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Controle Social

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O que se entende por legitimidade? 
A legitimidade é decorrente do sentimento expresso por uma comunidade de que determinada conduta é justa, correta. Daí dizer-se que esta implica sempre reconhecimento.
A ETIMOLOGIA DA PALAVRA PODER
A palavra poder vem do latim vulgar potere, substituído ao latim clássico posse, que vem a ser a contração de potis esse, “ser capaz”; “autoridade”. Dessa forma, na prática, a etimologia da palavra poder torna sempre uma palavra ou ação que exprime força, persuasão, controle, regulação etc.
De acordo com o dicionário de filosofia, a palavra poder, na esfera social, seja pelo indivíduo ou instituição, se define como “a capacidade de este conseguir algo, quer seja por direito, por controle ou por influência. O poder é a capacidade de se mobilizar forças econômicas, sociais ou políticas para obter certo resultado (...)” (Blackburn, 1997:301). Muito embora, de acordo com o autor, esse poder possa ser exercido de forma consciente ou não, e/ou, frequentemente, exercido de forma deliberada.
Podem-se encontrar definições do tipo: “É poder social a capacidade que um pai tem para dar ordens a seus filhos ou a capacidade de um governo de dar ordens aos cidadãos” (Bobbio, 2000:933). E ainda, “o poder evoca a ideia de força, capacidade de governar e de se fazer obedecer, império” (Souza, Garcia e Carvalho, 1998:417).
No que se refere ao poder, direito e verdade, sob a análise de Foucault, existe um triângulo em que cada item mencionado (poder, direito e verdade) se encontra nos seus vértices. Nesse triângulo, o filósofo vem demonstrar o poder como direito, pelas formas que a sociedade se coloca e se movimenta, ou seja, se há o rei, há também os súditos, se há leis que operam, há também os que a determinam e os que devem obediência.
Michel Foucault 
Foucault, 1962– Tecnologia do Poder – o poder permeia toda a sociedade e, nas sociedades modernas pelas relações de consumo.
O poder disciplinar – consiste, segundo o autor, construir uma pessoa pela ação do poder sobre o corpo desse indivíduo (sociedade);
A disciplina vem de fora, não se internaliza nesse indivíduo – as pessoas são “sequestradas” onde os indivíduos eram retirados do seu espaço social e dentro das instituições seriam doutrinados.
 Foucault chamou de tecnologia política cujo elemento unificador era a hierarquia.
O objetivo do autor é entender os interesses, formas de controle e analisa os processos disciplinares adotados pelas instituições (escolas, hospitais, manicômios, prisões), identificando os padrões de condutas normais ou não.
No contexto histórico, sobre o período do iluminismo, Foucault acredita que internamente, o novo conceito de homem foi importante para a sociedade mas que existiam apenas sujeitos que variavam de tempo ou lugar;
Externamente, porém, as mentes e os corpos poderiam ser moldados por diversas instituições sociais.
Panótiptico – Foucault utilizou o modelo do Filósofo Geremy Benthan(sec XVIII) – para explicar como seria possível um controle. A criação de um lugar onde as pessoas pudessem ser vistas sem ver. Representa o controle de um poder central sobre uma população, um lugar para ver sem ser visto.
Exemplo: Uma torre; as câmeras de vigilância...
3(três) mecanismos do poder disciplinar:
Soberania: poder do soberano sobre a vida e a morte do indivíduo
Disciplina – o poder disciplinar vai agir sobre cada um desses corpos (hierarquia)
Biopoder - No final do sec. XVIII e XIX se complementou a tecnologia disciplinar. Age sobre as grandes populações, os grandes corpos populacionais
“O estudo das instituições prisionais” – Nas prisões o poder se manifesta de forma concreta.
O autor discorre que as relações de poder existentes, seja pelas instituições, escolas, prisões, quartéis marcados pela disciplina: “mas a disciplina traz consigo uma maneira específica de punir, que é apenas um modelo reduzido do tribunal” (Foucault, 2008:149). 
É pela disciplina (hierarquia) que as relações de poder se tornam mais facilmente observáveis, pois é por meio da disciplina que estabelecem as relações: opressor-oprimido, mandante-mandatário, persuasivo-persuadido, e tantas quantas forem as relações que exprimam comando e comandados.
Foucault tratou também sobre o conhecimento como forma de controle social e acreditou que as ciências humanas intervêm na vida do indivíduo, pelos saberes que controlam o controlam. Cada conhecimento novo pode representar um mecanismo de alteração de comportamento e, nesse sentido não existia relação de poder que não estivesse acompanhada da criação de um saber.
Exemplo: na família, uma criança com problema na fala é levado ao fonoaudiólogo que, usando de seus conhecimentos irá mudar o comportamento; um psicólogo que contribui para a mudança de comportamento através do conhecimento da área de psicologia.
A ação não seria sempre opressora mas poderiam estar relacionadas a criação nova.
Por isso o homem poderia pensar sobre outras possibilidades para o mundo em que vive, criando assim, novas perspectivas. Por isso seus estudos foram importantes também na psicologia nas novas tecnologias de tratamento para os males da mente humana, Como estudioso da psicanálise, criticou as abordagens sobre a internação e o domínio das concepções médicas para lidar com a doenças.
Seu estudo impulsionou as terapias alternativas
Exemplo a reconstrução (recuperação) do homem a partir da sua significância.
Diante do triângulo demonstrado por Foucault, poder — direito — verdade, e das passagens em que ele remete ao aparelho de Estado, a figura, por meio de recurso analógico, compara-o ao triângulo do tripé da sociedade, Estado – mercado – sociedade civil.
											
