\u2022 baixo nível de conhecimento sobre cuidados preventivos;
\u2022 condições de higiene inadequadas;
\u2022 baixo nível socioeconômico e de escolaridade; 
\u2022 pouco ou nenhum apoio familiar ou de amigos no dia a dia; e
\u2022 residência em instituição de longa permanência.
conclusão
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5.5 Pessoas com DM e ulcerações nos pés
Na presença de lesão ulcerada no pé, os cuidados devem ser imediatos, incluindo o tratamento 
da infecção, quando presente, a redução do apoio no pé doente, a limpeza da ferida e a avaliação 
da necessidade de encaminhamento à atenção especializada. Na presença de excesso de queratina 
nos bordos da lesão, esta deve ser removida a fim de expor a base da úlcera. Úlceras superficiais 
frequentemente são infectadas por gram-positivos e podem ser tratadas ambulatorialmente com 
antibióticos orais.
A necessidade de internação hospitalar pode ser considerada na presença de (GRUPO DE 
TRABALHO INTERNACIONAL SOBRE PÉ DIABÉTICO, 2001):
\u2022 úlcera profunda com suspeita de comprometimento ósseo ou de articulação; 
\u2022 febre ou condições sistêmicas desfavoráveis; 
\u2022 celulite (>2 cm ao redor da úlcera); 
\u2022 isquemia crítica; ou 
\u2022 quando a pessoa não tem condições de realizar tratamento domiciliar adequado.
Na presença de uma úlcera profunda, pode-se solicitar radiografia óssea e velocidade de 
hemossedimentação ou sedimentação globular (VSG) para excluir a presença de osteomielite. Uma 
velocidade de hemossedimentação maior de 70 mm/h sugere fortemente infecção óssea, mas a 
radiografia pode ser normal até duas a três semanas do início da osteomielite (TELÓ et al., 2011). 
Na presença de infecção associada, antibioticoterapia empírica pode ser instituída [GRADE D] 
(TELÓ et al., 2011). A escolha do antibiótico depende da gravidade da infecção. Com infecções 
leves (úlcera superficial, com celulite maior de 2cm ao redor da úlcera, sem osteomielite e sem 
comprometimento sistêmico) o tratamento é ambulatorial. O antibiótico de primeira escolha é 
amoxicilina + clavulanato (500 mg de 8h/8h), via oral por uma a duas semanas. A segunda escolha 
é cefalexina (500 mg de 6h/6h), via oral por uma a duas semanas. 
Pessoas com infecções moderadas (úlcera profunda com exsudato purulento, celulite, necrose 
leve a moderada, osteomielite ou manifestações sistêmicas de infecção), podem ser encaminhadas 
para tratamento hospitalar. A presença de úlcera maior de 2 cm, teste probe-to-bone positivo 
(sentir que atingiu o osso por meio da úlcera com uma sonda romba metálica estéril), VSG maior 
de 70 mm/H ou Raio X anormal sugerem a presença de osteomielite (BUTALIA et al., 2008). Nestes 
casos, a primeira escolha é antibiótico endovenoso.
A pessoa com infecção grave (úlcera profunda com exsudato purulento, celulite, gangrena 
ou necrose extensa, osteomielite, bacteremia ou toxocidade sistêmica) precisa ser encaminhada 
para tratamento hospitalar imediato. Na presença de osteomieltite o tratamento pode ser 
prolongado por até seis semanas, associado ou não ao desbridamento cirúrgico.
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A pessoa que apresenta lesão ulcerada em membros inferiores precisa de acompanhamento 
frequente. O profissional deve estar atento ao potencial para o autocuidado e rede de apoio do 
paciente, bem como cuidados específicos para esta complicação.
O Quadro 16 resume alguns cuidados essenciais para lesões