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Controle Social

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particularmente grande para o processo de legitimação do poder político. 
O direito dá ao poder, o que o constitucionalista alemão Carl Schmitt (1978, p. 323) chamou de “mais-valia política” (politischcr Mehrwert). Através do direito é possível criar legitimidade para um governo, que passa a usufruir as vantagens que oferece a aceitação popular (estabilidade social, diminuição dos conflitos, obediência espontânea).
O direito é um instrumento que permite legitimar o poder por duas razões:
 Em primeiro lugar, a existência de um sistema jurídico está ligada à ideia do justo. Se as leis são respeitadas por todos, as pessoas acreditarão que a justiça prevalece, que as autoridades do Estado não exercem o poder arbitrariamente, mas se restringem a aplicar as regras previamente estabelecidas.
Em segundo lugar, a existência do direito e o respeito a ele oferecem ao cidadão uma sensação de segurança. O direito lhe permite saber o que deve fazer e o que pode esperar dos outros, ou seja, lhe permite organizar a sua vida e conseguir uma estabilidade.
De tal forma, os detentores do poder não são julgados somente em base às suas decisões políticas, mas também ganham um “prêmio” da legitimidade devido ao funcionamento do sistema jurídico. Esta é a “mais-valia política” da qual se apropriam os detentores do poder legal.
Para conseguir legitimidade, o poder político deve atuar de conformidade com as características e exigências de cada sociedade. Nos sistemas capitalistas, a legitimidade é de tipo formal-legal. Os cidadãos aceitam submeter-se somente a ordens que emanam de normas jurídicas estabelecidas segundo procedimentos previstos na Constituição. Acreditam na legalidade, considerando-a como um elemento necessário para o bom funcionamento da sociedade.
 O poder político moderno não se legitima somente por tomar decisões justas, como acontecia com os “bons reis” na Idade Media. A legitimação passa pelo respeito às regras e aos procedimentos definidos pelo direito escrito: “obedece-se à ordem impessoal, objetiva e legalmente estatuída” e não a determinadas pessoas (Weber, 1991, p. 141).
 Dentro do sistema de legitimidade formal, o exercício da violência física é considerado legítimo, somente quando praticado dentro dos limites da legalidade. Assim sendo, falar-se do monopólio da violência legítima nos sistemas capitalistas significa falar da violência legal
ORDEM (SOCIAL)
=PRODUTO DAS INSTITUIÇÕES, RELAÇÕES E PROCESSOS SOCIAIS E NÃO APENAS POR SISTEMAS JURÍDICOS E SUAS SANÇÕES. 
 O controle está baseado em valores relacionados com cada sociedade em particular
Segundo Émile Durkheim, numa sociedade socializada, dotada de capacidade nos processos de interação e integração, os valores são fortes, capazes de exercer o controle social através da AÇÃO COLETIVA (CONSCIÊNCIA COLETIVA). – SOCIEDADES MECÂNICAS.
QUANTO MAIOR O GRAU DE COESÃO, A ACEITAÇÃO DOS VALORES VIGENTES, MAIOR O CONTROLE SOCIAL. 
CONCEITUANDO….
BOUDON, Raymond & BOURRICAUD, François. "Controle social". In: Dicionário crítico de sociologia. São Paulo: Ática, 1993, pp. 100-106.
Boudon e Bourricaud definem o controle social como "o conjunto dos recursos materiais e simbólicos de que uma sociedade dispõe para assegurar a conformidade do comportamento de seus membros a um conjunto de regras e princípios prescritos e sancionados" (p. 101). 
A noção de controle social, na sociologia, é bem diversa daquela existente no senso comum, onde se entende que ele seria apenas o controle formal e legal exercido pela sociedade sobre os indivíduos. 
Na verdade, o controle social representa também a maneira através da qual se garante, pelas relações sociais, que os indivíduos ajam em conformidade com as normas sociais consensuais de uma determinada sociedade. 