Temos um poder legítimo, se a população reconhece que as ordens emanadas das autoridades são justas e que existe a obrigação de cumpri-las (dever de obediência). Em outras palavras, a população obedece ao poder legítimo não somente por temer a aplicação de eventuais sanções, mas também por convicção. (Valores)
Neste caso, a ordem política encontra um amplo reconhecimento e consegue facilmente aplicar o direito.
Ao analisarmos a relação entre legitimidade e Estado, podemos apontar como marco histórico o discurso filosófico sobre o contrato social. 
Ao final do século XVIII e início do século XIX, a ideia de legitimidade, que estará na base do nascimento dos primeiros Estados, se relacionava a um consenso inicial de todos os cidadãos, onde se configurava a idéia de adesão ao contrato social, para a fundação de um Estado: os cidadãos iguais e livres decidem organizar a sociedade através de um contrato social, cujas regras fundamentais são fixadas na Constituição.
Atualmente pode-se falar de um consenso funcional e permanente, que consiste na participação dos cidadãos no processo de tomada de decisões. 
A comunidade política se converte em protagonista do exercício do poder: os súditos tornam-se, pelo menos formalmente, cidadãos, detentores da soberania, e legitimam o poder através da eleição dos governantes e da participação cotidiana nos processos políticos (debates, protestos, greves etc.).
 Lembramos que o termo “legitimidade” é também utilizado com relação ao direito. Uma norma jurídica é legítima quando é considerada justa e necessária. 
A sociologia jurídica analisa a legitimidade do direito de dois modos:
- Pesquisa a opinião da população sobre o direito e averigua a eficácia das normas jurídicas, que está relacionada com a aceitação das normas pelas pessoas).
 
O PAPEL DO DIREITO NO PROCESSO DE LEGITIMAÇÃO DO PODER POLÍTICO. LEGITIMIDADE FORMAL E MATERIAL
 “O mais forte nunca é suficientemente forte para ser sempre o senhor, senão transformando sua força em direito e a obediência em dever”. Esta constatação de Rousseau exprime uma lei fundamental da política. (Livro 1, Cap. 111; 1997, p. 59) 
 Não é difícil constatar que o direito tem uma importância

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