Para que o controle social seja plenamente efetivo, portanto, não basta apenas que ele seja externo ao indivíduo, mas é preciso também que ele faça parte da subjetividade deste indivíduo.(VALORES)
Para Boudon e Bourricaud nossa conduta "não é regrada exclusivamente pelas coerções do meio exterior (físico ou moral). Está também submetida a exigências internas, das quais algumas, rebeldes a todo controle, buscam satisfazer-se literalmente a qualquer preço, e outras, domadas, entram em estratégias mais complexas e de mais longo alcance" (p. 102). 
No pensamento de Parsons, a partir das idéias de Freud, "o controle social se funda na capacidade do ator de ver seus próprios atos com o olhar com que um outro ator, qualquer que seja ele (...), veria" (p. 102). 
Na verdade, o controle social supõe reciprocidade, ou seja, supõe a existência de normas que estabelecem obrigações comuns e recíprocas entre os membros de uma determinada sociedade. 
Em resumo, podemos pensar a sociedade como um conjunto de estratégias de controle, que ao mesmo tempo estimulam e limitam a ação social e que, desse modo, possibilitam a interação entre as iniciativas e recursos individuais, as coerções coletivas e as normas morais. Nessa perspectiva, o controle social nunca é total: nem a sociedade controla totalmente o homem e nem o homem controla totalmente a sociedade, pois ambos se limitam mutuamente. 
Controle Social e anomia 
BOUDON, Raymond & BOURRICAUD, François. "Anomia". In: Dicionário crítico de sociologia. São Paulo: Ática, 1993, pp. 25-29. 
O conceito de anomia tem a intenção de precisar a idéia de desregramento social e é um dos mais utilizados na sociologia. 
O conceito de anomia se aproxima da idéia marxista de alienação, traduzindo a existência de um "desregramento fundamental das relações entre o indivíduo e sua sociedade" (p. 25). 
Podemos dizer que existe anomia quando as ações individuais não são mais reguladas por normas sociais claras e coercitivas. 
Para Durkheim, o que causa a anomia é a crescente complexificação das estruturas sociais, fato que ocasiona um aumento da individualização dos membros da sociedade e, conseqüentemente, o crescimento dos efeitos deste "desregramento". 
Toda sociedade tem valores que são, em maior ou menor grau, compartilhados pelos seus membros, e para Boudon e Bourricaud a interiorização individual destes valores se constitui na base sobre a qual se constrói o conjunto de objetivos individuais que devem obedecer – ou não – às normas sociais para serem atingidos. 
O conceito de anomia, tal qual o de alienação, se propõe a dimensionar as sociedades concretas através da idealização de um modelo social em que os indivíduos estejam plena e harmoniosamente integrados na sociedade. 
A Anomia em Merton 
Robert K. Merton(1938), sociólogo americano, escreveu um artigo famoso de apenas dez páginas, que teve o mérito de estabelecer os fundamentos de uma teoria geral da anomia. O artigo foi posteriormente revisto e transformado pelo autor em sua obra clássica Teoria e Estrutura Sociais.
Partindo de uma análise da sociedade americana, Merton sustentou que em toda sociedade existem metas culturais a serem alcançadas, entendendo-se como tais os valores sócio-culturais que norteiam a vida dos indivíduos. Para atingir essas metas existem os meios, que são os recursos institucionalizados pela sociedade, aos quais aderem normas de comportamento. De um lado, metas sócio-culturais, de outro, meios socialmente prescritos para atingi-las.
Ocorre, no entanto, que os meios existentes não são suficientes nem estão ao alcance de todos, acarretando, assim, um desequilíbrio entre os meios e os objetivos a serem atingidos. Isso quer dizer que, enquanto todos são insistentemente estimulados a alcançar as metas sociais, na realidade apenas alguns poucos conseguem por ter ao seu dispor os meios institucionalizados.
Os tipos de comportamento mencionados pelo autor são: 
a-conformidade (comportamento modal);
b-inovação, comportamento que condiz com as metas culturais mas que se os meios institucionalizados não estiverem ao alcance, tenta-se atingir as metas por meios socialmente

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